Loi Cratongue
De 2004
Mais um Loi Cratongue se passa na roda, do tempo, da minha permanência na Tailândia.

Evento, anual, importante que se junta ao Songuecrane (celebração do Ano Novo Budista) e, também ao dia de São Valentim. Datas,para mim, com significado especial e, porisso não falto a nenhuma.
O Loi Cratongue e o dia de São Valentim, dias considerados, às flores naturais, embora na Tailândia haja estabelecidas um vasto número de fábricas que as produzem, igualzinhas, as artificiais, nestas celebrações, não entra uma que seja da matéria prima e proveniente do produto extraído das ramas do ouro negro.

O Songuecrane, levado a efeito, em meados do mês de Abril de cada ano e a continuação anual de graças e glorificação da água como a fonte da vida.

Durante os três dias da festa da água o Povo tailandês entra, por todo o país, em euforia com o arremesso de água de uns para os outros.
O dia de São Valentim, uma celebração importada do ocidente chegou; firmou-se e ficou em termos mágicos como o dia da ternura e do amor. E, segundo o inserido nos jornais, os namorados nas proximidades de casar ou ainda dentro do espaço que não sabem quando o dia chegará, enrolam os seus corpos, no Dia de São Valentim, e fazem amor pela primeira vez.

Anos anteriores tenho-me deslocado, de manhã muito cedinho a vários mercados de Banguecoque e apreciar a arte e o carinho com que esta gente, de todas as idades, emprega na preparação dos Lois Cratongues. A arte e vaidade também está presente na preparação destes objectos que a partir do escurecer vão ser lançados ao Rio Chao Praiá nos vários percurso do grande curso de água.
Rio que não me enfado de o designar o “Meu Rio e o da Minha Poesia”.

Todos os dias eu e o meu rio nos saudamos com um bom dia. Esta saudação matinal acontece há mais de 20 anos. Conheci o Chao Praiá quando ainda as margens, dos dois lados, não se encontrava poluídas com hoteis, edifícios de 30 e mais andares a desafiarem as leis da natureza penetrando nas alturas.
O Rio tinha mais encanto quando nele naveguei numa embarcação accionada por um motor “tuque-tuque” e vagarosamente penetrou nos canais do lado de lá da margem de Banguecoque porque ali está outra metade da capital tailandesa e chamada Tomburi.
A configuração das margens do Chao Praiá e mesmo a largura do rio pouco se tinham modificado desde a altura que os portugueses o navegaram, a partir de 1512, em direcção ao norte e, aportarem no “Porto Internacional de Pom Pete” na velha capital Aiutaá (caída princípios de Abril de 1767 à forças militares do Pegú (Birmânia/Myanmar).

Igual como quando O Rei Rama II doou à Rainha D.Maria I, de Portugal, uma parcela de terreno, cujo esta foi oficializado em 1820, para que nela viesse a ser construída Feitoria, doca para construir barcos e residência para, habitar, os cônsules.
Na próximidade dos 200 anos, no espaço, continua a funcionar os serviços da Chancelaria da Missão Diplomática portuguesa e um palacete, residência de Embaixadores (peça, única em todos território nacional um raro espólio da arquitectura colonial portuguesa e conhecida, na Tailândia, por sino/portuguesa).

O elegante palacete, de traço harmonioso mas arrojada a frontaria, pode ser observado do rio Chao Praiá, onde no topo do edifício vamos encontrar as insignías da Monarquia Portuguesa.
Perdoem-me, se sou “chato” pelo facto de sair do tema do Loi Cratongue e, descarrilar fora da via tomada no início. Talvez o leitor (que respeito e peço me tolere o mau-modo, cáustico, que não se afasta de mim), a péssima coordenação ortográfica da prosa; um dia venha ao país dos sorriso e, o propósito desta chatice, é ilucidá-lo, preliminarmente, que por esta terra passaram e permaneceram os portugueses (nunca no sistema colonial) e, são, assim os primeiros ocidentais a encetarem relações de amizade, comércio e navegação em 1516.

Entretanto os homens lusos começam a formar comunidade lusa/tailandesa a partir de 1512 , em Aiutaá, a segunda capital do Reino do Sião que em 1782 viria dar lugar a terceira e a cidade moderna de Banguecoque de mais de 12 milhões de habitantes.
História do Loi Cratongue
O festival, como o dia de São Valentim, é dedicado aos amores da juventude. Passam o dia juntos, ternos, amorosos e a partir do escurecer cada um transporta, em direcção ao rio, riacho ou canal, nas mãos, em termos de religiosidade o Cratongue composto de uma rodela cortada do tronco, macio de planta de bananeira, ornamentado com flores e, espetados vários “pauzinhos” de incenso e uma ou mais velas de cera.

Antes que o Cratongue seja colocado a flutuar na corrente, de joelhos, rezam preces para que a boa sorte e fortuna os acompanhe pela vida adiante. Cidades, vilas ou lugarejos nos mais diversos confins da Tailândia a noite do Loi Cratongue é acontecimento muito especial. Pelos caminhos direccionados aos cursos de água magotes de gente caminham com os seus Cratongues.

Outra e porque não teve tempo de os confeccionar, prefere comprá-los nas bancas de venda na margem, onde grupos de pessoas de todas as idades os preparam e vendem a um preço irrisório. Os com mais arte, decorativa, poderão atingir pouco mais ou menos uns 200 bahts (4 euros).
Com a noite de alegria, grupos dançam e cantam ao som de tambores. A noite do Loi Cratongue é móvel e tem lugar na fase da lua cheia no mês de Novembro, que marca o fim da estação das chuvas e, estas, por norma chegam no mês de Abril por altura do Songuecrane.
O Cerimonial do Loi Cratongue é remota e acontece no período de Sukhutai (a primeira capital dos tailandeseses e alí nas terras planas entre os contrafortes das montanhas se estabelecem e identificam como povo nação) de 1238-1438.

Segundo, a lenda a senhora, nobre, Sukhomade confeccionou um Cratongue de flores de Lótus e ofereceu-o ao Rei de Sukhutai para a celebração do nascer da lua cheia e com festivades de três dias. O Rei impressionado com o esquisito presente que recebera da senhora Sukhomade, ordenou aos seus súbditos que nos festivais seguintes lhe fosse seguido o exemplo. A tradição manteve-se desde, esses, longínquos anos e, manter-se-à para sempre nas futuras gerações tailandesas.
O Loi Cratongue das gentes tailandesas passa célere aos turistas estrangeiros que visitam a Tailândia, aceitam-no, lotam os hoteis em locais onde o cerimonial tem mais significado e vemos casais de várias nacionalidades a comprar, nas bancas de venda, junto ao rio os Cratongues; com a mesma devoção, acendem os “pauzinhos” de incenso, as velas e os colocam a flutuar no rio.

Milhares, mas muitos, de pessoas, de várias etnias e credos, caminham pela minha rua ao rio da minha poesia.
Na passagem distribuem sorrisos sem saberem para quem e de onde estes vêm.
Bancas, na borda da rua com Cratongues, com os vendedores a fazer bom negócio e um pouco mais além, sentados no chão, confeccionadores de todas as idades não têm mãos a medir.
No meio de tamanha multidão a transitar na minha rua, ninguém segue receoso do encontro de um “mãozinhas leves” ou do surripiar, pelo método do esticão, a carteira, por algum ladrão de rua.
No hotel Royal Orchid Sheraton, cheio de turistas, a portas com a Embaixada de Portugal no salão de entrada houve um concurso de Cratongues.




No primeiro andar com uma vista de assombro para o rio, na Sala Tai um casamento de nubentos estrangeiros, aproveitando a festa do Cratongue deram o nó nupcional ao som de tambores e flautas (siamesas). Jovens tailandesas belas e frescas, com trajos tradicionais e coroadas de metais amarelos e reluzentes dançaram a dança dos dedos e distribuiram pelos presentes os sorrisos mágicos que bem caracterizam a Tailândia com o nome: “País dos Sorrisos”.
Movimentei-me de banda para banda com a inseparável máquina fotográfica, que fez de mim um “maníaco” e, atabalhoado que sempre tenho sido para captar a melhor expressão humana do acontecimento não consegui aquela que desejava.
Em fim as novas tecnologias digitais que para este ou outro “boneco” tenho que está a programar o estranho e complicado objecto que não me dá a oportunidade da captação da “imagem da minha vida”.
No Loi Cratongue deste ano tive em Banguecoque um amigo meu de 18 anos o António Pedroso Lima. Em Maio deste ano o Lima reformou-se de Director de Exportação, do Grupo Sonae, dedicando-se no momento a “trading” de produtos de suas representações da China e Brasil. E ouro sobre azul!
O meu amigo passou, em Banguecoque, precisamente na quadra da realização do Loi Cratong.

Correu o mundo de lés a lés e, todos os anos, por duas vezes passava por Banguecoque. O meu amigo Lima, um jovem de 65 anos que teima vencer o correr dos anos ou a lei da velhice guia-se: “o vinho do Porto quanto mais velho melhor” e, divertiu-se durante o festival do Loi Cratongue e, duas jovens, esbeltas, tailandesas, que para o rio seguiam com os seus Cratongues ao cruzarem-se com ele fizeram questão que as acompanhasse e os três colocassem os Cratongues a flutuar no rio Chao Praiá.

Meia noite centenas de pessoas ainda se mantinham na bicha, nos vários locais de acesso ao rio aguardar que a sua vês lhe chegasse. Aproximei-me da margem olhei a corrente do rio onde espelhavam o clarão das luzes dos barcos feéricamente iluminados das duas margens. Cratongues que seguiam flutuando em direcção á foz do rio e entrarem no águas do Golfo da Tailândia.

Rapazolas, em cima de câmaras de ar de pneus de camião nadavam, remavam com as mãos, velozmente, em direcção aos Cratongues que os recolhiam no mansidão do flutuar da corrente da maré vasia e um barco de a motor de cauda comprida os recolhia.

De imediato, o barqueiro, zarpava com meia carga no lastro tomava o rumo da margem onde outros rapazolas, já prontos com cestos de vime que guindavam do barco puxados por cordas e, voltavam novamente os Cratongues, para as bancas e nestas ser vendidos.
Ás duas manhã o movimento ainda era intenso por ali. Partimos, nessa hora para casa . No meu caminho um cego dedilhava uma guitarra eléctrica adaptada numa metralhadora ligeira. Deitei num cesto plástico uma esmola.
Meditei e apeteceu-me gritar: ouvi-me senhores da guerra, fazei das armas instrumentos musicais para que haja paz na terra!

Até para o ano festa do Loi Cratongue, a noite de alegria, na “Minha Rua e no Rio da Minha Poesia”
José Martins/2004
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