
Segundo as previsões dos tecnocratas a
Tailândia dentro do espaço de menos de uma década será um país de economia
estabelizada, moderno dentro do contexto das nações do grupo ASEAN. Podemos e
porque vivemos neste país há duas dezenas de anos e
vimos nascer a grande cidade de Banguecoque e consequentemente o
desenvolvimento das províncias e seus meios rurais, não nos deixa qualquer dúvida,
pelo observado, que a Tailândia
caminha, a passos largos, para se colocar no conjunto dos países, mundiais, de
economias sólidas.

Quando em 1978 aterrei, pela primeira vez,
no aeroporto de Dom Muanga e, tomei um táxi para me hospedar num hotel na baixa
de Banguecoque, a estrada que me
levaria à capital era bastante modesta, alguns troços de dois sentidos e para
depois das bermas estavam as hortas domésticas e
arrozais. A cidade começava, praticamente, a uma meia dúzia de quilómetros,
antes, do centro com edifícios de
pouco mais de quatro andares e, nos rés-do-chão pequenas lojas, típicas, de
mercearias, de ferragens e seus
afins para abastecer as necessidade locais de pequenas construções, mais ou
menos domésticas. Não vi a construção de grandes imóveis e, uma meia dúzia
de hoteis de três e cinco estrelas, para satisfazer as necessidades do
alojamento de turistas de homens de negócios e em destaque o ainda, hoje, imponente Dusit Thani Hotel, junto à Silom
Road. Na Sukhumvit Road, o Grace Hotel e o Náná. Existiam, nas travessas umas
duas dezenas de “guest houses” (pensões) e outros tantos bares abertos
durante a guerra do Vietname, frequentados por soldados americanos e ali se
entretinham a beber uns copos de cerveja “Shinga, na companhia de raparigas,
vindas da região do Esarn (Nordeste da Tailândia) e recompondo-se do
“stress” do cansaço da violência de uma guerra, catastrófica, que viria a
humilhar os americanos com a vitória dos comunistas (vietcongs) em 30 de Abril
de 1975.

A Sukhumvit, depois de ter sido ponto de afluência dos
combatentes americanos, não tardou a ser um ponto de passagem, obrigatório, de
largas centenas dos “oil man” (homen que trabalha na exploração e pesquisa
do petróleo), vindos dos países árabes que durante uns dez anos animaram e
deram vida aos bares da rua mais famosa de Banguecoque; bares da Rua da Silom,
onde nas imediações está, para uns, as infamosas e outros as deliciosas,
travessas do “Paptong” e, actualmente frequentado pela
“rufiagem”,estrangeira e local,
gente de princípios e para aqueles que por pouco dinheiro compram malas
de roupa e artesanato por preços irrisórios.
O desenvolvimento do turismo ainda era um
sonho na Tailândia e a frota aérea da da linha Nacional tailandesa, embora já
com aviões, modernos, ainda operava com aviões “DC8 Super” e comandados,
em parte, por técnicos de vôo estrangeiros.

A circulação automóvel, em Banguecoque e
províncias era modestissima, os táxis, os já antiquados “Blue Birds” (pássaro
azul) japoneses e o transporte, mais popular, era o “Tuk Tuk”
ruidoso, locomovido pela adaptação de um motor de rega, montado num “chassi”,
artesanal, que seria depois um veículo de três rodas que ficará para sempre
na história, rodoviária, da Tailândia. Os autocarros de transporte citadinos,
eram, também, fruto da imaginação, dos construtores que de chassis de camiões,
de transporte de mercadorias, sairam autocarros, para locomover dentro do dia a
dia dos banguecoquianos pelo preço, um bilhete, de três bahts (15.00 escudos)
cujo passageiro tanto poderia viajar um ou dois quilómetros como quarenta, até
aos arrabaldes da “Cidade dos Anjos”. Hoje, por todo país, circulam automóveis
de grande luxo e de quando do “boom” económico ( considerada crise de crescimento), a
Tailândia, depois do Japão era o segundo melhor cliente da Mercedes, alemã,
na Ásia.

A Tailândia começa a dar sinais de
crescimento, por volta de 1986 e desde essa data até 1997 não parou de o
aumentar. Erguem-se centenas de grandes imóveis, por toda a cidade de
Banguecoque, alongam-se até às zonas balneárias, onde se destacam Pattaya,
Hun Hin e Pukhet. Desenvolvimento que faz com que as ruas e avenidas de
Banguecoque voltem numa aventura, quotidiana, para os automobilistas e para os
utentes dos transportes públicos dentro da chegada ao serviço e regresso as
suas casas, que dispendiam horas e horas dentro dos veículos.
A cidade tem um trafego rodoviário num
caos absoluto. Não existem “buzinões” por parte dos condutores de veículos
e, todos aceitam com abnegação, as demoras de (em muitos itinerários) cinco e
mais horas, encerrados, dentro do automóvel ou autocarro. Para alguns o aspecto
caótico citadino voltava em humor e, são colocadas à venda, nas bombas de
abastecimento de combustível, recepcientes plásticos,
adaptados, para as senhoras e homens fazerem o seus “xixizinhos”
dentro do automóvel, nas horas mais dramáticas do congestionamento. Foi dado o
nome ao “peniquinho dos
aflitos: “conforto”.

A
“Sathorn Road”, no coração da cidade, ainda a conhecemos com um canal, no
centro, casas construídas de madeira de Teca, hoje já é considerada a “Manhatan”,
de Nova Yorque, da capital tailandesa, torres de vidro, de dezenas de andares são
já o símbolo do progresso da grande, moderna e cosmopolita cidade asiática.
Mas depois desta elegante artéria vamos encontrar, mais ao Norte outras
semelhantes à Sathorn onde destacamos a Rachadapisec Road,
a uns 10 quilómetros da baixa, onde ali há poucos anos existia o pântano
e capim e hoje é uma das principais artérias de Banguecoque, com hoteis de
cinco estrelas, grandes e de luxo “shoppings centers” e, estabelecimentos de
laser, casas de massagens para o relaxamento dos turistas.
A
CRISE ECONÓMICA DE 1997
A crise económica da Ásia aconteceu em
princípios de Julho de 1997. A imprensa mundial dá-lhe o realce da melhor
conveniência que se lhes ajuste, às pretensões da divulgação e nos termos
que a Ásia estava à beira da “banca rota” . A Tailândia foi a mais
sacrificada pelos “media” que divulga ao mundo que a Ásia está
“falida” e a propagação dessas notícias
atinge e se refletem sobre a Tailândia.

O tailandês, após a “crise”,
compenetra-se nos tempos dificeis que se avizinham, e começa desde logo a
suprimir os seus gastos. Nos primeiros meses, deixa o seu automóvel na garagem,
faz-se transportar nos transporte públicos e, muitos profissionais e técnicos
da área financeira (foram encerradas pelo Governo 57 companhias do ramo) e os
que perderam os seus postos de trabalho, estabeleceram-se, nos passeios das ruas
a confeccionar comida e doces e pouco depois, muitos, formaram empresas de
distribuição ao domicilio de refeições e, no presente já empresários, de
sucesso, no ramo da alimentação na Tailãndia. A frágil situação económica
fez regressar, muitos milhares de pessoas, desempregadas, ás suas origens e
desenvolveram os meios rurais.
A Tailândia é um pais farto de comida e o
tailandês poderá preocupar-se por outras coisas dentro do seu viver (por
exemplo possuir um automóvel de luxo e uma moradia)
mas nunca pelo facto de não
encontrar um prato de arroz para aconchegar o estômago, se dele vier a
necessitar. A generosidade do tailandesa e a homogeneidade dentro da etnia, tai,
não permite que o seu irmão tenha necessidades de alimentação.

São passados mais de cinco anos, depois da
rutura económica tailandesa e o desenvolvimento da Tailândia não pára de
crescer. As grandes superfícies cheias aos fins de semana, automóveis novos,
às centenas, todos os dias, são postos a circular, enormes complexos fabris
laboram as 24 horas do ponteiro do relógio. Elas estão localizadas por todo o
pais.
Depois de 1997 nunca a inflação teve
significado, importante, no país e a gazolina ainda custa, hoje, se o escudos
ainda existisse a sem chumbo, cerca de uns 80 o
litro.
E, ofereceu 5 mil toneladas de arroz, à
Indonésia logo após da notícia da queda económica, em 1997.
O ano passado a abundância de fruta, foi tão
significativa que o Governo,
disponibilizou aviões, militares, C130, para
o transporte de Rambutana, que ofereceu a países vizinhos onde entre alguns se
destaca o Bangladesh.
José Martins
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