Internacionalização das Empresas Portuguesas na Ásia

Sem dúvida que Portugal teve, por alguns séculos, uma influência comercial impar não só nas Costas Ocidental e Oriental de África que se estendem à India, mas também no Coromandel, Malaca, Java, Sião, Cambodja, Mares do Sul da China e Japão.

Tudo isto foi o seguimento da obra e visão do Infante Dom Henrique, depois concretizada por Dom Manuel I.

Se nos debruçarmos nos apontamentos do cronista Damião de Gois, que nasce e vive durante a epopeia dos descobrimentos, poderemos avaliar o que era o Portugal de quinhentos e a miséria que por ali havia. O Rei Venturoso orienta-se pelo pensamento do Infante e, com o apoio do Vaticano, ordena, depois de vencido o Cabo Bojador por Gil Eanes em 1486, a ida das Caravelas de Cristo em procura das terras do Oriente.

Tarefa que não foi fácil, com naufrágios constantes, que deu aso à perda de tripulações e passageiros de  embarcações completas. Mas a força de vontade e a persistência do Homem luso faz, pouco depois da descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, encher os cofres de El Rei de Portugal com a venda das especiarias do Oriente que constantemente chegavam ao Tejo.

Aventura que provoca o derrubamento dos mercados tradicionais e milenários de Itália, onde se incluíam os de Veneza, Génova e Piza. Lisboa é o centro comercial mais importante de toda a Europa onde os mercadores, dos diversos países, se vêm abastecer de, além das especiarias, das louças da china, do marfim, da pedraria, dos brocados de Java e da prata do Japão.

Além do mais foram os portugueses que internacionalizaram o sistema alimentar do mundo da época, com a movimentação das sementes e plantas de uns continentes para outros.

A língua portuguesa foi por mais de dois séculos a língua franca e de comunicação entre os mercadores e missionários na divulgação da doutrina cristã.

Podemos, portanto, afirmar que Portugal é o pioneiro da internacionalização entre todos os povos do universo. Uniu o Ocidente com o Oriente e criou núcleos lusófonos duradoiros, que entraram em decadência a partir de 1580 quando a coroa castelhana rege, por 60 anos, Portugal..

Portugal em 1640 adquiriu novamente a independência, mas as chagas abertas durante os sessenta anos de governação dos Reis Filipes de Espanha, projectam um mal que jamais foi sarado e que de uma forma ou de outra se foi mantendo, praticamente até hoje, na Ásia.

A opulência e a vaidade das classes nobres permitem que estas se dediquem mais ao ócio do que a pensar no futuro de Portugal.

Ainda conhecida hoje a frase: se conheces Goa escusas de ir a Lisboa.

Portugal tem demasiadas terras além-mar, onde se inclui um Brasil imenso, colónias em África e outras possessões no Oriente, debaixo da mesma jurisdição, que não pode de forma alguma administrar.

No Brasil é proclamada a independência e fica Portugal com os grandes espaços territoriais que são Angola e Moçambique. Colónias que muito dão a Portugal e pouca obra por ali vai sendo feita, dado que o sistema administrativo é influenciado pelo nepotismo.

No final do século XIX a indústria metropolitana portuguesa está reduzida a umas poucas fábricas de lanifícios situadas na encosta da Serra da Estrela na cidade do Porto e em Lisboa. Complexos industriais  limitados a produzir para as necessidades do país e para exportar para o espaço lusófono.

Está assim, a internacionalização portuguesa, limitada  ao ultramar onde chegavam os barcos com passageiros e carga nos porões constituída por umas centenas de barris de 100 litros de vinho, tecidos de fraca qualidade para vestir as populações locais e pouco mais. De África chegavam matérias primas como o açúcar, café, chá e sementes oleaginosas para serem transformadas em óleo e sabão.

A indústria portuguesa continua a quedar-se num marasmo abismal. A sociedade portuguesa, socialmente, divide-se numa parte que está encostada ao poder cujo executivo de pouco, mesmo nada, se importa do progresso industrial de Portugal e que, usando o sistema “de compadrio” vai nomeando homens que nada entendem sobre a gestão ou o desenvolvimento industrial do país.

Apenas floreiras, de péssimo cheiro, em cima da mesa do Poder.

A Europa, durante o século XIX e já nos finais deste, inventa e desenvolve várias tecnologias, entre as quais a electricidade, o automóvel e o aeroplano. As transformações atingem o auge de quase perfeição na 2ª Guerra Mundial.

Portugal tinha problemas políticos e sociais que eram chagas profundas dentro de um país iletrado que se estendia pelas aldeias, sem indústrias, e produzindo apenas para se alimentar e enviar os excedentes para as cidades do Porto e Lisboa.

A nossa diplomacia, na Europa, movimenta-se pelos salões dourados e nem sempre os Embaixadores das Missões são as pessoas indicadas para servirem Portugal, informando Lisboa do que está a acontecer, das novas invenções tecnológicas nos países acreditados e incentivando o Governo a enviar jovens portugueses, a frequentar escolas e universidades e com isto aprender coisas, e ministrá-las na sua Pátria.

Os Homens da República preocupavam-se em harmonizar o povo saído do feudalismo, de séculos, outros apenas alimentavam ambições de poder, enquanto o Clero e a Nobreza dando conta que a identidade milenária estava numa fase de esvaziamento, irmanados nos mesmo ideal procuravam e criavam maquinismos sobrenaturais para que o Povo se quedasse ao seu lado, submisso, dentro dos princípios da religião e sem a concorrência frontal de outras.

A nossa aliada Inglaterra estava na época do reinado da Rainha Vitória, e esta não só pretendia um Reino próspero e moderno tecnologicamente, como expandir-se internacionalmente nos mercados. Para isso criava e subsidiava indústrias transformadoras de produtos da terra, na Índia e outras colónias, que depois eram enviadas para a Inglaterra e ali acabadas e exportadas.

A Rainha preocupava-se com a expansão do comércio no exterior e os seus homens de confiança vão-lhe enviando mensagens de quais os produtos naturais que por lá há e o que a Inglaterra poderá fornecer em troca.

Fala-se que o missionário Livingstone, quando explorou África e seguiu o Rio  Zambeze pela parte de Moçambique até Vitória Falls (Zimbabwé), informou a Rainha que um dos produtos, ingleses, que se poderia vender em África seria sapatos, dado que toda a população caminhava descalça.

Claro que Livingstone tinha visão, pois embora as populações não tivessem dinheiro para adquirir sapatos, tinha muita mercadoria para a troca, entre a qual se incluía cera, marfim, ouro e pedras preciosa e madeiras raras para a indústria mobiliária do reino.

Sem nos querermos afastar do título genérico deste trabalho, dirigido à internacionalização do comércio português na Ásia é, daqui por diante, que nos iremos ocupar sobre a matéria, nomeadamente do Sudeste Asiático e, principalmente, da Tailândia onde estamos fixados há uma vintena de anos.

Portugal foi o primeiro país da Europa a conhecer este país e o relacionamento comercial remonta aos anos de 1511. Portugal continua, por cerca de 150 anos, a ser o país ocidental que efectua transacções comerciais com este Reino e as  transporta para os armazéns de Goa e Macau de onde depois são enviadas para Lisboa onde são vendidas para todos  os países da Europa..

Os produtos portugueses, por norma, eram armas para que o país se defendesse contra as investidas, constantes, dos exércitos birmaneses. Os da Tailândia, são  os que Fernão Mendes Pinto descreve nos dois volumes da Peregrinação: “tem muitas minas de prata, ferro, aço, chumbo, estanho, salitre e enxofre, seda, àguila, benjoim. lacre, anil, roupas de algodão, rubis, safiras, marfim e ouro”.

Em 1660 os franceses chegam ao Sião instalam-se e tomam o lugar aos portugueses. A língua portuguesa era já correntemente falada e a utilizada para o relacionamento do comércio internacional.

Ayuthaya, a segunda capital da Tailândia, é destruída (nunca conquistada) pelo exército birmanês em 1767 e viria, 15 anos depois, a dar lugar à fundação da cidade de Banguecoque em 1782. Não há comunidade europeia nesse período e foi doado um largo terreno (ainda hoje existe), na margem do rio Chao Prya, para instalar uma Feitoria, doca para construir e reparar navios e, também, para que Portugal reactivasse o comércio perdido para os países ocidentais. Oficialmente, em 1820, o Rei Rama II, oficializa a entrega do terreno que em 1782 oferecera à Rainha Dª Maria I, cuja cerimónia se revestiu de grande aparato com a vinda do brigue São Baptista a Banguecoque.

A cidade cresce espontaneamente a paz chega e, mercê desta, países como a Itália, França e Alemanha começam a estabelecer-se na zona ribeirinha, com os seus consulados e empresas para compra e venda. Mais tarde vieram empórios que hoje são empresas públicas. Durante a primeira guerra mundial as empresas alemãs foram confiscadas pelo Governo e, pouco depois da guerra ter terminado, voltaram e, da estaca zero, cresceram a impérios comerciais que ainda se mantêm hoje, sob administração tailandesa.

A esse tempo os cônsules portugueses, na Feitoria de Portugal, enviam cartas lamuriantes, umas vezes para o Governador de Goa outras para o de Macau, a queixarem-se do clima, da falta de verbas para as despesas correntes e lá vão vivendo, conforme podem,  ranguinhando.

Entretanto a língua portuguesa continua a ser a que prevalece, como a do relacionamento internacional no Reino do Sião e em 1858, o primeiro Tratado de Navegação, Comércio e Amizade com os Estados Unidos da América, foi elaborado em tai, inglês e português.

Em 1949 o Cônsul Humberto Alves Morgado, em ofício, informava o Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa: “…desde que aqui cheguei, no mercado raramente se encontra Vinho do Porto que não seja produzido ou exportado por firmas inglesas, e que neste último caso o vinho foi ao que parece engarrafado ou rotulado em Inglaterra…”. O Cônsul Morgado, ainda, no mesmo ofício: “...O Vinho do Porto que se bebe no Sião é mais conhecido pelo nome do seu produtor ou exportador do que pela qualidade em si, ninguém vai comprar um Porto português…”. Humberto Morgado aqui queria dizer que o Vinho do Porto, reexportado pelos agentes em Inglaterra, era conhecido na Tailândia, em meados do século passado como produzido no Reino Unido e não nas terras sobranceiras ao rio Douro 

O Cônsul não gostou do que viu, quer iniciar a promoção e deseja que os vinhos generosos da região do Douro venham directamente de Portugal para o Reino da Tailândia. Contactou numerosas empresas exportadoras portuguesas de vinhos, licores, aguardentes e brandies e recebe rótulos, tabelas de preços e amostras em garrafas. O Cônsul deixou o seu posto e só em 1958 o Encarregado de Negócios Albertino dos Santos Matias pretende dar seguimento ao projecto de Humberto Delgado. Faz contactos a nível diplomático com a Embaixada Americana, em Banguecoque e um dos seus objectivos é que o vinho português entre na Força Naval estacionada nos mares asiáticos. O diplomata Rauch da Embaixada americana informa Santos Matias que deveria informar os exportadores portugueses para que se dirijam à base naval americana estacionada em Luson na Filipinas.

Mas a ideia ficou pelo caminho, ou pelo desânimo ou pela curta permanência no posto dos dois diplomatas, onde as comunicações eram morosas e as viagens ao Oriente de mais de 30 dias de barco.

Só passados 24 anos, com o então Embaixador Melo Gouveia que deu uma nova e dinâmica imagem à Missão Diplomática e com o patrocínio do ICEP, foi construída e aberta uma Secção Comercial com um funcionário tailandês. O excelente e prestigioso diplomata convidou várias empresas portuguesas a instalar representantes na Embaixada e dentro dela usarem as comunicações, que ainda eram reduzidas às máquinas do telex e do fax.

Acedeu ao convite uma empresa portuguesa, multinacional, que viria, estrondosamente aumentar, passado um curto espaço de tempo, as exportações para Ásia dos seus produtos.

Mas temos notado que, durante a nossa permanência na Ásia, as empresas portuguesas não se encontram vocacionadas para vender na área e, cada vez mais, se nota que pretendem mais comprar do que vender, dada a competitividade de preços advinda dos baixos custos da mão de obra do produto tailandês.

A integração e relacionamento do comércio português na Ásia não oferece qualquer dificuldades, pelo menos no espaço onde nos encontramos e actuamos que é a Tailândia. Os tailandeses são anfitriões, atenciosas e não escondem a sua curiosidade de saber e conhecer, comercialmente, aquilo que se  desenvolve no país do visitante.

Na Tailândia o vendedor encontra simpatia acolhedora no relacionamento com as empresas dentro das reuniões de negócios.

Dado ainda encontrarem-se algumas dificuldades de ligação linguística, aconselha-se na primeira visita, um mês ou dois antes da data, o contacto com a representação do ICEP, instalada na Embaixada de Portugal, para que se providencie acompanhamento durante a sua estada na Tailândia. O representante providenciará o acompanhamento de guia, habilitada a ligações comerciais, já familiarizada quer com o empresariado português quer no acompanhamento, preparação das missões ou presença em feiras internacionais. Os seus serviços, em regime de “part-time”, são convidativos e resumem-se a cerca de 25 euros por dia.

O empresário tailandês identifica os seus congéneres ou representantes estrangeiros, pela distinção do hotel escolhido e a delicadeza dentro das reuniões de negócios, normalmente demoradas para que seja tomada uma decisão.

A pontualidade é um ponto a considerar no local da reunião não sendo muito bem aceite a chegada depois da hora marcada. O centro da cidade de Banguecoque é  congestionada pelo trânsito automóvel nas horas de ponta, pelo que se recomenda a escolha de um hotel na proximidade de um acesso à expressway, pois logo que entre nesta poderá sem grande dificuldade movimentar-se e chegar a todos os pontos da cidade ou arredores com prontidão.

O aeroporto internacional de Banguecoque situa-se a 30 quilómetros da baixa da cidade, os serviços funcionam com perfeição e, depois da bagagem ser recolhida, na aerogare de saída encontram-se vários balcões de atendimento, para câmbio de divisas (1 Euro cerca de 38,60 baht) e escolha de hotel (se  a reserva não foi feita à partida). Para segurança dos visitantes recomenda-se a utilização dos balcões de aluguer de táxi e nunca optar pela oferta convidativa de angariadores de transporte em automóveis, utilizados como táxi, não licenciados e sem chapa que os identifique como tal e sem taxímetro.

Website que se recomenda visitar:

http://www.aquimaria.com  Em língua portuguesa e direccionado para o Mundo     Lusófono, com centenas de endereços de websites da Tailândia e países do Sudeste Asiático.

Embaixada de Portugal em Bangkok

Captain Bush Lane,26 – 10500 Bangkok – Thailand
Fax: 66 2 639 611 3,
Tel. 66 2 2342123
E-mail: portemb@loxinfo.co.th

Icep Portugal (mesmo endereço da Embaixada)

E-mail: jose@loxinfo.co.th
Fax/telefone 66 2 2381626

José Martins 

 

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