O Dia de S. Valentim em Banguecoque (2004)

O dia de S. Valentim é uma data efeméride e considerada o “ Dia do Amor”.

A história do dia já vem de longa data e nasce, precisamente, dentro do Império Romano. Com o correr dos séculos foi sendo adaptado  a várias formas de veneração e, sem ter perdido, como é óbvio, o tema do amor.

Passando em resume a história e segundo a lenda na antiga Roma o dia de S.Valentim era feriado e em honra de Juno esposa de Júpiter e a Deusa dos casamentos.

Outra crenças diz-nos que o Imperador Cláudio II, o Cruel, esteve envolvido em várias guerras, indesejáveis pelos romanos e, encontrou dificuldades em conseguir homens para alistar nos seus exércitos dado que estes não querem aderir para não deixarem as suas namoradas e esposas.

O imperador cruel é alérgico ao amor e está mais virado para as batalhas e proibe os casamentos em Roma. Surge, então, um padre de nome de Valentim, que secretamente, à luz de archote, pela calada da noite, celebrava casamentos. O bom  padre Valentim, pelas uniões matrimoniais, sem assento, foi espancado, no dia 14 de Fevereiro de 269, até à morte e degolada a sua cabeça, pelo carrasco do cruel imperador Cláudio II.

Mais, tarde, é dado como mártir e canonizado como santo, pelo Papa Gelasius, em 496. Entretanto a partir do dia do assassinato do padre Valentim o povo romano eleva-o padroeiro e protector dos casamentos.

O dia do amor, de Itália, passou para outros países da Europa e ganha várias formas supersticiosas e aplicadas, principalmente, pelas jovens em idade de casar ou para, também, para as infelizes, que começam a pensar que está a passar-se o tempo e no caminho de se candidatarem, no futuro, ao lugar de “tias”.

A tradição do dia de S.Valentim já está implantada, em 1700, em Inglaterra, entre as mulheres em idade de casar ou as “solteironas” (que me perdoem estas se consideram a sentença da minha frase pejorativa), espetavam, com alfinetes, cinco folhas, verdes, no travesseiro, uma no centro e quatro, uma em cada canto, para que nos sonhos encontrassem a visão do homem de suas vidas.

Em Itália assim com em Inglaterra, a mulher desejosa de se casar, antes do sol nascer, no dia de S. Valentim, por detrás das vidraça da janela espreitam os homens que caminham na rua. Elas acreditavam que o primeiro homem que fosse avistado, ou um outro com semelhante feições se casaria, com ela, dentro de um ano.

William Shakespeare, o poeta dramático inglês fez a menção do dia de S. Valentim, na obra Hamlet (1603). A mulher que incarna a Ofélia numa passagem da opera canta:

                                              

Linda  manhã!

Esta do Dia S. Valentim,

O dia chegou sorridente,

Eu sou a donzela detrás da tua janela...

Pois desejo ser o teu Valentim!

 

A tradição do dia de S. Valentim chegou, evidentemente, tarde à  Tailândia.

Voltou popular há pouco mais de uma dúzia de anos.

O dia do amor chegou e instalou-se  de pedra e cal!

No dia 14 de Fevereiro, por todo o país e mais nas grandes cidades toda a população, de todas as idade invade os mercados de flores ou as grandes superfícies para a compra de uma ramo de flores, naturais ou artificiais e nos mais diversos aspectos decorativos para depois oferecerem às namoradas/os, maridos/esposas ou a pessoas cujo dentro de sua sensibilidade penetrou a amizade ou o amor.

Para as valentinas mais afortunadas e com valentins, abastados de metal sonante essas preferem, em vez de um ramo de flores, um anel ou um colar de diamantes no dia S. Valentim.

Certas valentinas e com apetência, descomunal, para com essa pedraria afirmam: << Se eles (aqui referem-se aos namorados) lhes oferecem um carro não as impressiona tanto como se as presenteassem com uma peça de joalharia onde estivessem cravados diamantes!>>

 E.... para satisfazer o egoismo, de umas poucas, de ser só elas que devem usar  diamantes e dizem, essas valentinas, que os homens que gostam de usar essa pedraria que não são “machos” perfeitos!

O meu dia de S. Valentim principiou, como habitualmente, às seis da manhã. Tinha vários planos e obrigações a cumprir durante o dia.

Primeiramente teria que comprar um ramo de rosa vermelhas para uma valentina e entregar-lho no seu domicílio.

Iriam assim começar as minhas funcões de “delicadinho de rua” com flores, nas mãos, para uma valentina que não era minha.

Bem, tenho um amigo, técnico de informática de uma empresa multinacional que foi transferido de Banguecoque para S.Francisco, Estados Unidos, quando já andava de amores, há uns três anos, com uma valentina tailandesa.

Há já uns três anos que sou a pessoa encarregada de lhe levar, a sua casa, o ramo de flores a seu pedido.

Às oito da manhã estava a tocar a campainha da porta da Nate e, surpresa! O Udom e seu namorado estava a falar-lhe, pelo telefone, de S. Francisco.

Flores entregues e tirei uma fotografia à moça que ao chegar a casa enviei ao meu amigo pelo e-mail. Mas, juntei às flores (desinteressadamente), uma garraja de vinho do Porto “Burmester” para alegrar a dor, distante, do seu amor no outro lado do mundo.

As ruas de Banguecoque começavam a ficar entupidas de carros às nove.

O dia de S. Valentim, este ano calhou ao sábado. Mas que sorte! Assim todos poderiam, descansadamente, comprar as prendas, cujo estas recaiem nas flores e assim, tranquilamente e mais amorosamente as entregarem aos seus queridos/as.

O ano passado fui fazer uma peça para inserir no AQUIMARIA no mercado mais importante de flores de Banguecoque. Este ano para não repetir o conteúdo do artigo de 2003, programei o dia S. Valentim para reportar os 1.200 casamentos que se iriam realizar no “Centro de Joalharia do Mundo”, no centro comercial da “Cidade dos Anjos”, não muito distante do local das minhas funções na Embaixada de Portugal.

Os casamentos do dia S. Valentim, na Tailândia, desde há poucos anos têm aumentado considerávelmente. De uns cinquenta já ultrapassaram os mil e muitos (só em Banguecoque) e não tarda que atinja os vários milhares.

Casamentos que começaram a ser organizados pela esquadra de polícia de “Banguerake” e, durante a manhã do dia de S. Valentim é mobilizado um “esquadrão” de funcionários para registarem os assentos de casamento o mais breve possivel dado e, óbvio, de que os valentinos não podem perder demasiado tempo com “papelada” mas sim utilizar todo o mais, possível, tempinho para se amarem e se “bicarem” como pombinhos enamoradas.

Os valentinos, nubentes, começaram a chegar, ao edifício de trinta andares,  junto às nove e meia da manhã e, à entrada eram lhe oferecido uma rosa vermelha.

Havia valentinos de todas as idades e, alguns até com cara de avô que íam dar nó com jovens com menos de metade das suas idade!

Vá lá a gente entender estas coisas do amor...

Se isso acontecesse, num país que não revelo o nome, lá estariam as “bocas” do mundo a ssussurrar: << olha,olha o “chibo velho”; o “meia-tigela” rapioqueiro como vai armado aos “câgados”!>> Não houve críticas ou sussurradas mas sim muita simpatia, dos que viam chegar os pares, para quem o tempo voltou para trás e, uma vida longa ou curta, é excelente o velhinho voltar a mocinho.

Dentro do espaço dos casamentos, “valentianos” a azáfama era um constante. Nubentos que esperavam pela vez do registo e, havia a educação sexual com a distribuição de preservativos  e, além da distribuição, havia uma rifa, cujo prémio era um boneco, estofado a representar um preservativo. Não houve preconceitos de alguma valentina ou valentino se abster do presentinho ou tentar a sua sorte (gratuita) para obter um “bonequinho” que até era giro.

 

 

Depois de obter as fotos do evento que necessitava para decorar esta peça, dirigi-me para outro lado da cidade e fui para o “Centro Ponto”, local onde se reune a juventude banguecoquiana e, por ali havia largos milhares deles a festejar o dia do amor.

O dia de S. Valentim é um dia de grande festa!

Gostaria de me deslocar a outros pontos e ver o que por ali havia...

Impossivel!

Banguecoque é uma cidade enorme com mais de 12 milhões de pessoas.

Toda esta cidade é um mundo de poesia que inspira, nas mais diversas formas, os que têm o gosto de escrever e possui o dom de uma sensibilidade profunda.

As fotos inseridas falam por nós.

Cá estaremos para o dia de S. Valentino de 2005!

Jose Martins/2004

 


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