(Tailândia)
Primeiro de Maio, dedicado ao trabalhador foi o dia da divulgação de Euro 2004 na cidade de Banguecoque, a capital da Tailândia.

O importante acontecimento, desportivo, que vai levar multidões de adeptos da modalidade, do futebol a Portugal, a partir de 4 de Junho próximo, teve as honras ter sido inserido no contexto da celebração da entrada dos 10 novos membros na Comunidade Europeia, organizada pela Delegação, em Banguecoque, num espaço verde da cidade cujo este tem o nome de S. M. a Rainha Sirikit a consorte de S.M. o Rei da Tailândia.
Dia calmoso, o ar a transpirar constante humidade, com vento, tropical, na manhã que me levou a demorar mais tempo, que o previsto, para decorar o pavilhão de Portugal.
“Poster” aposto por arte malabarista que o vento, teimosamente o arrebatada da parede de “cordeis” que imaginativamente inventei e ali coloquei os bem confeccionado “posters” que o ICEP Portugal enviou para Banguecoque e, assim se promover o Euro2004.
Dez da manhã o pavilhão está mesmo “catita” como pano de fundo: as maravilhosas imagens de paisagens que Portugal tem e, encantam, com muita apreciação, os tailandeses.

Ó céus! Não pode ser, não aceito, que a bandeira verde-rubra, de “pernas para o ar”!
Ai o” malandro” do armador dos 25 emblemas, no parque, a representar a totalidade dos países inseridos no grupo da União Europeia.
Dirigi-me ao “bandeirante” e a minha Amada ficou de esfera armilar, os sete castelos e as cinco quinas na posição correcta.

Para o início da festa faltam, ainda, umas sete horas. Aproveitei o espaço do tempo para explorar o “Imperial Queen’s Park”, entre o acantonado dos arranha-céus que bordejam um espaço verde e, não muito distante a maior e mais movimentada artéria da cidade de Banguecoque e que por cima desta foi montada, em cimento, uma via aérea onde circulam comboios, num vai e vêm, silenciosos, que em espaços curtos transportam os utentes, em escassos minutos, aos centros mais importantes da cidade.

Um grande lago, artificial, foi construído no centro, para além da decoração que empresta ao espaço, frescura constante às pessoas que o visitam e ali passarem umas horas em perfeita relaxação. Entre entre o arvoredo, figuram estátuas, esculpidas por artistas, famosos, tailandeses.
Não há por ali sinais de vandalismo ou alguém a perturbar a paz, serena, do jardim. Pombas que esperam dos visitantes umas migalhas de pão; crianças inocentes que se juntam às aves; namorados na relva junto ao lago ou sentados nos bancos a sonharem e a traçarem projectos de vida.

Um grupo de estudantes, estrangeiros, debaixo de um alpendre ouve com muita concentração e, de faces rígidas, os ensinamentos de “bem estar no mundo” que monitores, seus colegas, tailandeses lhes incutem.
Junto a uma escultura de ferro, um grupo de amigos, conversam animadamente, rindo-se pelas histórias que vão contando dentro do humor caracteristico e impar tailandês.

Na margem do lago, um casal de namorados, está dentro de uma discussão e que ele vão tentando, convencer, a sua “fofa” que saia do estado arrufadiço em que se encontra. Um pouco mais além, uma cartomante, deita as cartas em cima de um pano, vermelho, estendido na relva, enquanto a sua cliente (talvez uma esposa que suspeita que o marido lhe é infiel), olha, com atenção, as imagens que a advinha vai descartando do baralho e colocando-as alinhadas.
Preparei a máquina para mais uma foto, mas naquele mesmo instante a cartomante olhou-me, sorriu-se e estragou-me a premeditada imagem, escondendo o rosto com a sua mão esquerda!

Debaixo de uma árvore um turista estrangeiro, com uma garrafa de água junto a si, dorme na paz da relva. Despreocupadamente e dentro da natural inocência, crianças envolvem-se no bando de pombas, que correm, que saltam e as querem agarrar. Desiludidas quando levantam vôo para pousarem mais além na relva.

Chega um grupo de jovens estudantes, incuráveis, dentro do fenómeno, dos filmes de Harry Potter, fundaram um clube de fãs em glória ao rapazinho, mais pretendido pelas “teenagers” do globo; vêm vestidos a rigor e ensaiam umas cenas a imitar o Harry, na relva e semelhantes aquelas que interpretou o “miúdo”, actor, nos vários filmes só o que eles não conseguiram voar como ele o fez. Para as fás de outros clubes e, pretendam contactar, o seu homólogo de Banguecoque, o e-mail panaquest@hotmail.com ao cuidado de Jamy



Olho o relógio e são quatro horas da tarde. Uma hora falta para que o público entre e participe na festa. Caminho por um carreiro, ladeado de malmequeres, amarelos, meios desfolhados. Num banco senta-se uma mulher, vestida de preto dos pés até à cabeça, enquanto, um estrangeiro, lhe passa ao lado e lhe dispara um olhar de “carneiro morto”.
Quem sabe se ela seria uma daquelas viúvas a quem a divina previdência lhe levou o marido para os anjinhos e se o “farangue” (nome dado aos estrangeiros pelos tailandeses), andava, no jardim, vagueando, em procura de um amor de olhos amendoados. Talvez os dois, discretamente, por ali, se quedavam, em procura de algo que lhes faltava, e certamente carinho de que dele se encontravam carentes.
O público começava a transpôr o pórtico. O espaço reservado à festa já ensombrado e protegido do sol da tarde pelas alttura das torres adjacentes. O tirador de cerveja, holandesa, lá vai montando os apetrechos que vão esguichar litros e mais litros, de liquido dourado, dos barris metálicos, com ou sem espuma durante as 5 horas que a festa vai durar.


As hospedeiras do Pavilhão da divulgação do EURO2004 estão preparadas para receberem a afluência dos adeptos do desporto Rei para lhe distriburiem as brochuras; exemplarmente explicítas e não só: no que respeita às belezas, turísticas, do nosso jardim que a natureza plantou à beira mar assim como, pormenorizadamente o calendário com a data dos encontros; os mega campos situados do norte ao sul.
Acontece, que uma pequena minoria de tailandeses irá ter (exeptuam-se os jornalista) a oportunidade de assistir a encontros do EURO2004. Uma agência de viagens contactou-me, há uns meses para adquirir 50 bilhetes, de Banguecoque e, com mágua minha informei o director que os bilhetes estavam esgotados para os encontros pretendidos!
O estarem esgotadas as bilheteiras alegra-me e, pelo menos, vou observar esses estádios, lindos e o orgulho da nossa arquitectura, futebolista, que extasia (os amantes da bola) cheios a transbordar, de público, uma vez vida.
Durante o torneio, por toda a Tailândia, nos hoteis e nas praças públicas são instalados largos “ecrans” para que o público assista, em directo aos jogos; torça pelos seus clube; apostam (são proibidos os jogos de azar no país) e, vibram, espontâneamente pelas boas jogadas, sejam elas de jogadores do seu clube ou de outros.
Mas com viagem a Portugal ou sem ela os tailandeses gostam do futebol e de mais a mais, dentro da selecção nacional está o nosso Luis Figo que já é estrela na Tailândia!
Quem me lê certamente não tem conheciemnto disso... é verdade... os meus olhos foram testemunhos dos factos.
O Luis Figo esteve ( o treinador Carlos Queirós também), em Banguecoque em Agosto ( integrado na equipa do Real Madrid) de 2003!
O famoso clube madrileno efectuou um périplo à Ásia e a Tailândia foi um país englobado.
O nosso portuguesíssimo Figo, encontrava-se lesionado e, antes do jogo, deu umas quantas voltas, ao campo na pista de atletismo, para o tailandês Figo ver.
Recebeu palmas de 70 mil tailandeses, sentados nas bancadas. Poucos sabiam que ela era português... Eu, no meio de tanta emoção por ver o meu “patrício” Figo a receber tantos aplausos só me apetecia: gritar, gritar até que os “bofes” disparassem pela minha boca fora e colocar o Figo na pátria certa: << ei pessoal tailandês o Figo é português>>!
E, com isto, ficaria mais um artilheiro,”portuga”, conhecido e capaz de furar balisas muito similar aos lusos seus predecessores, que integrados no exército siamês fizeram disparar canhões, no século XVI contra as tropas do Reino do Pegú.
E, o mais incrível que possa parecer vi, nas bancadas, várias raparigas a beijarem e apertarem contra os peitos os calções e camisolas do Figo (compradas a dois euros cada peça nas bancas de rua!)
O Luis Figo foi mesmo um “figo pingo de mel” dentro da claque feminina... e, não jogou!
Se tivesse jogado, uns minutinhos que fossem, haveria gritos, suspiros e ” aisinhos” das suas “fãs” sentadas nas bancadas debaixo de um calor tropical.
O pavilhão português, agora além das hospedeiras vieram, para uma “mãozinha amiga” alunas que frequentam o curso de português em duas universidades, em Banguecoque.
Além dos “posters” e brochuras havia vinho Dão “Terra Franca” e para acompanhar a pinga “da boa” uns apetitosos rissóes de camarão, pasteis Belém e outras especialidades da culinária portuguesa. E, muito lindo se misturar, futebol, culinária e cultura e foram estes condimentos “com todos” que estiveram no pavilhão Portugal.

Expostos: o nosso eterno Eça de Queirós com a obra “Mandarim” traduzida para a língua tailandesa e o dicionáro, bilingue” Português/Tailandês/Português, editado há uns 7 anos por obra e graça da leitora de português Joana de Vasconcelos e a Pralom, secretária da Embaixada de Portugal em Banguecoque que se exprime: “sem papas” na língua de Camões.
(Foi uma falta, imperdoável que a RTPi que a gente tem, não tivesse enviado a Banguecoque, a Sónia Araújo, o Jorge Gabriel, o Helder, o Padre Borga e o “chico do piano” com os seus músicos, transmitir de Banguecoque, um directo, da Praça da Alegria.
Avózinhas, um menino Tonecas, a Picolé, um compadre alentejano e os figurantes “a gente arranjáva cá isso”... Aqui fica o alvitre ao Sr. Presidente da Administração da RTP que as “caganças”, não chegam, que há novas instalações para os “cracks” lá de casa e, a gente na “estranja” fica a “chuchar” no dedo porque não há nada “para ninguém” ao vivo, e a oportunidade do delicioso (penso) um beijinho da Sónia.
Os rissóis, as duas centenas confeccionadas, desapareceram num esfregar de olhos e o resto das comidas, passado uma hora, as travessam estavam sem lastro.
Lembrei-me o que seria, dentro daquele espaço musical que simbolizava a entrada de mais 10 no colo dos 15 da União Europeia, uma sardinhada assada, com pimentos e boroa de Avintes e, um regalo, para mim ver aquela gente a lamber a gordura, da “bibinha da costa” que lhe escorria pelos dedos.
Não vou falar nos rojões à moda do Minho, no bacalhau “ à zé do pipo”, nas outras cem e tal maneiras cozinhado ou até os “caracolinhos” que o lisboeta adoram. Esquecia-me de mencionar as “francesinhas”, aquelas que valem mais para o “tripeiro” que o “Dragão” do Pinto da Costa.
As pessoas no largo da festa movimentam-se de um lado para outro enquanto no palco, trabalhadores, vão colocando as aparelhagens de som, os instrumentos musicais e, porque as bandas não tardam a chegar. As delegações dos novos países membros: Cyprus, Checolosváquia, Estónia, Hungria,Letónia , Lituânia, Malta, Polónia, Eslováquia e Eslovénia, tomaram os seus lugares e mais tarde subiram ao palco onde, ali, o Representante da Delegaçãoda União Europeia, em Banguecoque.

Em frente da “barraca” da cerveja holandesa, duas moças, mais ou menos na ternura dos quarenta seguravam os copos de tinto do Dão que depois de comprarem duas garrafas no pavilhão de Portugal não resistiram que as duas fossem levadas, inteirinhas, para casa. Ali, como que a fazer concorrência à cerveja, abriram uma e, pouco depois estavam as simpáticas, irmãs de S. Martinho (que Deus as benza) com um “brilhozinho” nos olhos.


A festa terminou junto às 11 da noite e durante esta houve muita música, mais euforia, principalmente, pelo grupo de cidadãos da Eslováquia que dançou, exuberantemente, depois de o Presidente da Delegação da UE, em Banguecoque, anunciar que tinha inserido no grupo dos 25 países que totalizam mais de 450 milhões de almas.
José Martins 2004
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