
Já lá vão uns bons anos de vida, fisgados, no tempo, como uma aragem macia que quase não damos por ela.
Iniciei a minha carreira profissional como marçano, na cidade tripeira, pouco depois de ter terminado a 2ª Guerra Mundial por volta dos anos de 1946.
Uma baixa do Porto castiça, fedorenta, com bosta de boi em cima dos paralelopípedos de granito, ensebados pela gordura do mijo do gado que jungidos a cangas decoradas com motivos regionais, puxavam carros ronceiros e chiadeiros atacados de víveres dos armazéns da Rua São João, subindo a rua Mouzinho da Siveira e chegados à praça de Almeida Garret divergiam para os lados dos campos da Boavista e Ramalde, Rio Tinto, Gondomar e Gaia.

Desembarquei na estação de São Bento depois de um dia de viagem, no comboio da Beira Alta com transbordo na Pampilhosa da Serra para o “trama” vindo de Coimbra, desde a estação de Gouveia, a levante do rio Mondego e, no distrito de Viseu.
Um dia de viagem e chegado meio enfarruscado das faúlhas que expelidas pela chaminé da fornalha da máquina a vapor que corriam ao longo da composição e nos tingiam de negro a face e me entravam nos olhos que vermelhavam as retinas, depois, de tanto serem esfregadas.
Dificil adaptação para um miúdo, da minha idade, de pouco mais de dez anos que choramingou pelo caminho pelo facto de deixar a serra, a casa da Fonte, o som das campanhias das ovelhas e dos chocalhos das cabras.

O calor das cavacas de cerne, resinosas, de pinheiro bravo que ardiam nas lages da lareira da cosinha onde a família se reunia na ceia e se aconchegava do frio
As festas do Natal, o desabrochar das flores na primavera, aquele som que jamais me saía dos ouvidos; o da queda da água no açude da ribeira, correndo desde as cordilheiras, baixas, da serra pelo vale entre entre lameiros e de margens com árvores de amieiro, freixieiros e figueiras onde os melros as pegas e outra passarada faziam poiso e bicavam água fresca e cristalina que corria entre juncos e embudeiros que cresciam na corrente dessa ribeira.


Tinha sido, naquele ano, “licenciado” e aprovado em Julho, último, com exame do 2ª grau da instruçao primária em Gouveia.
A quarta classe era o licenciamento da “canalha” do meu tempo que até era doutrinada a ter amor à Pátria; sabia de cor e salteado os nomes de Luis de Camões, do Vasco da Gama, do Pedro Álvares Cabral, Afonso de Albuquerque e de todos os herois quinhentistas.
Além do mais o conhecimento cronológico das datas dos feitos dessas grandes figuras lusitanas.
Vida desgraçada esta do campo e do gado!
Palavras que o meu pai me dizia constantemente.
Não queria de forma que fosse um seu seguidor e um futuro lavrador e pastor.
Talvez um comerciante, um dia, na cidade do Porto, era o seu desejo.
Admirei a grandeza da ponte, metálica, de D. Maria, quando o comboio, quase a passo, a atravessou em direcção à estação de Campanhã.
Olhei para o Sul do Rio Douro e lá está a majestosa Ponte de D. Luis de dois tabuleiros que dela já me tinham falado.

No átrio da estação de São Bento duas filas de pessoas formando um corredor em frente e à saida da gare esperavam os passageiros.
Encostados às paredes e com cara de poucos amigos, carrejões de trouxa às costa e capuz de serapilheira enfiada na cabeça para que algum passageiro lhes entregasse um cesto ou cabaz e um frete de uns 15 ou 25 tostões para os lados de Cimo de Vila, Caldeireiros, Praça de Carlos Alberto e rua de Cedofeita.
O Largo de Almeida Garret alumiado com candeeiros de três globos.


As luzes de neon de cor azul que apagavam e acendiam, intermitentemente, refletiam raios na calçada da rua e nos azulejos da parede da igreja dos Congregados, vindos do alto do prédio da esquina da Rua de Santo António, anunciando os automóveis “Hilman”.
A pronúncia das palavras eram diferente do tom forte que tinham as da Serra da Estrela.
As gentes vestiam de uma outra forma.
Alguns homens, com aparência de “esticadinhos” (também chamados pipis da tabela) usavam gravatas penduradas nos colarinhos, rafados, de tanto a camisa ser lavada; fatos lustrados de anos de uso.
As faces das pessoas não eram coradas como as dos homens e mulheres do Arcozelo.
Jovens penteados com o cabelo para trás e empastado de brilhantina barata.
Depois de sair da gare de São Bento lá me levaram para a Casa Faria, dos meus primos e família Daniel, já comerciantes de prestígio no Porto, na Mouzinho da Silveira número 237, mesmo em frente à rua do Soto que ligava as ruas da Bainharia, Pelames, Escura, Viela de São Sebastião e outras artérias lúgubres e mal cheirosas do Bairro da Sé.


Para um rapaz serrano naquela época se habituar e integrar-se no contexto da miudagem, amarelita, do Porto e do bairro da Sé não era lá coisa muito fácil!
Era segregado e escarniado por essa irreverente, traquinagem, tripeira. Correntes as frases pejorativas: “É pá olha o parolo que veio de lá de “xima” da terra da coina! ”
As palavras, mais correntes, recebidas dessa malandragem de bairro do Sé.
E foi neste bairro e na rua do Loureiro nº 46, na Casa Arcozelo, queijaria que tinha como nome o da terra que melhor queijo produzido na Serra da Estrela e propriedade do meu primo António Daniel, que Deus o tenha em descanso que me iniciei, profissionalmente, na categoria de “marçano”.
As funções me foram atribuídas eram as de carregar tabuleiros de queijo à cabeça da Loureiro, para as confeitarias do Marquês, Antero de Quental, Cedofeita e, também, de quando em quando, umas “maratonas” ao Amial e Areosa.
Havia, depois, as entrega das encomendas de cerveja Cristal, das gasosas, da laranjada Invicta pelas “tascas” do bairro da Sé, São Nicolau e Bonjardim.
E, claro, ainda servir ao balcão, da queijaria, a clientela que raramente comprava queijos inteiros, mas pedaços a partir das 50 gramas.
Gente, aquém os olhos brilhavam, alguma de chapéus já desabados, do passeio a mirar o queijo da serra amanteigado, exposto na montra.
De dentro e de trás da montra olhava-lhes o desalento de não o poderem comprar.
Outra, com alguma hesitação, lá entravam e pediam umas 50 ou 100 gramas e raras eram as que levavam um quarto de quilo.
Peso na mão que a faca não falhava, no corte do queijo, um grama que fosse ao pedido.
O orgulho do querer mais e não ter posse para o adquirir, era simulado pela frase corrente do cliente: “dê-me só cinquenta “graminhas” que o queijo faz mal ao fígado.....”

O Bairro da Sé era estigmatizado e caracterizado pela continuada presença da rufiagem, noctivaga, em procura das “casas de tia” (legalisadas), que em todo bairro existiam e a mais famosa era o trinta do Corpo da Guarda que como proprietário tinha um bonancheirão, de uns cem quilos de peso e apelidado de “Manso”.
As vozes dos residentes, gente de parcas posses e “sem pimenta na língua” a cada instante a palavra “caralho” era proferida gritada ou moderada.
Ficou retida na minha memória as frases de uma mulher que gritava em cima do soalho de uma casa, na rua dos Pelames, para o filho:
“ ó meu filho da grande puta quando chegar o corno do teu pai vou-lhe fazer queixa de ti”.
Palavras inocentes, típicas e coerentes da arraia-miúda tripeira!
Frequentes as rixas, no Bairro da Sé, entre as mulheres de vida fácil que à entrada da casas de porta aberta se envolviam em cenas de ciúmes porque uma lhe roubara ou tinha ido para a cama com o seu amante, o “tony” e um distinguido “chulo” do bairro.
O Porto do meu tempo e da minha infância não tem nada haver com o Porto actual.
Muita coisa viria a mudar com o correr dos anos.
Uma cidade pacata e tranquila durante a noite.
O silêncio perturbado durante as horas nocturnas pela fricção das rodas, a rolarem em cima dos carris, dos amarelos, que funcionavam até à meia noite e pelas zorras que das minas se São Pedro da Cova transportavam o carvão em pó para a central de Massarelos.
O censo de 1950 dá conta da vivência de 281 mil tripeiros.
Um Porto velho, pacato e até com muito regionalismo e assim se identificava-se com a constante chegada de pessoas vinda dos arrabaldes e da terras do Douro que à cidade se deslocavam para vender uns presuntos; uns enchidos de carne de porco; uns ovos e uns cestos de frutas para depois, com o produto da venda comprarem umas miudezas nos armazems do Largo dos Loios, umas mercearias nas lojas da Mouzinho; ou uma fatiota nos prontos a vestir da rua dos Clérigos para vestir e melhorar a roupagem do filho, com um fato domingueiro, do moço “espigadote” ou um chaile de “merino” para a moça casadoira.

Mas além do xaile para a rapariga, porque não?
Se na bolsa fechada e apertada com um atilho e, bem segura nas mãos se ainda houvesse uns “dinheiritos” para umas arrecadas ou uns brincos nos ourives da Rua das Flores para a rapariga ou, ainda uma corrente de oiro para o rapaz prender o relógio no bolso do colete.
Á porta dessas lojas, do pronto a vestir, da rua dos Clérigos havia caixeiros expeditos, escondendo e encobrindo o ar de “malandrecos” e trocistas que procuravam por todas artes e imaginativas, de vender a todo custo um fato ao provinciano das terras do Douro.
A Torre dos Clérigos, essa imponente obra de arte e a identificação da cidade tripeira era um monumento que já não me atraía olhá-lha como a admirei, pela primeira vez, das estação das Devezas, em Gaia, quando estava prestes a chegar à cidade Invicta das terras serranas.

Um Porto de poucos automóveis que se conheciam os seus proprietários e gente grada e honrados comerciantes, de bigode, da praça do comercial do Porto.
Buicks e Cadilacs uns poucos guiados por motoristas fardados também circulavam nas ruas da cidade.
Rodavam mais os utilitários onde no grupo estava o famoso Ford T, de capota de lona, que alguém o tinha alcunhado de “sobe-se-sequer” a rua de Santo António; a dos Clérigos, das Carmelitas até aos planos da Praça da Batalha ou da Praça de Carlos Alberto.

Na Praça de Dom Pedro IV lá estava o Rei estatuado, em bronze, no centro da praça e, não compreendia a fraca ideia, do monarca “Libertador” estar virado para o Passeio das Cardosas e de costas o Rei e, de rabo o cavalo, para a estátua de cândido olhar da “Menina Nua”, no princípio da Avenida dos Aliados e a sala de visitas do burgo tripeiro.
Mulheres e homens carrejões, pela manhã, caminhavam pelas ruas com cestos e sacos à cabeça com fruta comprada no mercado Ferreira Borges; mercearias dos armazens da Rua de São João e do depósito das mercadorias chegadas à estação de São Bento, junto à rua da Madeira.
A rua da Madeira, uma ladeira que terminava junto às escadas de granito que dávam para a Praça da Batalha e onde no principio estava a Adega do Quim, outras tascas e um café, que já me não lembro do nome, pegado aos “mijadoiros” no principio e debaixo do passeio da rua de Santo António.
O “tasqueiro” Quim, o simpático, proprietário da mais afamada “tasca” tripeira tinha-a sempre à cunha, onde sem conta vendia e eram bebidos “neguinhos” de tinto e iscas de bacalhau a três e cinco tostões.
Carros de mão com timão terminado em cruz onde dois “marçanos”, vestidos de batas de riscado barato, frenéticanente vergados para frente e de rosto corado lá ía puxando o veículo de duas rodas, com o eixo tranversal, ao meio do tabuleiro e para vencerem as subidas dos Clérigos, Carmelitas e Santo António puxando, enviesadamente, de uma margem à outra para chegar ao cimo destas artéria íngremes.

Ao lado esquerdo da Ruas das Carmelitas estava o Mercado do Anjo (nais tarde substituído pelo do Bom Sucesso), onde os residentes da baixa do Porto, todas se abasteciam de carne, peixe, galinhas frutas e hortalicas vindas das hortas de Ramalde, da Areosa, de Ermezinde e de Gondomar em carros puxados por bois ou cavalos.
O carvão o petróleo e a carqueja, combustíveis da época, indispensáveis, para alimentar os fogões de ferro fundido era comprados nas lojas dos carvoeiros da travessa dos Pelames nas do Bairro da Sé e nas de São Nicolau.
A Praça da Cordoaria junto à universidade com um jardim arborizado e junto ao lago, com cisnes e peixes vermelhos lá estava a Árvore da Forca que todos conheciam, mas que já não assustava ninguém ou o receio das almas que por alí andavam a penar junto ao largo toro.
No largo ao cimo da Franscisco Nery e ao lado a dos Caldeideireiros os propangadistas preparavam-se, pela manhã, começar seu novo dia.
Um caixote de madeira, pintada e colocado em cima da calçada o homem vendedor da “Banha Santa de Jiboia” ia dando voltas e reviravoltas junto a ela e berrava: “meus senhores, minhas senhoras e meus meninos a jiboia vai sair!”
Réptil que nunca aparecia e apenas, ali, um macaquito, amarrado com uma corrente; enfezado e de olhos tristonhos chamado “chiquinho” que humildemente descascava dois tostões de amendoins comprados por algum simpazitante, do primata, na mercearia da esquina e espectador que decerto iria comprar a “mezinha”, do propagandista, para que se atenuasse o reumático que lhe seguia nas “cruzes” e, mais o atormentava nas manhãs frias e de nevoeiro do Porto.
Ao lado direito e no seguimento da rua da Taipas lá estava a Cadeia da Relação, com os rostos dos presos a olharem a Cordoria através das grades e onde o “feio”, “bexigoso” e irresistível às belezas femininas do Porto da, época, Camilo de Castelo Branco e Ana Plácido foram ilustres hóspedes, por um ano e dezasseis dias, pelo facto de se terem amado e o marido da Ana, Manuel Pinheiro, mais seu pai que cônjuge e um sólido comerciante da praça não lhe agradou, mesmo em nada a infidelidade da sua bela esposa.
E caminhando em direcção à Ribeira desce-se a rua da Taipas até à Praça de São João Novo.

Rua pacata onde peixeiras trajadas de regateiras, subindo a calçada de canastras à cabeça em pregões estridentes:
“Xixarro bibinho, xirrarro bibinho! Bibinho da costa!
No passeio passa apressado e de cesta pendurada no braço, a figura mais popular da baixa tripeira vai o “Carlinhos da Sé”, chacotedo diversas vezes nas revistas do teatro de Sá da Bandeira, pela sua forma dos gestos amaricados do pobre homem, a caminho das “Casas de Tia” para os lados dos Caldeireiros mostrar a mercadoria e vender às raparigas que ali governavam a vida nas casas de “porta aberta”.
Num salto e porque a descer todos os santos ajudam ao fim da Rua de Belmonte está a Mouzinho da Silveira que cruzando esta se está na de São João e ao fundo o largo da Ribeira.
A São João dos armazenitas de mercearias e de carros de bois estacionados na berma da rua a carregarem caixas de sabão, sacos de arroz e de açucar e quintais de bacalhau miúdo e graúdo para as mercerias do Porto e arrabaldes.
A Ribeira típica e com caras conhecidas e estabelecidas nas arcada do Muro dos Bacalhoeiros com lojas de venda de secos e molhados onde se incluiam as postas de bacalhau a dessalgar na água, o polvo seco e fresco, sardinhas, caras e línguas de bacalhau salgadas, em barricas, cebolas, alhos e azeitonas em salmoura expostas em grandes alguidares de barro.
Por ali cheirava a sardinha, carapau e sável frito e a iscas de bacalhau.
Velas a ardiam no altar “das Alminhas da Ponte”, em memória, pela morte dos milhares de tripeiros que fugiam, em pânico da “sagacidade” das tropas napoleónicas; a ponta de baioneta, comandadas pelo Marechal Soult no fatítico 29 de Março de 1809 e que a Ponte das Barcas não suportou o peso das pessoas.


O “Duque”, uma presença diária do barqueiro e a figura mais conhecida da Ribeira, era o tripeiro “castiço” mais respeitado da zona ribeirinha por ser recuperador de corpos das vitímas, varrendo o fundo do rio com a fateixa, que enfastiadas do viver e, algumas, acossados pelos credores ou de raparigas, desilusionadas, por terem sido enganadas e desonradas pelos namorados se atiravam ao Douro do tabuleiro de cima da ponte de Dom Luis para por termo à vida terrena e encobrir a vergonha.
Catraiada, de rosto sujo e lambusado; descalça e calções de fundilhos rotos e que a cada instante puxavam a alça que os segurava que teimava em sair-lhe do ombro.
Despreocupadamente e foras de lei, procuravam surripiar umas castanhas dos sacos expostos nas lojas das arcadas que davam para o Barredo ou uma peça de fruta dos cestos desembarcados no ancoradoiro, plano inclinado, dos barcos vindos de Avintes ou Crestuma.
Apareceu saindo da viela; o caminho do “Barredo”, o Padre Américo, embrulhado numa capa preta e seguido por miúdos.
O fundador da Casa do Gaiato, em Paço de Sousa, era uma visita constante aquele lugar escuro e de muita miséria que por ali existia, consolando doentes com palavras e lhes ia deixando uma dávida; para que a dor lhes fosse menor..
Atracado, um batelão, junto ao paredão da margem do rio Douro homens de trouxa pelas costas, caminhando por cima de tábuas que lhes servia de passadeira transportavam cestos de vime, cogulados, de carvão para uma uma camioneta, parada na rua, cujo o combustível mineral seguia para as fábricas para alimentar as caldeiras a vapor dessas unidades fabris.
Junto ao patamar que suporta o arco da Ponte Dom Luis dois artistas (havia muitos por toda a cidade), sentados junto à prancha lá iam com o pincel fixando o que seus olhos viam no movimento fluvial do rio Douro; a capela do Senhor do Além e a encosta da serra do Pilar.
Subia-se as escadas do Codeçal, por baixo do tabuleiro superior da ponte até ao largo do Aljube.


Um polícia de bigode vindo da travessa da rua Chão, mais conhecida pela viela da Cadeia, com ele, presa, vinha uma pobre vendedeira de cesto, no braço, dentro meia dúzia de pentes, outros tantos travessões para o cabelo; uns mini sabonetes “Patti”; uns espelhos de bolso e uns atacadores para os sapatos.
Subia-se a avenida Saraiva de Carvalho e temos ao lado direito as muralhas Fernandinas e, num espaço arrelvado a estátua do Porto.
Um pouco mais acima e direcção à Praça da Batalha fica a Rua do Sol e, depois a escola comercial Oliveira Martins.
O viveiro onde se formavam guarda-livros nos cursos diurnos e nocturnos.
Que depois da graduação os alunos se empregavam em algum escritório de firma do Porto ou seguiam para o Instituto Comercial na rua de Entreparedes.
A Praça da Batalha foi o meu paradeiro por uns três anos.
Das minhas “caganças”, também, para minimizar a humilhação que dentro mim existia pelo facto de ser empregado de queijaria e não estudante.
Na quinta feira, o dia da minha folga, bem arranjado e de cabelo abrilhantado e de risca ao lado, durante o dia, caminhava pela Praça da Batalha e rua de Entreparedes com um magote de livros debaixo do braço a armar-me em estudante da escola comercial Oliveira Martins da rua do Sol.
Já espigado e com uns 18 anos era caixeiro de balcão da “Queijaria Gaspar” na Travessa do Teatro de São João nº 14. Mesmo ao lado da ginginha das “Portas de Santo Antão” e pela frente tinha a Ordem do Terço.
A Praça da Batalha tinha outras caracteristicas diferentes da Praça da Liberdade.
O local da parte de manhã era calma apenas disturbada pelos barulho do rodar dos “amarelos” 13, 14 para Santo Ovídio e Devezas e outros para Campanhã.
Depois das onze da manhã a Praça e o quarteirão orlado pela travessa de São João e rua de Cimo de Vila principiavam por ali a movimentarem-se as pessoas.
O cheiro a rojões fritos e o caldo verde dos restaurantes Marialva, do Meireles, (bigodes a quém, pelo tão farfalhalhudo o apelidaram de vassoreiro), do Louro Gordo e o proprietário da afamada casa dos presuntos, pendurados no tecto e do verdinho tinto e branco a sair, da torneira de bucho espumoso.
Por volta do meia dia surgiam as habituais figuras do quotidiano no passeio do lado do Talho da Batalha, Tabacaria Soares, Tabacaria Lacerda, confeitaria e o hotel da Batalha.
Eram os industriais de camionagem com escritórios na Alexandre Herculano, que impecávelmente, todos os dias, vestiam um fato diferente e, alguns com um cravo ao peito. Tripeiros que tinham vaidade e rigôr no vestir.
Depois do almoço partiam e, voltavam, pelas cinco da tarde para a visita às “capelinhas” da Cimo de Vila.

Uma figura típica, na Batalha, era António Barbosa, de uns 70 anos, Director da Companhia Resineira, da esquina da Santo António e Santa Catarina, que nunca dispensava um cravo vermelho na lapela do casaco.
Inimigo figadal de António de Oliveira Salazar e, que nunca se obstinha de dizer mal dele aos próprios agentes da PIDE, que andavam por ali para observavam o andamento dos oponentes ao ditador, na Batalha.
Bebia uns copos, com os esbirros na Cimo de Vila.
António Barbosa e era um homem de voz forte, generoso e “sem papas na língua” como o diria a Beatriz Costa nas criticas, mordazes, ao Governo de Salazar que as não descurava de proferir fosse no lugar que estivesse.
Que se saiba o Barbosa nunca foi chamado à PIDE da rua do Heroismo.
A Praça da Batalha como sala de visita tinha o Teatro de São João. Todos os anos, pelo inverno, havia a temporada de teatro da companhia da “Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro”.
Esta magnifica sala de espectáculos era a mais elegante do Porto quer em grandeza como no seu estilo arquitectónico. Durante a minha vivência na travessa do mesmo nome do teatro, tive sempre o privilégio de possuir o estatuto da obtenção de “borlas”, sem bilhete, para a geral no topo do teatro onde até se via o filme melhor do que da plateia ou do balcão.
A temporada do teatro, no inverno, eram os eventos que a população de alta e média classes apreciavam.
A moda mais apreciada, entre as senhoras era o caso de peles e um chapéu na cabeça. Os maridos, embora nem todos, usavam o laço no pescoço.
Era, assim o átrio do São João, antes do começo das peças de teatro, um espaço de elegante.

Durante três anos fiz parte do elenco teatral!
Fui actor/figurante em várias peças ao preço de dez escudos por sessão.
Para mim foi uma experiência emotiva ter estado no palco do São João com a fina flor, da época, dos melhores actores teatrais de Portugal. Entre os que me lembro: Palmira Bastos, Amélia e Mariana Rey Colaço (mãe e filha), Carmem Dolores, Meniche Lopes (por quém me apaixonei silenciosamnete !) Robles Monteiro, Rogério Paulo, Raúl de Carvalho, Luis Filipe, Ribeirinho (como encenador) João Perry (um miúdo na altura) e outros mais, cujos nomes se apagaram, na minha memória.
As peças exibidas no São João eram as clássicas e, onde, entre várias, foram representadas a “Terceira Palavra”, o “Prémio Nobel” e a “Inês de Portugal” e, no contexto dos actores fui inserido, claro está, como figurante.
Na peça “O Prémio Nobel” o meu papel era o de um polícia no tribunal onde seria julgado o Nobel em Medicina (Raul de Carvalho) e era acusado, pela inconsolável esposa por não lhe ter salvado o marido na operação que lhe efectuara.
Foi-me entregue a farda policial e uns sapatos pretos. O uniforme era do tipo usado no século XIX que não me assentavam, por falta de pano e cabedal, a farda no corpo e os sapatos nos pés.
Fiquei um polícia desajeitado e motivo de “chacota” entre os meus colegas e dos homens que puxavam as cordas dos cenários do palco.
Escárnio, apenas no primeiro dia, porque na outra representação já o Raúl alfaiate da rua de Cimo de Vila, que me fazia um fato por ano e lho pagava aos “soluços”, já lhe tinha dado um jeito..
Durante essa injusta “chacoteada”, passou junto, ao grupo de actores “mudos” Robles Monteiro com o seu inseparável “caquinho” num olho e ao aperceber-se do escárnio parou e de voz forte que o caracterizava disse:
“ Um figurante é um actor...... só não fala!
Respeito meus senhores pelo actor!
A rua Alexandre Herculano que parte da Batalha em direcção às Fontainhas antes de atravessar a Douque de Loulé, tinhas o Parque das Camélias onde mesmo sem flores havia um campo de “basketball” do clube Vasco da Gama que para além da prática deste desporto eram organizados torneios de box e luta livre americana onde os “tripeiros” se deliciavam a ver este género de espectáculos.
Luta que não era combinada entre os lutadores mas porrada, de criar bicho, a sério.

Que me lembre de nomes dos lutadores havia o Dom Pipas, o Barrigana (irmão do famoso Frederico Barrigana guarda redes do Porto e depois do Sagueiros) e o “Tigre de Alfara”.
Durante os torneios de “pancadaria” o parque das Camélias ficava completamente cheio. A assistência, generosa, por norma não aceitava as incorreções dentro das regras do jogo. E, para estes, pesarosos quando viam o Dom Pipas (homem baixo) a “enfardar” como um bombo de festa que saltava e levantava-se no ring como um boneco teimoso.
Depois havia o clássico Barrigana de golpes correctos e o mau e o feio do ring era o “Tigre de Alfara”.
Lutador de maus fígados e crueis instintos, dava urros no ringue e mordia a torta e a direito, sem escolher partes, o corpo do colega de luta.
O plateia chamava-lhe nomes feios e gritava: “deixa lá o rapaz ó “insurra”!”
Numa luta o “Tigre de Alfara” não gostou dos insultos e, salta do ringue para fora e, por mais incrível que pareça uma boa centena de tripeiros deitam a fugir pela túnel, de saida debaixo da “Garagem da Batalha”, em direcção à Herculano.
Mais tarde o Parque das Camélias abriu uma sala de cinema, com preços de vinte cinco tostões a geral e a três e quinhentos a plateia.
Na parte de tarde a “canalha” tripeira juntava-se à entrada para ir ver os filmes do “Bucha e Estica”, do “Tarzan” e as “cóboiadas” e as fitas do “espadachim” Errol Flyn” produzidas em Holyood.
Os filmes começam a tornar-se populares e, voltam uma droga, entre a juventude tripeira. Um dos atingidos, pelo vício, fui eu e que durante a semana estava lá caído pelo menos em duas matinés.
O desenvolvimento do filme era depois tratado em conversas de miudagem na rua e nos bairros onde viviam. A balas nunca mais terminavam nos tambores dos revolvers dos actores e o principal chamado, na giria, o “artista” que como era óbvio o bom da fita que matava índios a murro e a tiro e jamais caía do cavalo ou morria.
Quando um catraio não tinha um tostão, sequer, para a sessão, lá conseguia, dos outros as cinco corôas (uma corôa cinco tostões) para o bilhete.

Depois de atravessar a Duque de Loulé, um pouco mais abaixo e ao lado esquerdo estava o Bairro Herculano.
Nas festas Samjoaninas havia festa rija no interior do bairro durante várias noite.
Um núcleo habitado por gente, operária de média classes e onde eu confratenizava essas noites, inesqueciveis, festivas e, preso pelo “beicinho” por uma tripeirinha, engraçada, que nunca me ligou “patavina”.
Era assim mais um desaire, amoroso, dentro das minhas conquistas de Dom Juan que a maior parte das mesmas redondavam e autênticos fracassos.
Ao fundo da Herculano lá estava as Fontainhas, com a miudagem a jogar a bola de trapos a imitarem o Barrigana, o Araújo, o Carvalho, o Hernâni e outras estrelas do Futebol Clube do Porto. Do largo partia a Calçada da Corticeira até à margem do Douro.
Ao lado o bairro e na encosta, casitas onde se acomodavam centenas de pessoas.
Calçada que caminhei, sei lá quantas vezes, para ir jogar a bola para o planalto da Serra do Pilar ou, poucas vezes, tomar banho para a praia do “Borras” junto à capela do Senhor Além, ou a do Aurélio um pouco mais a montante do Douro.
A Serra do Pilar sem casas e de uma encosta onde crescia a erva e outros arbustos.
Debaixo do Mosteiro da Serra do Pilar havia a famosa, cavada no saibro, a “Cova da Onça”, o sitio onde uma mulher cega de um olho, lá ia governando a vida, fazendo amor com homens e desvirginando rapazotes com cio a sair-lhes pelos poros da pele a troco de vinte e cinco tostões..
Depois, e pela certa, doença venérea transmitida e que o anjo da guarda, o Senhor Barros da farmácia da rua do Loureiro, com uns milhões de unidades de penicilina, injectava, nas nádegas dos libertinos e assim os curava.

Fontainhas, Fontainhas do meu querido São João rapioqueiro aonde um mês antes, da noite do alho porro, dos vasos de manjericos e molhos de verde cidreira, a “tripeirada” era naquele largo que nas noite de sábado e tardes de domingo se reuniam.
Carroceis, barracas de farturas de sardinha assada e vinho “berdinho” e de rifas de panelas de alumínio e outras de quinquelharias enchiam o terreiro.
Sons do roncar da “Mula da Cooperativa” na voz do cantor Max, da ilha da Madeira, era o disco mais ouvido.
Depois lá estavam as canções melodiosas e amorosas do Tony de Matos, do Francisco José; os fados da Amália, do Fernando Farinha e do Alberto Ribeiro.
Enquanto que em todas as entradas para as ilhas a miudagem com umas imagens de barro, pintadas, do Santo António e do São João pedinchavam às pessoas: “ó tioxinho deiam-me um tostãoxinho para o São Joãoxinho”.
Junto à parede das casas do passeio, uma quermessezita decorada com ramos de árvores, com uma data de bonecos pousados na areia e um que nunca poderia ali faltar era um “Zé Povinho” a defecar em cima de um penico.
Tostões que depois contados seriam para comprar rebuçados na merceria mais acima.
Caminhando pela rua das Fontainhas, acima, chegava-se à avenida Rodrigues de Freitas e a um salto de pardal o Jardim de São Lázaro.
O jardim ao domingo era destinado ao descanso e passeio das criadas, internas, de servir, muito bem arranjadinhas e limpinhas; de aventais brancos orlados de rendas.

A “magalada”, rasa, de bivaque na cabeça a encobrir parte da “rapada” que apanhou ao assentar praça que o identificava como recruta, dos quarteis do Porto e da Serra do Pilar andavam por ali a “arrastar a asa” a essas crédulas jovens provincianas vindas do norte e do minho.
A rua Dom João IV e a dois passos a meio da rua de Santo Ildefonso. Aspirava-se na rua o cheiro do café e chicória, fresquinho, moido na altura, pelas máquinas barulhentas no interior da mercearia.
O Campo de 24 de Agosto, em forma de ferradura, com árvores, verdura e um lago, termina ali a Santo Ildefonso e começa a Rua do Bomfim que logo da entrada se avista a Igreja do mesmo nome e com o cemitério ao seu lado direito.
O campo de repouso eterno do Bonfim foi palco de um caso curioso que assisti e me juntei ao poviléu, em frente ao portão, no ano 1948, quando algo de bizarro e insólito se aventava ter acontecido na noite anterior por via de uma notícia publicado no Jornal de Notícias.
Paras os lados de Miragaia havia a conhecida sala de baile de “Monchique” e, um moço tripeiro resolveu ir, ali, passar umas horas e dar uns passos de dança.
Na sala encontrou uma moça, solitária e lindamente vestida de tecido de crepe.
Estava só.
Depois de alguma hesitação afoitou-se e convidou-a para dançar ao que a donzela aceitou.
Durante a dança o rapaz estranhava que as mãos da rapariga estivessem frias e, a qualquer palavrinha sedutora e delicada do moço , à bonita mocinha, ela não lhes respondia.
Pensou, então, o amoroso: “mãos frias coração quente e mudinha, certamente, por causa da sua timidez...”
Alta madrugada o baile fechou as portas.
Saiu o par para a rua.
Condoído o rapaz, da menina, por não ter um casaco para lhe cobrir, os crepes leves e a abrigar do nevoeiro da manhã colocou-lhe, delicadamente, a sua gabardine por cima dos ombros.
Caminharam pela rua Nova da Alfandega, subiram as ruas Mouzinho da Silveira, a 31 de Janeiro (Stº António), entraram na Praça da Batalha e seguiram a Stº Ildefonso e estão na rua do Bonfim.
O par, sempre, de mãos dadas e as da rapariga continuavam gélidas e sem balbuciar palavra.
Ao chegarem ao largo da igreja do Bonfin a rapariga dirigiu-se para o portão do cemitério, largou a mão do acompanhante; retirou a gabardine dos ombros e pisgou-se a correr para dentro do campo, sagrado, de repouso.

O tripeiro, aterrorizado, deitou a correr, batendo com os calcanhares no traseiro, pela Bonfim abaixo com os bofes a sairem-lhe pela boca.
Parou na Avenida dos Aliados e entrou na redacção do Jornal de Notícias para contar o infausto acontecimento que acabara de ter.
O Jornal de Notícias era o diário mais popular no Porto da minha infãncia, depois havia o Comércio do Porto, para os comerciantes e o Primeiro de Janeiro para as elites conservadoras e literárias.
O JN continuava a ser o dário do povo, da procura e oferta de emprego e muito desenvolvido nos casos do dia que quotidianamente se passavam. Inclusivamente o desenvolvimento dos julgamentos do Tribunal de Polícia pelo juiz, humanista, António Quintela que sentenciava os arguídos, caso por caso, conforme as condições de vida de cada um.
Normalmente acusações que recaiam sobre um vendedor de rua ou uma varina que fez banca na via pública.
Pela manhã e dado à notícia do caso do rapaz e da morta viva inflamou de curiosidade os tripeiros e, em romaria encaminham-se para o cemitério do Bonfim.
As opiniões, entre o povo, dividiam-se mas perfeitamente crédulo daquilo que tinha acontecido.
Uma velhota mexida e de pronúncia “esganiçada” caminhava entre a boa centena de pessoas em frente ao portão e ía dizendo: a campa da rapariga é pegada ao jazigo da Santinha Bernardina!

O povo vai entrando e basculha sepultura po sepulturas e nenhuma se encontrava violada.
As vizinhas da Santa Bernardina estavam intactas.
Nos meus verdes anos olhava toda aquela cena patética que de forma alguma a encaixava no meu cérebro.
A gente dentro do cemitério aventava hipóteses de credibilidade que tomavam o caso como sendo real.
Mas entre todo aquele paganismo, caricato e profano levanta-se a voz de uma “tripeira” de pelos nas ventas e em termos de discurso político, em praça pública, em altos berros: “ vocês não vêem?
Vocês são, mas é uns “morcões” e umas “morconas” o que eles pretendem é acabar com o “Baile de Monchique”!
Os tripeiros dispersam sem um sequer levantar a voz.
A romaria continuou pelo dia adiante sem a dimensão e ajuntamente que tivera naquela manhã.
O campo de jogos do Futebol Clube do Porto era o da Constituição, pelado e muito reduzido.
O primeiro encontro de futebol que assisti foi o Futebol Clube do Porto e o Leça cujas pessoas se acomodavam nas bancadas e no peão como sardinha acamada em canastra
O estádio dos Dragões, com retombante entusiasmo foi inaugurado em 28 de Maio de 1952.
Quando haviam jogos de importância e, porque o Estádio da Constituição não comportava todos os adeptos e simpatizantes passavam para o Campo do Lima, já arrelvado do Académico do Porto.
Do lado oposto do Lima havia o campo do Luso, pelado, de portões abertos para a miudagem jogar com bola de trapos ou encontros entre solteiros e casados.
No Lima com pista de atletismo e outra de cimento, adjacente, com as curvas embauladas para provas de ciclismo e de automóveis o F.C. do Porto tivera ali tardes de glórias e onde vencera o Arsenal de Londres.
A Praça do Marquês era um local bastante aprazível onde, todos os dias, havia gente idosa sentada nos bancos do jardim; à sombras das árvores e, ao domingo a habitual afluência de gente de todas as idade e, claro, também as criadas de servir namoricando com os “magalas”, como acontecia em todos, os outros, jardins do Porto.

A entrada da Bomjardim estava o Asilo do Terço, com um espaço ao ar livre, para durante o verão a “malta” ir assistir às sessões de cinema por vinte e cincos tostões onde a ementa forte eram as “coboiadas” texanas; os “espadachins” as aventuras do Tarzan com a Jenny e a macaca Cheta.
Junto às bilheteiras os catraios e os já “piçudos”, tesos, na “chulice” a pedir uma “corôa” aos que compravam bilhete para adquirir os seus.
A generosidade do tripeiro não tinha medida.
Havia, sempre, uma corôa (cinco tostões) escondida, entre o cotão do bolso das calças para oferecer ao colega, tripeiro, do lado para a sessão de cinema ou na tasca, da esquina, afagar a alma bebendo um “néguinhos” de três ou um copo de meio quartilho de sete tostões.
Fim da 1ª parte
Jose Martins/Agosto 2003
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