FESTA
DA ÁGUA (Songkran)
Ano Novo na Tailândia
A água
na Tailândia é o símbolo da fertilidade e da abundância.
A primeira
oferta que um tailandês oferece às visitas de sua casa é um copo de água.
Nas aldeias ou
em pequenos lugarejos, do interior, à porta de todas as residências foram
colocados potes rasos, de barro, com água e cobertos com um testo e, pendurada,
uma colher feita de meia casca de um coco, seco, para dar de beber a quem passa
e tem sede.

Nas paragens
dos autocarros, construídas nas bermas de todas as estradas da monarquia existe
a mesma vasilha, com o nectar da vida, para alguém sequioso
e para no caso lhe tarde o transporte e refrescar-se da calmaria, dentro
do clima tropical e balançar o corpo da desidratação a que está sujeito
Em treze de
Abril a 15 de todos os anos, dá-se o início do Ano Novo Budista (Songkran).
Evento a que e muito bem se lhe pode dar o nome de “Festival da Água”.
Os mais de
sessenta milhões de habitantes da Tailândia, aspiram pela chegada do
“Songkran” e, dentro do programa da festa, em honra da água,
existem cerimónias religiosas, nos templos budistas e, nas ruas de todas
as cidades, vilas e aldeias do país, autênticas batalhas, aguadeiras, entre
largas centenas de milhares de tailandeses.

Nas ruas da
cidade de Banguecoque, é onde a batalha aguadeira atinge o êxtase entre as
massas ( na capital da Tailândia
vivem mais de 10 milhões de habitantes), brincando com a água, chapiscando-se
umas às outras, que poderá ser, o
arremesso, delicado de uma gotas de àgua, perfumada, uma seringadela; um quarto
de litro a capacidade de uma malga de plástico ou mesmo, sem contar, uma balde
de cinco litros ou até mais que deixa o pobre, visado: “num
pito calçudo” regado da cabeça até aos pés.
Carrinhas,
repletas de jovens e carregando de bidons de plásticos, a transbordar, disparam
em grande velocidade pelas estradas ou ruas e divertem-se nas pelejas da água.

Lamenta-se o
Governo tailandês e, tem procurado educar o povo na moderação do entusiasmo,
durante o “Songkran” para evitar os acidentes do trânsito durante os quatro
dias de folia o que tem provocado a
de perda de umas centenas largas de vidas humanas .
Este, ano,
segundo as estatisticas, oficiais, estavam dadas, como vitimas mortais, nos
primeiros três dias mais de 500 pessoas e uns milhares de feridos, onde neste número
a maior percentagem regista-se entre os jovens de 18 a 25 anos.
Mortos que não
contam para os euróficos, porque estes pensam que os acidentes são para os
outros e não para eles e as bátegas, artificiais, de água a ensopar a roupa
que a colam à pela do corpo continuam sem parar.
À mistura do
lançamento da água há, também, um pó argiloso, branco, que humedecido e
esfregado nas faces das pessoas colocam-nas como palhaços do circo.
Ninguém leva
a mal e todos recebem as “baldadas, os esguichos (que até pode ter sido
adquirida, insalubre, no canal que atravessa o bairro ou do rio Chao Praiá) ou
na torneira da companhia das águas.

Os turistas são
um alvo que os tailandeses gostam de “mimar” com uma encharcadela.
Depois da
surpreza do banho, inesperado, mistura-se com o povo e brinca, também, com a água
esguichada que parte de uma pistola/bisnaga com dois ou três litros, de
capacidade, de plástico, que compra na banca
de um vendedor, no passeio
ao lado.
Está junto ao
povo de cara branca, argilada, e para sempre lhes ficará na memória o
“Songkran” e uma agradável experiência, inesquecível durante a
passagem pela a “Terra dos Sorrisos”.
O
“Songkram” é um evento realizado desde a instituição da religião budista
na Tailândia e propagada pelos seguidores do Lorde Buda, a partir do Ceilão
(Sri Lanka), embora as raízes do budismo estejam na Índia, mas devido ao
embate e rivalidade vinda das
religiões Hindu/Muçulmana e, dada a tolerância da sua doutrina, adversa à
violência, instalou-se assim, na Taprobana, cantada pelo Luis de Camões no
Canto Primeiro dos Lusíadas e , no
Sul da Índia.

Os monges,
tradicionalemente, no início do “Songkran” retiram do templo pequenas
imagens do Lorde Buda e fora destes são preparados pequenos altares onde os
crentes, sob a inluência da sua fé
religiosa, vertem água na cabeça de suas santidades.
Rito de grande
significado religiosos e solenidade entre os habitantes das cidades e em outros
núcleos, populacionais.
Organizam-se
em procissões, colocam as imagen do Lorde Buda, em andores,
transportam-nas aos ombros ou colocadas em barcos nos canais e rios, que
na a passagem,
navegando, abencoam as terras férteis das duas margens.
Depois as
imagens recolhem aos pequenos altares, além da cerimónia do banho as pessoas,
antes, sobem às montanhas e voltam com flores, silvestres, para ofererecer a
sua santidade Lorde Buda e aos monges, do templo.

O Festival da
Água dá inicio da estação da pluviosidade
das chuvas, torrenciais que por norma se mantém de meados de Abril a Outubro.
Chuvas que são
a fonte principal de produtividade agrícola e riqueza com imensa abundância de
arroz nos campos planos e abençoados da Tailândia que coloca este país entre
os três primeiros produtores, mundial, do cereal gramíneo e cultivado em
terras baixas pantanosas.
Com o andar do
tempo, a entrada da Tailândia na era moderna; o aumento demográfico com cerca
de 30 milhões em 1976 hoje com mais de 60 milhões, crescimento populacional
que só o justifica pela fertilidade das suas terras. Com isto leva para que os
tailandeses vivam, eufóricamente, o seu Ano
Novo (Songkran) e o Festival da Água.
Milhões de
pessoas a comungarem, nos mesmo ideais durante a realização das festividades,
onde nas suas mentalidades, penetrou, a tolerância do Lorde Buda.
Sorrisos em
todos os lados, roupa molhada e colada aos corpos; faces de velhos e novos,
carroçarias de carros decorados com de argila, humedecida, branca.
Alegria
transbordante que contagia a boa gente tailandesa.
E Povo
contente e feliz de barriga cheia onde a inflação, desde há vários anos não
tem tido a oportunidade de penetrar nos produtos produzidos na Tailândia.
A
homogeneidade do povo tailandês a adoração ao seu Rei, que o guia, dentro dos
princípios do Lorde Buda e o incentiva à produtividade, à união tem feito da
Tailândia um país onde, apesar da crise económica de Julho de 1997, começa a
ser coisa do passado.
A Tailândia
continuará, como sempre, foi conhecida uma monarquia de progresso e de gente
boa.
O MEU
SONGKRAN
Igual como os
tailandeses aspiro pela festa do Songkram e, claro o Ano Novo desta gente da
religião budista.
Tenho o privilégio
de durante um ano ter dois Anos Novos, o cristão e budista e, normalmente tenho
seis ou sete dias fora das minhas funções e sem os meus chefes me colocarem a
vista em cima.
Sou livre!
Bem, não
pensem por aí os meus leitores que sou um tipo (com gostos de dar nas vistas)
que coloca os apetrechos para a prática do “surfing”; as garrafas de oxigénio
para a pesca submarina; as caixas conservadores para os produtos frescos, mais
uma quantidade de malas e cestos no tejadilho do meu “Honda Civic” e sigo
para as praias de areias brancas e finas do golfo da Tailândia e ali,
relaxar-me de “papo para o ar” armando-me
em “portuga” rico.
Prefiro,
durante os quatro dias, ficar pela cidade, dar um salto aos arredores, visitar
templos e ver como seguem as festividades do Songkran.
O primeiro dia
ainda é calmo, embora os “arruaceiros” da água estejam já a fazer os
preparativos e a organizarem-se para a batalha “aguadeira”.
Saio de casa
pela tarde e, vou visitar o meu rio “Chao Praiá”.
Não vou para
a margem, que visito todas as manhãs, junto à Embaixada de Portugal.
Fui descobrir
outra, mais a juzante e que nunca tinha visitado.
“Chao Praiá”
é o rio dos meus amores, da minha poesia e dos meus encantos onde, sempre,
existe algo a descobrir.

Optei pela
margem esquerda, do rio, e dirigi-me para um vasto espaço, debaixo da ponte,
pensil, Rei Rama IX
(S.M. Bhumibol Adulyadej) que por graça e com muito respeito o tenho
como meu monarca há 24 anos.
Ao meu lado
direito está um belissímo espaço de muitos metros quadrado, primorosamente,
ajardinado e com várias pistas, serpenteadas, de um metro de largura, para quem
pretender fazer umas “corridas” e desentorpedecer as pernas.
Crianças
despreocupadas, com a vista das mãmãs em cima, corriam e davam cambalhotas na
relva verde e macia.
Mais além
dois namorados, estendidos, à sombra de uma árvore, creio traçarem os planos
de vida futura.
Gente, morena,
dos dois sexos, meios envergonhados e pouco habituados à cidade, talvez vindos
da região do “Esarn” ( Nordeste da Tailândia e o antigo império Khmer)
caminhavam por ali e, tiravam fotografias com uma máquina modesta.
Tudo naquele
jardim estava arrumadinho e muito florido.
Não há
vandalismos nos espaços de lazer e todo o tailandês, os estimas e respeita as
sua plantas, as flores e os seus lagos.
Depois de dar
uma volta ao lugar de encanto, segui até à margem do rio da minha poesia e
sentei-me no muro e olhei toda a beleza que o Chao Praiá encerra.
Surge no meu
pensamento, que por aquele rio acima e abaixo, navegaram as naus portuguesas e
juncos, chineses, de Macau.
Gente, da
minha Pátria e de outras raças assimiladas à lusa por ali se movimentaram:
missionários, diplomatas, piratas (só tivemos conhecimento pela história do
António Faria e do Fernão Mendes Pinto) e outro povo português navegou e
lavou no rio.
Água sem
jacintos verdes a flutuar.
Rio sem navios,
barcaças, barcos de rabo comprido a navegar a alta velocidade.
Tudo estava
sereno como nunca, assim, tivesse visto o meu rio.
Barqueiros,
pilotos, descarregadores de porões de barcos, não havia no rio.
O rio numa
tarde dentro da melancolia.
O rio e da
minha poesia!
Festejava o
“Songkran” sem vida e alegria.
José
Martins
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