
Férias sem destino
(Quarta e última parte)
De Pitsanulok viajámos para Sukhotai. Cerca de uns 60 quilómetros de distância. A área é rural, plana e para além da estrada largos campos de arroz, tapioca e milho. A Tailândia é um país agrícola e podemos afirmar sem ponta de qualquer dúvida o celeiro do Sudeste Asiático.
O percurso feito em estrada secundária, com grandes árvores plantadas nas berma cuja copa chega a formar um túnel que cobre o piso da estrada. Junto à via casas construídas de madeira e a sua construção, mesma que seja de agora, não foge ao estilo tradicional. Moradias construidas em cima de estacas cuja a finalidade em alguns terrenos, sujeitos a inundações, serve para os moradores se livrarem do efeito das cheias em outros utilizado o espaço para recolher as alfaias agrícolas ou abrigar gado.

Grandes courelas, devidamente marcadas por valas, lembram-me as que existem em Portugal na zona do litoral.
Vê-se muito gado a pastar e guardado pelos pastores.
Rara é a casa, ao longo das estradas, que não tenha uma bandeira tailandesa arvorada na janela de suas casas. Denota-se com isto que vivem, os tailandeses, sob patriotismo e a união constante.
Durante o percurso de Pitsanulok para Sukhothai, encontram-se pequenos rios, algumas casas e restaurantes flutuantes.

Pouco depois de uma hora viagem estamos a entrar na cida de Sukhothai.
O berço da nacionalidade dos siameses!
Os siameses, segundo a história, pertenciam a um grupo étnico, minoritário da China. Este país ao longo de muitos séculos as maiorias tenderam expulsar as minorias, cuja estas seguiram o curso dos rios. Os tais chegaram ao Sião há mais de cinco mil anos. Viveram como nómados no antigo império dos khmers (oriundos da Índia) que governavam as terras do Cambodja e Laos.

O tais organizaram a sua comunidade, nómada, nas terras de Sukhothai. No príncipio do século XIII dois chefes da comunidade tai, revoltaram-se contra os Khmers que governavam Sukhothai e proclamaram a independência e nascia o Reino do Sião. Os tais durante o período de 120 anos viveram uma vida simples, cultivando as terras, criando gado nos terrenos do oeste que terminam junto a altas montanhas, onde no sopé corre um pequeno rio no leste aonde hoje se encontram as ruinas, muito bem tratadas, era o espaço destinado aos templos e à residências dos reis.

Por diversas vezes a paz dos tais foi perturbada por ataques de pequenos reinos que existiam à volta de Sukhothai. Em 1350 o último Rei do período de Sukhothai, Uthong, pretende mudar a capital e viver noutra parte do reino.
Envia primeiro, para que leve depois o seu povo, emissários e recomenda-lhe: ide em procura de outra terra onde possamos viver em paz. Os emissários de volta trazem a boa nova a U-thong de terem encontrado uma ilha ao sul, muito fértil.

Essa ilha era Aiutaá!
Aiutaá situa-se num ponto circundada por três rios: Chao Praiá, Lopburi e o Pasak e à distância de 100 quilómetros da barra do Sião. É assim um ponto estratégico não só para mercanciar com a China como com os outros reinos para além dos mares do sul da China e Molucas. A Europa, para os tais e populações asiáticas era ainda um continente desconhecido. Só tiverem conhecimento, vago por alguns anos, que outro mundo existia depois de os portugueses chegarem a Aiutaá. Com a chegada dos portugueses a Aiutaá deram uma contribuição importante ao Reino do Sião; modernizando o sistema de defesa quer na construção de fortes como o uso das armas de fogo, além da espingarda os canhões; a introdução das artes uma das quais foi o trabalhar o ferro.

Voltaremos ao assunto em próximos artigos.
Os tais instalados na nova capital, Aiutaá, continuam a usufruir a soberania dos territórios, ao norte do Sião e que em Sukhothai já detinham. Mas o Rei, com a sua corte em Aiutaá, terá que com os seus súbditos tais lutar muitas veses e por vários anos. Fernão Mendes Pinto, durante os poucos mais de cinco anos no Sião relata os combates e, o que mais me impressiona é como dá conta da situação geográfica de Sukhothai.
Durante os dias que permaneci na localidade percorri não só a parte histórica, onde se concentram as ruinas dos templos, como segui por caminhos e atalhos nos arredores onde os tais viveram cultivando as terras e morreram e depois convertidos em cinza no crematório do templo budista da sua área.

Pinto relata no capítulo 181 da “Peregrinação”;
<<….. e ao terceiro dia chegou a um vale a que chamavam Siputay, (Sukhothai), a légua e meia donde os inimigos estavam.>>
De facto o vale está conforme o Pinto o relata!
Continuando o relato de Pinto e de quando os 120 portugueses ajudam o Rei do Sião na luta para a conquista de suas terras ao norte de Aiutaá:

<<…E logo que houveram vista dele, (o inimigo) se moveram fechados em doze batalhas de quinze mil homens cada uma, todos muito luzidos e bem concentrados, e dando logo a sua dianteira, em que vinham os quarenta mil cavalos, na dianteira deste rei de Sião, em que vinham setenta mil a pé, em menos de um quarto de hora a desbaratou com morte de três princípes que nela iam. El-rei de Sião, vendo o desbarato dos seus, lhe foi forçoso, como prudente, não seguir a ordem que primeiro trazia, mas fazendo-a num corpo, com setenta mil estrangeiros e quatro mil elefantes, deu com tanto impeto no campo dos inimigos, que logo neste primeiro encontro o rompeu e desbaratou de todo, com morte de infinita gente, porque como a sua força principal estava nos cavalos, logo que os elefantes deram neles, juntamente com a muita arcabuzaria da gente estrangeira, e a artilharia das duzentas carretas, os consumiram a todos em menos de meia hora, e como estes foram desbaratados, todos os mais se começaram a retirar...>>
E, continua:

<< E tratando neste seus testamento, dos portugueses que fomos com ele a esta guerra, primeiro que de todos os outros, pôs nele uma verba que disia assim:
E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram sempre na guarda de minha pessoa, darão meio ano do tributo da rainha de Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por tempo de três anos, sem lhes levarem coisa algumas por suas fazendas, e seus sacerdotes poderã publicar nas cidades de vilas de todo reino, a lei que professam, do Deus feito homem para salvação dos nascidos, como algumas vezes me têm afirmado.>>
Bem, por agora, deixamos os relatos, verídicos, de Pinto e ficarão para serem inseridos em outros futuros artigos sobre o seu carácter de português e sobre as suas aventuras em terras do Sião.

O parque histórico de Sukhotai (Old City) distancia-se de uns dez quilómetros da cidade nova ao oeste. É um médio burgo citadino com cerca de 37.000 mil habitantes, onde nesta se incluen as populações dos meios rurais. Tem excelentes vias de comunicação e meios de transportes. Veículos, pequenas camionetas e motocicletas são adaptados localmente, servem de táxis, confortalmente e a um preço barato, transportam, os locais e os turistas. Para grandes distâncias, por exemplo de e para Banguecoque, recomenda-se os autocarros de arcondicionado ou o comboio, cuja estação está localizada em Pitsanulok e ali há muitos autocarros que em pouco mais de uma hora deixam o turista na cidade nova ou a velha de Sukhothai.

Recomenda-se visitar o websitewww.railway.co.th onde podem ser encontrados as linhas de caminho de ferro da Tailândia, horários e partidas, igualmente as reservas.
A cidade nova de Sukhothai não tem interesse turístico e até para a hospedagem dos turistas que visitam o parque histórico dado que nas proximidades há um excelente hotel o “Pailin” . Junto às ruinas existem “guest house” para todos os preços. Quarto com arcondicionado 300 bahts e com ventoinha 200 bahts (que são 6 e 4 euros). Junto a estas casas de hospedagem, em conta, tem uns restaurantes, simpáticos, que confeccionam excelente comida europeia ou tailandesa (que recomendo experimentar), a preços que se podem considerar irrisórios: os pequenos almoços desde 45 bahts a 80 bahts e jantar desde 100 bahts.

Para se deslocar dentro do parque histórico de Sukhotai ou inteirar-se da vida rural dos tailandeses, poderá ser alugada uma bicicleta, junto ao parque por dez reis de mel coado. Poderá o turista seguir em grupo, par ou mesmo só pelos caminhos para além do antigo muro do parque histórico, pedalar entre o verde dos arrozais com toda a segurança sem que alguém o moleste. Será uma experiência única e, inteirar-se da vida dos siameses, apreciar as casas de madeira de teca que novas ou velhas conservam o mesmo estilo. Os tailandeses são gente afável, hospitaleira. Os jovens são curiosos, comunicativos e o turista não estranhe que durante a sua visita a Sukhothai uma criança de escola ou vá cumprimentar e lhe faça perguntas, num inglês aceitável, do género: “where’s you come from? Do you like Thailand? Do you like thai food? What do you think about thai people?. Perguntas correntes e inocentes dos jovens tailandeses que se orgulham do seu país; do seu Rei, de sua Rainha, dos seus templos budistas e das belezas naturais que a Tailândia encerra.
E como o ditado:“ em Roma ser romano; na tailândia ser tailandês!
José Martins
(Fim da quarta e últim partes por agora. Voltaremos!)
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