BAZAR DA CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL
EM
BANGUECOQUE
Portugal,
através da sua Embaixada na capital tailandesa, por tradição, desde o princípio
do século passado tem contribuído com verbas monetárias, para a Cruz Vermelha
Internacional da Tailândia. Os
eventos são promovidos pelas esposas dos Embaixadores, acreditados no Reino da
Tailâ.ndia, organizando durante o ano chás,
rifas, jogos de canasta.
Contudo,
o maior montante obtido é
proveniente da venda de produtos produzidos nos seus países (uma forma
de serem promovidos). Estes produtos são muito desejados pelos tailandeses,
sempre na procura de novos paladares. Nos pavilhões dos seus
países são expostos artigos alimentares de grande qualidade das mais
diversas variedades onde se incluem o artesanato, a joalharia, diversos
ornamentos, café, chá e a gastronomia.

Portugal,
nestes últimos doze anos, tem exposto e vendido azeite do Alentejo, orgânico e
extra; milhares de latas de sardinha em azeite e óleo vegetal; frascos de
excelentes frutos secos; mel; vinho do Porto e artesanto de cortiça para o lar.
O pavilhão de Portugal tornou-se um dos mais populares dos bazares onde
centenas de pessoas, após a abertura da feira, correm às dezenas para adquirir
as embalagens de sardinha, pescada nas águas frias do Atlântico, Procuram,
igualmente, adquirir outros produtos, conhecidos já de outros eventos
realizados em anos anteriores.

A
organização, voluntária de sentido humanitário, foi fundada em 1893, em
Banguecoque, e a sua finalidade é o de acudir às pessoas vítimas de catástrofes
ambientais, feridos de guerra ou fora delas; outras enfermidades. Todas as
ajudas atribuídas a pessoas estão inseridas sob a filosofia
da não distinção de raças, credos ou inclinações políticas.
Pouco
depois da fundação são construídos, na capital tailandesa dois hospitais com
os nomes do rei Chulalongkorn (o pai da moderna Tailândia, de hoje, e o
abolidor da escravatura) e da Raínha Sawanwattana, que através dos anos foram
sendo modernizados e hoje encontram-se apetrechados com as mais modernas
tecnologias hospitalares que os coloca entres os melhores da Europa e América..

A
primeira participação de Portugal, nos eventos de caridade da Cruz Vermelha
Internacional na “Cidade dos Anjos”, aconteceu no consulado de Luis Leopoldo
Flores que nos longínquos anos de 1916, onde ainda não se procedia à
venda de produtos portugueses, mas sim à angariação de fundos entre a comunidade portuguesa,
composta na maior parte por pessoas de etnia chinesa, que obteram no Reino do Sião,
após uma breve passagem por Macau, um documento que lhes conferia o estatuto de
protecção do consulado português, e, ainda por gente natural daquele território,
que constituia um núcleo
significativo. Estas primeiras angariações, entre a nossa comunidade, contavam
com a realização de espectáculos organizados por membros da família real
tailandesa.

A
primeiras comunicações, conhecidas e transmitidas pelo Cônsul Flores ao
Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, datam de 16 de Agosto de 1916,
e as verbas humanitárias conseguidas, em moeda siamesa e ouro, não se destinam
à Cruz Vermelha tailandesa ,mas à sua homóloga portuguesa para depois serem
canalizadas para o Príncipe de Gales, Presidente da Cruz Vermelha Europeia, com
a finalidade de amenizar e socorrer as vitímas da 1ª Guerra Mundial que
grassava, barbaramente, na Europa e onde Portugal participou com 100.000
soldadosdos quais se contabilizam: 7.222 mortos, 13,751 feridos, 12,318
desaparecidos. Um cheque emitido pelo banco Hongkong Shangai designava 76,16
libras esterilinas, avultada importância para a época, daqui se pode concluir
que no Reino do Sião (Tailândia) no príncípio do sec. XX
havia e se produzia riqueza.

Em
outro ofício dirigido a Lisboa, datado de 27 de Agosto de 1917, assinado pelo Cônsul
interino João Flores ( o Cônsul Luis Flores, já não pertencia ao número dos
vivos, havia falecido em 17 de Abril, do mesmo ano, vítima de febre tifoide)
transmitia novas doações destinadas
à Cruz Vermelha Portuguesa que totalizavam 77,04 libras esterlinas. Este
montante foi angariado através da exibição de uma comédia no “Theatro Real
Dusit Park” em Banguecoque, sendo a sua receita
distribuída pelas Sociedades da Cruz Vermelha Americana, Belga, Inglesa,
Framcesa, Italiana, Portuguesa, Japonesa, Romaica e Rússia Elesta. João Flores
mencionava que todas as bandeiras dos países, aliados à guerra contra a
Alemanha, estavam hasteadas à frente do edifício. No final da primeira comédia
foi mostrada ao público uma caricatura, enorme, pintada a óleo, representando
o Kaiser alemão amarrado com cordas grossas e coroado de soldados de todas as
nacionalidades com as espingardas apontadas para ele.

Depois
das manifestações de solidariedade em favor da Cruz Vermelha, nas primeiras
duas décadas do século passado, não demos conta mais algum evento levado a
cabo, nos arquivos da Embaixada de Portugal. A perturbação política em
Portugal, saída de uma monarquia centenária, não o permitia. O Consulado de
Portugal, na capital tailandesa, por falta de verbas, vindas de Lisboa, para a
sua subsistência, fica praticamente a viver das rendas dos armazéns, alugados
e construídos por firmas tailandesas e estrangeiras, no terreno doado pela Corôra
tailndesa em 1820, na margem do rio Chao Praiá, para construir Feitoria, doca
para a reparação e construção
de navios.

Portugal
regressa às manifestações humanitárias da Cruz Vermelha, depois de 1982 pela
mão do Embaixador Melo Gouveia que com a cooperação de empresas portuguesas (destaco
contribuição e entusiasmo do Fernando Oliveira, director de exportação para
a Ásia, a SOGRAPE Vinhos de Portugal e o Governo de Macau) que debaixo da
administração portuguesa têm, regularmente, todos os anos, estado presente
nos bazares da Cruz Vermelha.

Desde
1997 e quando a Representação do ICEP foi re-aberta, na Embaixada de Portugal,
as contribuições viriam a tomar outra dimensão com contributos de largas
dezenas de milhares de bahts. Agora, não como o século passado, os montantes são
dirigidos para a Delegação da
Cruz Vermelha Internacional Tailandesa com o patronato de Sua Majestade a Rainha
Sirikit, esposa de Sua Majestade o rei, da Tailândia, Bhumibol Adulyadej.
José Martins/Revisão de Ana Flor
01.02.03
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