TAILÂNDIA: Festival de Vinho de Frutas

Seria por certo em 1990, imaginável, pensar-se que em 2002 fosse levado a efeito um certame onde dentro do mesmo o tema apresentativo fosse o vinho proveniente da fermentação de frutos tropicais, em Banguecoque, no mega centro de exposições “Queen Sirikit´s National Convention Center” (Centro Nacional de Convenções Rainha Sirikit), onde de 6 a 12 de Setembro 2002, expôem 126 produtores de vinho, das mais diversas províncias do sul,centro, norte e nordeste do país.

O Festival do Vinho, assim relatado pela comunicação social, foi inaugurado no dia 6 pelo Primeiro Ministro Thaksin Shinawatra; visitando os “stands”, provando a bebida e incentivando os pequenos e médios empresários a seguir em frente com o projecto.

Nos tempos áureos da economia tailandesa,cujo esta atinge taxas de crescimento de 7.5% de 1988 a 1997 o vinho de uvas, importado, da Austrália, Estados Unidos,Chile e Europa atinge proporções consideráveis que existiam, na capital tailandesa, mais de duas centenas de importadores. O vinho, especialmente, o tinto encorpado era o preferido e toma o lugar ao whiskey escocês,passando a ser servido, nas recepções por toda a Tailândia.

Depois do colapso económico de princípio de Julho de 1997, leva à falência dezenas de importadores e sobrevivem uma dúzia de empresas, alicerçadas e outras multinacionais.

O Governo a fim de estagnar a saída de divisas para a importação de artigos considerados de luxo, aumentou  as taxas de importação, onde nestes se inclui o vinho. Imposto aduaneiro que se situa actualmente nos cerca dos 325%.

Sobre o colapso económico tailandês e que se estende a toda a Ásia é noticiado em termos dramatizantes, na imprensa mundial e para quem não estava dentro do terreno,considerava a Tailândia um país económicamente “falido”.

E, porque as populações tailandesas, desde a fundação do Reino, em Sukhotai e depois, transferido, em 1275 até 1767 na capital, Ayuthaya, e viria, em 1782, a dar lugar ao Banguecoque,moderno, de 10 milhões de pessoas (a cidade mais segura do mundo para o visitante), nunca tiveram grande preocupação na procura do arroz para as suas dietas. Reino farto e o povo com a “barriga cheia”, não assalta, ou pilha, nos tempos de crise, lojas comerciais em procura de alimentos. Foi isso que aconteceu por toda a Tailândia. E, no começo da mesma crise, enviou generosamente,para a Indonésia,5 mil toneladas de arroz. O “karma” que orienta a gente tailandesa é que para ela existe o condão de enfrentar a riqueza e a pobreza, no mesmo modo, dentro dos princípios da religião,moderada e tolerante, budista.

E foi assim que novos rumos foram tomados pelos milhares tailandeses,após terem perdido os seus empregos, nas 59 instituições financeiras que o Governo encerrou se deslocassem para os meios agrários e começassem desde do “nada” a fundar e desenvolver pequenas indústrias onde dentro destas se coloca e com sucesso a produção de vinho de frutas,outro de uvas, que o país,também produz, nas provincias do norte/nordeste menos afectadas ao rigor do calor tropical.

O incentivamento governamental, com o “pregão publicitário”: “consuma produtos tailandeses”. O patriotismo de um Povo e o orgulho de nunca ser colonizado por país estrangeiro, leva-o a seguir, com entusiasmo, as linhas de orientação impostas pelo executivo,governamental, que os rege.

Evidentemente e porque as condições climatéricas, do país, não são semelhantes às dos países produtores de vinho, os  produzidos na Tailândia não têm o paladar o mesmo gosto. Mas, a Tailândia, com uma população de 60 milhões, e mais de 60% jovem, ao que nunca tiveram acesso a um “copo” de vinho importado, certamente num futuro, não muito distante, bebem o seu vinho, que aparte não possuir o tal paladar, também lhes alegra o coração como ao “Baco”, o Deus do Vinho, lhe haja dado momentos de contentamento e embriagantes.

Durante a inauguração da primeira festa, tailandesa, do vinho de frutas o Primeiro Ministro Thaksin, declarou que além da bebida ser agradável, tem mercado futuro nos países do Sudeste Asiático e Pacífico e ainda, próximamente, servido nos vôos da companhia aérea nacional“Thai Airways”.

Seguir-se-à a promoção, dentro do mercado internacional e já com exportações para a Europa e Estados Unidos, para os núcleos onde residem largas comunidades tailandesas que optam pelo consumo dos produtos do seu país. E, segundo me informou,  Chaiuth Wisuitjitjai (recentemente visitou Portugal, em vista a incluir,vinhos portugueses, em conjunto com os de sua produção, na sua cadeia de distribuição) procede a negociações com empresas proprietárias de grandes superfícies de vendas: na China, (imposto aplicado de 125%) “Charoen Pokphand Group”, em Shangai,  “The Asia Mall”, na Malásia, as 2.000 lojas  ”7-Eleven”, e no gigante “Carrefour” já à venda ao preço a 170/180 baht (cerca de 4,5 euro). A sua empresa produziu no ano 2001, 100.000 litros e aumentou a capacidade para o ano em curso de 250.000 litros.

Diversos frutos,tropicais, são utilizados no fabrico de vinho tailandês, cuja doçura e gosto os torna os melhores do mundo. A caída pluvial,abundante e a humidade constante que paira na atmosfera faz com que este país seja farto de fruta e de arroz que também, deste cereal, produzem vinho e licor.

O ananaz, o mango steam, a framboeza, a goiaba (introduzida pelos portugueses depois de 1512 e vinda do Brasil), Fruta-do-Conde (pinha de custard” e ainda outras onde se inclui o arroz.

A fermentação e o amadurecimento do vinho,está dentro das técnicas usada no estrangeiro, em cubas de aço inoxidável, pipas e barris de madeira. Para o vinho de ananáz não necessita de corantes. No tinto é utilizada a flor “rosele” que depois de fervida é addicionado, o liquido, ao vinho em mosto, antes de entrar nos depósito de fermentação.

Dado que é ainda uma indústria em embrião, e se aguarda uma larga expansão, não deixa, porém, de ter um bom futuro e aliciante mercado para as rolhas de cortiça portuguesas e outro material de vitivinicultura que dado aos preços mais competitivos do que de outros países da Europa, onde estão a ser adquiridos, onde se inclui Espanha e a Itália.

De momento a maior parte dos produtores estão adquirir rolhas espanholas, que a matéria para a seu fabrico pode ser tudo menos cortiça, conforme a nossa análise, feita, há uns meses.

José Martins

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