Tailândia

FESTA DA ÁGUA

(Songkran)

Tailândia

 

As festividades do Songkran acontecem no mês de Abril e correspondem ao Ano Novo Budista. Três dias de festa e podem considerar-se religiosas e profanas.

O príncipio do Songkran é a tradição e a  forma do povo tailandês agradecer à divindade do Lorde Buda pela graça concebida da dávida de chuvas cuja pluviosidade, fizeram abundância de arroz e frutos nas terras sob a sua protecção.

O Songkran, ou a festa em honra da água acontece no mês de Abril coincidindo no dia 13 e prolonga-se até a 16.

É também o início da estação das chuvas que se irão prolongar até ao mês de Novembro.

Milhões de tailandeses de todas as idades em exuberante acto de fé vão aos templos budistas do norte ao sul,  para colocar água na imagem do lorde Buda, nas mãos dos monges budistas; dos idosos da comunidade  e receberem as suas bençãos para que os guie no bom caminho durante o ano que começa.   

Mas depois da espiritualidade ancestral o Songkran criou diferentes contornos e a juventude levou-o à rua e atinge a profanidade que nada tem a ver com a finalidade da sua criação, tradicional, de raizes

A vida moderna o caminho (certo ou errado), da globalização dos povo dos mundo, desde há anos, tem degenerado o Songkran que tem desviado o evento dos seus princípios éticos.

Ruas que são mares gente a lançarem água umas às outras; carrinhas abertas a alta velocidade pelas estradas caminhos com a caixas lotadas de jovens; motocicletas com duas três e quatro pessoas, acavaladas em cima do frágil veículo cujo o condutor dispara o frágil veículo de duas rodas a alta velocidade, guiando a motororeta conforme a adrenalina lhe aflora à flor da pele e pratica e exibe autênticos números de malabarismo circences que fazem arripiar os que os observam do passeio.

Água que nem sempre é captada nas torneiras da companhia  mas nos muitos canais, no rio que passa ali ao lado ou nos depósitos, naturais, que receberam água das chuvas.

Não é fedorenta e não consta, nos anos anteriores, os que apanharam o banho forçado tenham sofrido mal de pele.

O Songkan deste ano, em algumas regiões, teve a “benção das nuvens” com fortes trovoadas e vultuosas descargas pluviais.

A cidade de Banguecoque aonde vivemos fica despojada de gente.

As centrais de autocarros, a estação principal dos caminhos de ferro ficam amontuadas, por ali, milhares e sabes se lá que conto se poderá estimar no número de pessoas que partem para todos os cantos da Tailândia para, normalmente, a visita anual aos seus familiares.

Banguecoque, não fugiu à regra de outras grandes urbes do globo para onde se deslocam as gentes dos meios rurais, em procura da cidade e uma vida melhor. O Songkran é a data propícia para que os deslocados visitem suas famílias nas aldeias e confraternizem, juntos, as festividades.

As modernas auto-estradas que riscam o país de norte ao sul onde em apenas uns cinquenta quilómetros e à saída de Banguecoque se paga portagem  e cujo o montante não ultrapassa os 100 bahts (cerca de dois euros), formam-se bichas de mais de vinte quilómetros de carros e autocarros que tomam o distino das quatro direcções da rosa dos ventos.

No Songkran deste ano não pretendi ficar no marasmo de minha casa, sentar-me pela fresca da manhã e junto ao sol posto na minha “Varanda do Oriente” que dali, ainda me me dá o gosto e o prazer de observar o astro Sol, da vida, levantar-se pela manhã e esconder-se no ocidente, ao fim da tarde e me deixa com um adeus até ao outro dia com raios de luz, ténues, espelhados na água do lago do parque a uma centena de metros de minha moradia.

Quis ver com o meu olhar e guardar as imagens da euforia e religiosidade do Songkran que as objectivas das minhas máquinas fotográficas  iriam captar.

Na manhã do dia 13 e o começo do Songkran saí pelas seis da manhã de casa.

Havia que fugir ao congestionamente da fila de automóveis que previa concentrarem-se à entrada de uma portagem da auto-estrada  a uns cinco quilómetros de minha casa.

Como sempre e quando saio para fora de Banguecoque o meus destino, e para não fugir à regra, são as terras baixas da Tailândia onde se situam as províncias de Aiutaá, Lopburi e Saraburi.

Em Aiutaá ainda vive o espírito da presença portuguesa no Bangue Portuguete (aldeia dos portugueses) nas escavações da Igreja de São Domingos; em Lopburi viveu uma admirável lusa/descendente Maria Pina de Guiomar que desde li a sua trágica  história de esposa e mãe  voltou a memória da nobre senhora numa minha ternura constante.

Maria de Guiomar deixou na Tailândia o “foitong”, os fios de ovos genuinamente portugueses.

Saraburi, a uns 45 quilómetros  de Lopburi, por lá não há conhecimento da presença e fixação de portugueses. Mas, sem ponta dúvida, o meu  “patrício” Fernão Mendes Pintos navegou pelo rio Pasak desde o porto de Pom Pet, em Aiutaá até às terras do nordeste da Tailândia.

O Pinto que uns lhe chamaram “charlatão e mentiroso”, outros um aventureiro e, ainda outros um pirata das águas do mar alto. Fernão Mendes Pinto e não minto ao afirmar que foi o português, quinhentista que melhor descreveu a Tailândia (antigo Reino do Sião) e, que todos os historiadores deste mundo quando escrevem algo sobre a história da Tailândia têm por obrigatoriedade de lerem os dois volumes da “Peregrinação”, claro está traduzida a Obra para a língua inglesa ou outra.

O Fernão Mendes Pinto é o português do meu orgulho e, sempre que saio de Banguecoque nunca esqueço, de meter junto à farpela que levo comigo a sua genial Obra a Peregrinação.

Os primeiros 50 quilómetros, percorridos, desde de minha casa não tive problemas de maior com o trânsito.

No encontro de três caminhos para o norte, norte/nordeste e terras do antigo império dos khmer o tráfego embatucou!

A estrada de de duas vias passou a quatro com a ocupação das bermas. A coluna de uns 20 quilómteros de comprimento movimentava-se a uns dez à hora.

Não se ouviram buzinões nem tão-pouco nomes feios saídos pela boca de alguns condutores (na Tailândia isso não se pratica) que provocam e desonram a dignidade daqueles que os ouvem e, até, o nome de suas mulheres ou pais....

Após três horas de ter saído de casa achei-me em Aiutaá.

Cem quilómetros percorridos em três horas nada mau para o começo.

Na pequena cidade nas ruas havia pouco movimento.

Junto ao hotel onde me hospedei, um grupo de umas seis raparigas, que alternam durante a noite nuns bares de “caraóque” para os japoneses que dirigem fábricas de investimentos nipónicos na província de Aiutaá antes de irem para a cama depois de uma noite a distribuirem “ali-katós” (saudação japonesa) aos clientes do país do sol nascente, junto ao passeio, retiravam tigelas de água de um largo bidom plástico e borrifavam os motociclistas que por ali passavam.

Preveni-me antes de passar junto a essas endiabradas moças trancando as portas do Vitara e subindo os vidros das janelas.

Bem é que dentro da euforia do Songkran na rua “vale tudo”, mesmo sabendo, os eufóricos, que a polícia actua e os coloca-os perante a Lei para travar os excesso, as selvajarias do “apalpanço” das partes nobres das raparigas. E, não só, alguns selvagens songkranistas utilizam bisnagas feitas de tubo PVC que introduzem um pistão colocado na ponta de  uma vara que atira jactos de água a vários metros de distância e que a pressão da água é de tal força que pode ferir ou até cegar o atingido.

Hospedei-me no “Grande Hotel de Ayuthaya” depois de discutir o preço na recepção....oportunismo claro e o aproveitamento do evento Songkran e, lá consegui por uns 1.200 bahts (24 euros) um confortável quarto com TV ligada ao satélite, um prato com rebuçados, mentolados, para refrescar a garganta ou suprimir algum ataque de tosse ou na manhã  seguinte  retirar o paladar da boca a  “papeis de música” que normalmente esta se apresenta aos que fumam ou bebem a mais uns copitos.

Depois de arrumada a “tralha” que levei comigo no quarto, preparei as duas máquinas fotográficas, digitais, a já obsoleta Sony Mavica, muito parecida, pelo peso e tamanho, como um velho tanque de guerra que só foca a dois mil e quinhentos mega pixels e a modernissima Fuji FinePix que dispara a sete mil.

Ir-se para a rua no Songkran sem máquinas de tirar retratos é o mesmo que uma noiva se casar, no registo civil, por procuração.

Durante o cortejo e onde a adrenalina exameia a atmosfera há que não cair na negligência do esquecimento de trancar a viatura.

Assim fiz.

Saía para fora só na área do interior dos templos budistas. Ali  as pessoas, com mais idade, de facto lançavam água com ternura e com a intenção baptismal e nunca com a agressividade como acontece nas ruas e praças públicas.

 Ao longo de uns cinco quilómetros da avenida principal de Aiutaá e nos leva às ruinas da velha esplendorosa capital que o foi de 1350 a 1767 e, que depois viria a ser destruída pelos peguanos (nunca conquistada) e dar lugar ao Banguecoque moderno dos dias actuais, armavam-se bancas onde em cima de mesas eram colocados pacotinhos de calcário branco que misturado na água  e esfregada na cara ficava esta igual à de um moleiro.

No dia 14, pelas sete da manhã deixei Aiutaá com destino a Lopburi que dista uns 60 quilómetros. A paisagem para os lados da estrada é bela.

Campos verdes e alguns já com a palha do arroz amarelada e o grão meio amadurecido. Casas de madeira de teca, no estilo próprio tailandês com pequenos lagos com a planta de lótus à sua frente. Ainda outras, estas nos salta à vista pertencerem a pessoa abastada que pretendem viver dentro de uma moradia no estilo tradicional de construção secular.

Junto à berma há pequenas barracas onde se vende peixe seco que é pescado nos lagos que por ali abundam. Peixe que nos faz lembrar o fiel amigo que na Tailândia não há à venda.

Exposto ao ar livre, para venda de animais e outras figuras humanas ou mitológicas confeccionados em terracota pintados com cores vivas.

Lá estão, altaneiros, uns galos avantajados que me dizem que na casa onde há galo não canta galinha!

Ditado português que se pode assimilar e bem ao humor tradicional e característico tailandês.

A cidade de Lopburi, quando ali cheguei, estava em absoluto sossego. Nada nos indicava que iria haver grande folia durante a tarde. A cidade é ampla, limpa, dispersas as casas entre frondosas árvores e pequenos jardins. Carregada de história do século XVII, o palácio do Rei Narai o Grande, com um museu que vale a pena visitar e recomenda-se a não perder. Ao lado as ruínas do palácio que foi residência do grego Constantino Falcão e marido da lusa descendente Maria Pina de Guiomar. Não vamos aqui referir a história trágica de Constantino Falcão e Maria Guiomar mas ficará para depois em outro artigo.

Ocupamos o quarto 519 por 600 bahts (12 euros) no hotel “Lopburi Inn” e com pequeno almoço. Neste hotel, nos hospedamos há mais de uma dúzia de anos e estamos ali, confortavelmente, como em nossa casa.

O proprietário o Sr. Yong Yut, grande entusiasta, protector e admirador dos macacos.

É que Lopburi, além deste nome tem outro:

A Cidade dos Macacos”!

No centro da cidade e onde existem as ruinas  Khmer andam por ali centenas de macacos, democraticamente, em liberdade.

Um quebra cabeças para os moradores do lado que tiveram de fortalecer com grades de ferro as janelas para evitar que estes larápios penetrem em suas casas e destruam aquilo que deparam pela frente.

Yong Yut mandou esculpir, em cimento, dois enormes bichos á entrada do hotel, dourados  e onde centenas de turistas que por ali passam escrevem os seus nomes e a procedência a que pertencem. Lá deixei, escrito o meu nome e vaidoso me deixou porque por lá não havia a inscrição de nenhum português

Graças à folga de uma recepcionista do Lopburi Inn tive a Kung como companhia durante os dois dias na cidade dos macacos e arredores.

Rapariga de sorriso franco, dois palmos de cara e, estagiária, durante as férias escolares, no Lopburi Inn. A abertura das aulas, depois das férias grandes é lá para 15 de Maio.

Às duas tarde saí do Lopburi Inn com a Kung e vamos à descoberta do Songkran na baixa citadina.

Um calor de fazer cair as cotovias!

O céu azul flocoso de novelos de brancos a dar a previsão de trovoada, forte, lá para o fim da tarde.

Carrinhas com a caixa lotadas de “songkranistas” rodavam a alta velocidade pela avenida principal em direcção ao centro ali se iria dar a batalha campal da água. Tranquei cuidadosamente as cinco portas do Vitara não fosse, porém, receber a surpresa de o arremesso de uma “baldada” de água para dentro da viatura.

Não me atrevi guiar por dentro da rua onde havia uma barafunda de mais molhados que secos. Jovens postados em frente do Vitara, pediam-me, para que lhes descessem o vidro da janela para me colocar, apenas o calcário, molhado, na minha face.

Eu o único “farangue” (estrangeiro na Tailândia) era mesmo para a turba composta de “malutagem” songkranista, inveterada, objecto chamada desejo.

De onde pude e um pouco distante do lugar dos jorros de água lá fui tirando fotos, mas sempre com a porta aberta para no caso de assaulto, premeditado, fugir para dentro.

A festa da água estava animada, bandas de música improvisadas, quedavam-se em cima de tablados enquanto a juventude dançavam, cantavam e bebiam desalmadamente cerveja e outros tipos de bebidas.

Do Rio Lopburi, bombas sonegavam água ao seu caudal para encher bidons em cima das carrinhas. Partia a toda a brida a malandragem, irreverente, para o campo de batalha.

Abandonei o local da “guerra da água” e guiei para outras bandas da cidade.

No caminho e junto à estátua do Rei Narai o Grande estava ali a realizar-se uma cerimónia.

Parei e dirigi-me para junto dela.

Dois noviços a monges que iriam cumprir a sua obrigação de umas três semanas num templo budista estavam ali para prestar vassalagem ao grande monarca que regeu os destinos do Reino do Sião em meados do século XVII.

Os tailandeses nunca se esqueceram dos seus Reis, dos seus herois do passado e, das suas figuras mitológicas que constantemente os veneram.

Com isto o Reino tem mantido a sua unidade, a homogeneidade e o patriotismo que igual nunca encontrei.     

Fiz fotografias e parti para o templo Sak fora das antigas muralhas de Lopburi. Nas imediações foi degolado o grego Constantino Falcão, marido de Maria de Guiomar, que sofreu a pena capital devido ter sido dado como conspirador dentro de uma cabala política onde os principais intervenientes são os franceses, que usam a sua influência na corte do Rei Narai, depois de meados do século XVII e de quando a França pretendia colonizar  o Reino do Sião

No templo Sak estavam no início da cerimónia e benzimento com água, pelo povo â imagem do Lorde Buda, monges, sentados em fila, depois da imagem de sua santidade e seguem-se as pessoas idosas da comunidade, residente, a portas com o templo.

Enquando a benção das águas seguia uma banda composta de quatro músicos dedilhavam as guitarras eléctricas cuja coluna de emitir os sons assim com o resto da aparelhagem electrónica estavam numa carreta de três rodas. Os mais jovens dançavam no terreiro do templo com alguma euforia mas muito menos do que aquela que tinhamos visto nos centros das cidades de Aiutaá e Lopburi.

O último dia, sexta-feira, do Songkran estava no fim. Há que nos despedirmos dele e foi no templo Sak. Percorremos em três dias cerca de 700 quilómetros para bem de perto observarmos a festa nacional da Tailândia, já bem nossa conhecida e com grande significado para o bom Povo tailandês. Por onde passamos encontramos os tradicionais sorrisos das gentes e a sua franca hospitalidade. Andamos numa constante correria, por estradas principais e secundárias sem que alguém nos molestasse, a não ser o querer-nos molhar. E fomos no templo Sak mas em modo de bem-vindo áquele espaço onde a cerimónia do Songkran atingia a caracterisitca religiosidade de outras eras.      

Já a chegar à cidade de Lopburi no rio gente que tomava o banho do Songkan completo emergindo os corpos na água.

No dia seguinte parti para Banguecoque e já ansioso para que chegue de pressa o Songkran de 2006.

A polícia tailandesa, assim como os serviços de assistência hospitalar foi impecável nas centenas de postos ambulates colocados nas bermas das principais rodovias tailandesas a fim de diminuir os acidentes. As vítimas este ano desceram em cerca de 400 mortes. O preço da euforia entre a juventude, durante a quadra do Songkran continua a ter custos elevados e a perda de vidas que o Governo tailandês tem procurado suster. E aconteceu este ano com sucesso!

 

As casualidades deste ano foram:

Mortes 522 – 422 masculinos e 100 femininos

Feridos 16.395

Veículos:

Motocicletas  85.33%

Carrinhas         6.73%

Taxis/triciclos   2.42%

Camiões           0.61%

Autocarros       0.42%

(Informação obtida: “Bangkok Post/The Nation” diários de Banguecoque).

 

Jose Martins/2005

 


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