CASAMENTO
de

Soraya Simsiri e Moubere Lorasae

Manhã bastante ocupada com os três eventos  realizados e notava-se algum cansaço, motivado, pelo cerimonial, nos rostos de Soraya e Moubere.

Umas horas de descanso daria para o casal  recuperar  forças para  a grande recepção, protocolar, que consistia a sua apresentação à sociedade tailandesa e diplomática acreditada em Banguecoque,  agendada  para as seis meia da tarde e que iria tomar lugar em três grandes salões, decorados para o efeito, no rês-do-chão do luxuoso Hotel Sofitel Central Plaza.

Moubere e Soraya aguardam os convidados para os cumprimentos e a foto da “praxe”

Antes da grande cerimónia ter início movimentei-me pelo “lobby” do hotel e de tempos a tempos fui observando como seguiam os preparativos dentro dos três espaços.

Centenas talvez milhares de flores iam sendo colocadas nas entradas, numa pequena “sala” (sala é uma palavra portuguesa deixada na Tailândia e dado a  um espaço, em losango, com cerca de uns 4m2 e  serve para decorar jardins e para as pessoas ali se sentarem), em todos os cantos e no centro do grande salão. Aqui foi colocado um coração esculpido em gelo e colocado em cima de um lago onde um repuxo, artificial, esguichava  água, levemente, em leque.

O Embaixador de Portugal em Banguecoque,Lima Pimentel e o casal Ferreira da Austrália entre os primeiros a deixar suas assinaturas no Livro de Honra

Os técnicos davam o último acerto à projecção de luzes e a sintonização do som. Crianças, artistas, no palco ensaiavam os números que durante o percurso da festa viriam a extasiar os convidados da excelente e bem encenada  actuação.  O sexteto da Banda da Marinha Real Tailandesa, que abrilhantou o evento, afinava os seus instrumentos.

Foto de família com a presença do Dr. Thaksin Shinawatra Primeiro-Ministro da Tailândia 
Embaixadores de Portugal Lima Pimentel, da Delegação da UE em Banguecoque e o  Director do ESCAP (Nações Unidas)

Antes do início da grande festa de apresentação dos noivos aos convidados, muitos dos cerca dos quinhentos previstos, começavam a chegar ao “lobby” do Sofitel pelas seis da tarde. À entrada do salão foi colocada uma mesa, em cima livros de honra para que os convidados ali escrevessem os seus nomes e, depois,  em caixas de cartão em forma de corações e  de cor rosa,  para que neles fossem depositados os cartões de visitas.

Os noivos, com pontualidade, chegaram às seis e meia e foram colocar-se em frente de um espaço, em meia-lua cuja a rectaguarda estava decorada com motivos florais e plantas de estufa nas extremidades.

O Primeiro-Ministro Dr. Thaksin Shinawatra na companhia do seu homólogo de Timor-Leste cumprimenta os convidados

Dezenas de pessoas colocam-se em fila para que lhes chega a vez de assinar o Livro de Honra. Temos, entre, as primeiras o Embaixador de Portugal em Banguecoque, Lima Pimentel e o casal: Estela e Fernando Ferreira, director-geral  do grupo de empresas “Wideform” e “Sunrise Living” www.wideform.com.au e www.sunriseliving.com.au  , classificado, entre os 400 de  maior dimensão da Austrália.

Cerca das sete horas chegou o Primeiro Ministro da Tailândia Dr. Thaksin Shinawatra, (também padrinho, dos noivos e pelo lado da Soraya Simsiri), que depois das felicitações, nupciais, aos seus afilhados, os pais dos noivos, Drª Ana Pessoa, Prof. Ramos Horta, Sr. e Srª  Apisit e Araya Simsiri e Drª Marina e Dr. Mari Alcatiri colocaram-se à disposição dos fotógrafos e operadores de câmara de televisão para a foto de família.

Os dois Primeiro-Ministros da Tailândia e Timor-Leste no uso da palavra

Calculamos que mais de 500 pessoas se encontra espalhadas pelo salão que formam uma ala por onde os dois Primeiros Ministros da Tailândia e de Timor, na companhia de Soraya e Moubere, vão passar e, no percurso vai cumprimentando os convidados com um aperto de mão ou um sorriso franco.

Soraya e Moubere cortam o bolo de noivos  e oferecem uma fatia ao padrinho Dr. Thaksin Shinawatra

Junto ao palco do lado esquerdo sentam-se os Primeiros Ministros (os padrinhos) e os noivos e do lado direito os pais dos nubentes. Houve breves discursos proferidos pelo Dr. Thaksin Shinawatra e Dr. Maria Alcatiri que depois de saudarem os seus afilhados Soraya e Moubere  não foram esquecidas  as excelentes relações existentes entre a Tailândia e Timor-Leste.

A fatia oferecida aos pais da noiva enquanto o Prof.Ramos Horta observa

Subiaram ao palco os noivos  e seus pais para a foto de família. Entretanto num ecran é depois passado um vídío onde em imagens é traçada a biografia de Soraya e de Moubere desde suas infância até ao romance de amor entre os dois que acabara, ali, de ser concretrizado o sonho em casamento.

A fatia do bolo para os pais de Moubere

O bolo de noivos, gigante,  foi colocado num  palanque  onde os noivos subiram, pelas escadas; cortaram as primeiras fatias para oferecerem, de joelhos, aos padrinhos e seus pais.

Um espectáculo lindissíssmo interpretado por gente de palmo e meio

A festa terminou com um raro espectáculo de dança interpretado por crianças de palmo e meio que se exibiram como gente grande!

José Martins/04

Fotografia: Maria Martins

 

 


 

 

À Margem

As voltas que o Mundo dá!

Certamente que o Prof. Ramos Horta, em 3  de Julho de 1994, não imaginava que dez anos depois um filho seu, Moubere Lorasae Da Silva Horta se viria a casar com Soraya Simsiri de nacionalidade tailandesa.

E, que, as relações entre Timor-Leste e a Tailândia atingissem  um, estreitamento, de salutar de amizade e cooperação.

Em princípio de Julho de 1994 o Prof. Ramos Horta era o homem mais desejado pelas autoridades tailandesas, não para o deterem atrás de” grades”, mas para o fazer retornar ao ponto de partida.

Conheci nessa altura o Prof. Ramos Horta e, foi na ocasião que entrava num espaço onde exercía as minha funções.

Fotos inéditas, nunca publicadas e de quando o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alkatiri estavam fora das vistas das autoridades, tailandesas,  para os deportar de Banguecoque em 1994.

Trajava calças e blusão “jeans” e carregava um saco numa das mãos.

No mesmo instante pergunto-lhe: é o Dr. Ramos Horta?

Sou, respondeu-me.

Passado cerca de uma hora, mais ou menos, recebi uma chamada do Dr. Mari Alcatari que se encontrava  hospedado no “Hotel Manorá” e a  uns mil metros, do meu local, a perguntar-lhe qual o caminho que deveria tomar para se juntar ao Prof. Ramos Horta.

Passado uma meia hora estavam os dois, juntos, acolhidos num abrigo que mão caridosa lhes franqueou.

Duas expressões do Prof. Ramos Horta em 1994

As ONG’s tinham várias reuniões agendadas em Banguecoque e aonde deveria ser debatida a violação do Direitos do Homem, em países da Ásia e mais, acentuadamente, em cima das violaçãoes levadas a cabo pelo SLORC ( Birmânia) e a ocupação de Timor-Leste pela Indonésia.

Embora, eu, não tenha estado em nenhum desses encontros ,  julgo, porém, que todos foram boicotados, mesmo que tivessem sido agendados para desoras da noite.

 

Estava marcada a reunião  “The Asean Ministers Meeting” de 22 a 28 de Julho, em Banguecoque no hotel Shangri-La. Altura própria para que houvessem reuniões, manifestações, simbólicas, em frente do” Shangri-La” para que fizesse alertar a consciência mundial, através da comunicação escrita e visual, acerca das “violações” que estavam acontecer na Birmânia, Timor-Leste e, em outros, países da Ásia e do globo.

“Poster” anunciante da cimeira “The Asean Ministers Meeting”

Na cimeira participariam os Ministros dos Negócios Estrangeiros:  Abdullah Badawi (Malásia); Roberto R. Romulo (Filipinas); Shunmugam Jayakumar (Singapura); Prsaong Soonsiri (Tailândia);  PrincípeHaji Mohamed Bolkiah (Brunei); Ali Alatas (Indonesia) e o Secretário-Geral da ASEAN, General Ajit Singh.

 

Mas não era só, entretanto,  o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri, os dois únicos, que estavam na mira e “lista negra” dos que deveriam ser deportados pelas autoridades tailandesas.

O Prof. Ramos Horta presidindo a” Conferência dos Dreitos Humanos” na “Association for the Promotion of the Status of Women” ( Associação para a Promoção do Estatuto das Mulheres” no dia 22.07.1994. Foto “Bangkok Post”

Havia mais e alguns foram mesmo colocados no avião no  aeroporto de Don Muang e de volta a casa.Entre esses:Margherita Tracanelli, (australiana/italiana) Frank Coorey (australiano)  e Lito Ocampo  (filipino).

 

Porém as autoridades tailandesas não detiveram ninguém e usaram a moderação.

Jornalistas portugueses não havia em Banguecoque e foi através de umas peças que enviei, para a Rádio Renascença, directas, pelo telefone com a gravação da voz do Prof. Ramos Horta que a TDM (televisão) de Macau que enviou a Banguecoque a jornalista Isabel Meneses e um operador de câmara.

Porém a comunicação social de Banguecoque deu mais destaque à presença  das  ONG’s (Organizações não Governamentais) do que ao desenvolvimento da cimeira “The Asean Ministers  Meeting”.

 

Estando o Prof. Ramos Horta privado de se apresentar em público e, com isso os seus movimentos tolhidos ( para que a sua voz não fosse ouvida), mão amiga de uma senhora portuguesa lhe franqueou o seu apartmento, numa avenida principal de Banguecoque e, altas horas da noite o Prof. Ramos Horta deu  uma entrevista que acabou  por ser “cacha” jornalista, o genérico com  honras da primeira página e, na secção “FOCUS” do matutino “The Nation”  a entrevista foi publicada com várias fotos, onde se incluiam de Timor-Leste.

Em destaque e numa passagem da entrevista o Prof. Ramos Horta:

 

“Many of the places where I spent my childood no longer existe. These places which I know like my own hands were entirely wiped out by the Indonesian Army” ( Em muitos lugares (Timor-Leste) eu passei a minha meninice há muito deixaram de existir. Esses lugares que eu conheço como as minhas mãos foram varridos pelo exército indonésio”

 

No dia 22, um domingo (cerca da uma hora da tarde) de Julho, encontrei-me com o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri no local onde estava abrigados. Durante essa tarde iria ser realizada uma conferência de imprensa da ONGs, nas imediações do aeroporto internacional de Banguecoque,  e o Prof. Ramos Horta convidado para a presidir.

 

Entretanto aproveitei o tempo de espera, que chegasse a  jornalista Isabel Meneses da TDM, e pedi mais uma entrevista, gravada, ao Prof. Ramos Horta que seria para juntar a outra que me daria depois da conferência e enviar pelo telefone para a Renascença.

 

Acontece que depois da gravação vou testar o som e, nada de nada tinha ficado gravado....

o gravador “atraiçou-me”!

Um falhanço jornalístico...sem estar com meias medidas e, com tamanha entrevista perdida projectei, violentamente, o gravador contra uma parede que óbviamente, ficou em pedaços... vi então o Prof. Ramos Horta e  o Dr. Mari Alcatiri olharem-se,  surpreendidos,  perante a minha atitude.

Respondi: “pode lá ser  perder-se  uma peça destas”?

Sai de imediato e fui adquirir outro gravador, ali, perto e repitdas a palavras do Prof. Ramos Horta.

 

Partimos para o local da conferência de imprensa. Á frente segui eu, guiando o meu “velho” Volvo,  a Isabel Meneses e o operador de câmara. Atrás o Prof. Ramos Horta e o Dr. Mari Alcatiri num carro Mercedes guiado po um motorista de uniforme branco. Nenhum de nós sabia aonde era o local. A Isabel Meneses já lá tinha estado, na noite anterior, mas “baralhou-se” do sitio e só me dizia: é  junto ao hotel do aeroporto.

 

Acontece que eu já tinha morado uns anos a um quilómetro do hotel e, numa altura que nas redondezas, ainda, havia campos de arroz por onde, eu,  de quando em quanto metia o “nariz” do Volvo entre os caminhos estreitos,  d a zona, alagadiça, de arrozais e, lembrei-me que já tinha visto um edifício, meio escondido, entre frondosas mangueiras e, que deveria ser naquele que a conferência deveria ter lugar.

 

Chegados ao local uma legião de jornalistas, locais, correspondentes estrangeiros e operadores de câmara aguardavam o Prof. Ramos Horta nas escadas do edifício da “Associação para a Promoção do Estatuto das Mulheres” e, de rompante, aquela gente cercou o meu carro e os operadores de câmara com estas em “riste” para captar as imagens.

Respondi ao grupo de braços abertos: “not me,not me!!! Ramos Horta’s back in another car e, indiquei-lhes  o Mercede.

 

A conferência foi um sucesso, com dezenas de pessoas e jornalistas presentes e que viria obter larga repercussão na imprensa local e internacional.

Ao fim da tarde o Prof. Ramos Horta e Dr. Mari Alcatiri partiram para o aeroporto onde agentes da autoridade os aguardavam não para os deter mas sim, as honras de os conduzir à Sala VIP do aeroporto de onde dali seguiriam os seus itinerários programados.

No entanto um dos agentes transmitiu ao Prof. Ramos Horta que o admirava pela sua luta em favor da auto-determinação do Povo leste-timorense.

José Martins/04

 


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