
A Tailândia, durante todo o ano, é um país repleto de festivais.
O tailandês segue, especificamente, os rituais que remontam das suas raizes culturais.
O “Loi Cratongue” é uma homenagem aos benefícios da água que corre nos rios e nos, sem número, de canais da Tailândia que rega e produz a fertilização das terras, abençoadas, do “País dos Sorrisos”.






Outro festival, em louvor da água, é o “Songue Crane” cujo este acontece durante o princípio da estação das chuvas www.aquimaria.com/html/aboutth.html e onde, nos templos budistas decorrem as cerimónias religiosas com o devotos a lançar água, com pétalas de flores, nas mãos da imagem do Lorde Buda e nas dos monges.
Depois dos rituais nos templos a população, vem para as ruas, fica eufórica, molhando e ser molhada com todo o tipo de borrifadelas de água.




É, assim, a água considerada como uma fonte da vida das gentes siamesas.
A festa do “Loi Cratongue” é móvel e, esta acontece durante o mês de Novembro e de quando, da fase do nascer da Lua Cheia que anuncia o fim da estação das chuvas e o início do tempo ameno que se estende por seis meses.



Dentro dos desígnios tradicionais e da fé budista os tailandeses colocam a flutuar o “Loi Cratong” nos cursos de água que levará para distante a má sorte e os desaires que o correr do ano lhes pode trazer.
O “Loi Cratongue” é um acontecimento nacional!.
Foi há dois mil e quinhentos anos que Lorde Buda pregou o seu primeiro sermão, perante, os seus cinco discipulos e foi, precisamente, na noite de Lua Cheia.
Nos milhares de templos budistas sitiados na Tailândia ( a cidade de Banguecoque tem mais de mil construidos) são levadas a acabo procissões, com os tailandeses/as trajando, a rigor, no estilo dos tempos ancestrais.



O “Loi Cratongue” atinge, grande solenidade, nas ruinas de Sukhotai (a 500 quilómetros ao Norte de Banguecoque) onde em 1205 o povo tai, deixou o seu estado de nómado e se identificou como nação.
Mais tarde, em 1350, a capital é transferida para Aiutaá (a 100 quilómetros ao Norte de Banguecoque), onde ali se instalou uma comunidade luso-tailandesa que atingiria, em 1767 cerca de 3000 almas.
Em Sukhothai os “Loi Cratongues” flutuam dentro da maior religiosidade, em louvor ao Lorde Buda e do Rei Ramkamheng, considerado o monarca, no correr do tempo e das várias gerações um exímio guerreiro e lhe conferira o título de “Grande”.
Entre flores de lótus flutuam “Loi Cratongues”, entre os lagos das ruínas, com velas acesas, que transmitem ao lugar o cintilante de um romantismo, invulgar, com reflexos das luzes, na água que junta, a estes, a face da Lua Cheia que do céu estrelado reflete além do luar, dourado, as caracteristas da sua face, humana, nas águas, límpidas e paradas dos lagos sagrados do Povo Thai, em Sukhothai.
Este ano projectei, depois de 25 anos já passados na Tailãndia, viver todos os momentos do dia e da noite da festa do “Loi Cratongue”.



Não me limitei, apenas, ir ao templo a pouco mais de um quilómetro de minha casa, de 14 anos e sentar-me no paredão da margem do canal; observando a religiosidade de casais, acompanhados de seus filhos, noivos e outras pessoas, sós, de várias idades, segurando, carinhosamente, nas suas mãos os “Loi Cratongues” e antes que estes flutuem na bonança da corrente se ajoelham, os levantam até junto das cabeças e depois de uma uma prece curta o colocam na corrente e ficam, por ali, a olhá-lo, com sentimentos impressionantes, até que o percam de vista a luz de uma vela, acesa, que foi colocada no centro.
Na sexta feira, dia 7 de Novembro, os jornais matutinos de Banguecoque informavam que várias ruas da cidade iriam ser encerradas, depois da uma da tarde do dia 8, as artérias onde a incidência do público, para a celebração do festiva,l iria ter mais significado. As visadas são as circundam a área do Grande Palácio e as margens do Chao Praiá, ali a dois passos, não teriam acesso à circulação automóvel e consequentemente ao seu estacionamneto.



Era claro e saber-se que nas redondesas iria ser o espaço de muitos milhares de pessoas; um sem número de bancas de venda de “Loi Cratongues”. Nas páginas do “Bangkok Post” e do “The Nation” inseria a recomendação aos banguecoquianos: “deixem os vossos carros na garacem e caminhem a pé”.
Saltei da cama às seis da manhã (depois do amanhecer e ao som do chilreio dos pássaros, meus vizinhos (que dormem, durante a noite, empoleirados, nos coqueiros que se erguem junto a minha casa), caminhando, a esfregar os olhos, direito à minha varanda para olhar o nascer do sol. O tempo estava ameno e o sol nascia, igual a uma bola de fogo, que preguiçosamente, subia, o vermelhão do céu, por entre os enormes, em altura, os arranha-céus de Banguecoque, moderno, a uns 15 quilómetros de minha casa.
Depois de escolher o local onde iria iniciar o meu dia do “Loi Catrongue” optei pelo Jardim Zoológio que fica para os lados do Norte da “Cidade dos Anjos” e junto à Grande Praça onde as cerimónias reais são levadas efeito. Bem, pensei: pela amanhã ainda poderei circular pelo sitio. Depois da uma tarde, era facto impossível, dado que Suas Majestade o Rei e a Rainha, Príncipes Herdeiro e as Princesas Reias ali estariam para a celebração da cerimónia do “Loi Cratongue”.
As ruas por onde circulei, apesar de ser sábado, começam a ficar lotadas de carros. Furo por todos os espaços, disponíveis, ouvindo algumas businadelas para me chamar à atenção e moderar o meu egoismo, inapropriado, na manhã do “Loi Cratongue”.



Notícia a tanto que obrigas!
Guiei o carro, meio confuso, pelo espaço da entrada que dá para o “Zoo Dusit”. O porteiro faz-me alta e manda-me sair e indica-me a bilheteira. Pela importãncia que bem se pode considerar “bagatela” deu-me o privilégio de penetrar num jardim, mais apropriado para crianças do que velhos como eu. Dentro desse local verdejante e de magia me senti, também criança.
Depois de estacionar o Honda, o meu companheiro e o apoio das minhas pernas, no meu dia, caminhei de máquina fotográfica, pendurada ao ombro, em procura de executar bons “bonecos”.
Um pouco, depois, do meu caminhar, sentei-me na margem do grande lago cujo o jardim central, as margens já estavam decoradas com um enorme “Loi Cratongue”. As folhas, artificiais, espelhavam, na água do lado. Gaivotas/barcos navegavam, com namorados, pais e crianças em todas as direcções dentro da serenidade da tona da água.



O meu objectivo não era, porém, fotografar os animais selvagens que por lá abundam ou as tartarugas gigantes ou as cobras: Anaconda, a Rainha, a Dourada tailandesa, a Piton e jiboia de vários metros. Animais rastejantes que o tailandês respeita, em especial e como símbolo a “King Cobra” ( Cobra Rei) que foi inserida na “mitologia” siamesa.
O meu desejo era o de dar a conhecer como se produz um “Loi Cratongue” e o material, vegetativo com que é decorado.
Debaixo de frondosas árvores e espaços arrelvados, havia gente de todas as idades a decorar os “Loi Cratongues”.
Montes de rodelas, e folhas verdes, cortados da planta bananeira. Junto á matéria prima, indispensável ao fabrico, variedades de flores, onde a maior porção eram pétalas de orquídia de várias cores, ainda, orvalhadas.
O “Loi Cratongue” continua a ser produzido de matéria natural e verdejante. Houveram várias tentativas, há anos, de distorceder, a originalidade, do objecto com materiais, modernos, onde se incluia o plástico PVC e o designado esferovite. Intruções, governamentais, levou e devido a este material ser de difícil deterioração no leito dos rios e margens e, com isto a infalível poluição, fez com que o povo os tenha abandonado e voltar às raizes, artesanais, produtivas.



Bem, material recolhido, à que voltar a casa, verificar as fotos e preparar-me para a noite de festa.
Às seis horas da tarde, quando saí de casa, a penumbra estava a dar lugar ao escurecer. A lua cheia já ia alta e as ruas, já meias congestionadas de carros em direcção às margens do Chao Praiá. O meu destino era o da “Rua da Minha Poesia” (Captain Bush Lane) e, onde está, desde 1820, Embaixada de Portugal em Banguecoque (embora com nomes diferentes: Feitoria, Consulado, e Legação e depois Embaixada).
Rua da minha vida, o meu espaço de uns 20 anos. Junto a esta poética, rua, dentro do meu sentido de a analisar e se queda a pouco a metros uma margem do meu rio.
Um rio, muito meu!



Propriedade sem título ou concessão, sem barcos que tenha para nele navegarem ou tampouco nadar.
O Chao Praiá um rio cheio de vida!
É épico porque nele navegaram os portugueses, já perto de fazer os 500 anos e os primeiros ocidentais a conhecerem o Reino do Sião. Por issso e também pela buliço e o enigmático que o rio tem, ele, continua a ser muito meu e (na forma como dele gosto) e de mais ninguém.
No longamento da “Rua da Minha Poesia”, a pouco mais de uns 200 metros, da Embaixada, está a Praça do Rio da Cidade (River City). Todos os dias, sem faltar nenhum, a minha obrigatoridade, antes do começo das minhas funções, é o de a visitar. Naquela praça passam todos os dias, milhares de pessoas que vêm da outra banda do rio (Tomburi) e trabalhar na cidade.
Havia ali um café onde eu, por anos, sentado a uma mesa, bebericando um café acompanhado de um bolo, li-a os jornais da manhã. Fiz, ali amizades, com um negociante de pedras preciosas, israelita, um fotógrafo, profissional, canadiano e uma adolescente ambiciosa, tailandesa, de nome Plá (peixe na língua tailandesa), estudante, então, na Universidade da Câmara do Comércio Tailandesa.
Depois o café e devido à escalada galopante no modernismo, foi ocupado pelo sintétiquismo das comidas rápidas, por uma firma francesa, que o designa por um nome que me diz ser muito parecido ao expansionista, moderno, napoleónica “Delifrance”.
Os meus amigos, abandonaram as delicadezas francesas e eu, também e fiquei por ali, um quarto de hora, todas as manhãs, a ver o pessoal passar.

Na Praça do Rio da Cidade, na noite do “Loi Cratongue”, encontrava-se à pinha. Bancas de venda de “Loi Cratongues”, pessoas que caminham, aos magotes, em direcção ao rio e um grande palco, erguido na praças, onde quem sabia cantar canções alusivas à festa, podia subir ao estrado.
Fui furando por ali e mais além para me chegar ao batelão e passar para o outro lado do rio. No ancoradoiro, havia, grupos de pessooas a entregaram os “Loi Catrongues” a um rapáz, enfiado na água, para que os colocasse a flutuar no rio.
Mas debaixo do pontão e mesmo ali à beira um “malandro” de um rapazote que logo os pilhava e recolhia e os colocando-os numa caixa que depois um outro “pilha” os levava até até ao muro, da margem, e voltarem, depois, a serem vendidos nas bancas.
Tudo à frente dos meus olhos fui fotografando e recolher em imagens, as expressões das pessoas de “Loi Cratongues” nas mãos.
No meio da daquela multidão ouvi uma voz: José, José, José!
Olhei para todos os lados e não conseguia perceber de onde a voz, gritando a meio termo, o meu nome teria vindo....
Sentadas no batelão estavam já, acomodads, duas raparigas e uma levantada.
Fixei os olhos na rapariga levantada e ela diz: “Hey you are not the José”? (Tu não és o José? (À minha frente estava a Plá com duas suas sobrinhas, me disse depois).
Do ancoradouro (já prestes a navegar para a outra banda), saltei para o batelão e dei à Plá um enorme abraço de amizade.
A Plá, hoje com 29 anos, mais bonita do que quando a conheci é uma jovem de sucesso e dirige a sua companhia própria, no centro comercial de Banguecoque.
Convidou-me para jantar com o grupo no restaurante mais fino da margem do Chao Praiá........ e que pela primeira vez ( que vergonha!) uma mulher, pagou-me uma refeição.
Quando perguntei pela conta à empregada, de mesa, disse-me: está paga!
É assim a magia desta Tailândia e o deslumbrante: “ O Meu Dia e a Noite do Loi Cratongue”
José Martins
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