
CASAMENTO
de
Soraya Simsiri e Moubere Lorasae
No viver das gentes tailandesas depois do nascimento de uma pessoa o facto mais importante de suas vidas é o casamento. A união pode ser celebrada numa aldeia rural, parte remota, numa vila ou num hotel e genericamente todas têm o mesmo estilo das tradições tailandesas.


Manhã
“cedinho” o pessoal do Sofitel decora a sala onde vai ser realizada a Grande
festa
Fernando e Estela Ferreira amigos de longa data do Prof. Ramos Horta vieram da
Austrália
As cerimónias obedecem aos ritos seculares da monarquia e, apesar de os noivos receberem a bênção pelos monges budistas, durante o evento, são multirraciais e não existe quaisquer segregação ou impedimento de que se os nubentes forem de credo diferentes (estamos, perante um Moubere Lorasae que professa a religião católica e a Soraya Simsiri a budista).
A tolerância, a harmonização, a meditação e a não violência são os pilares, fundamentais, do Budismo e isto nos transmite o olhar de doçura das imagens “míticas” em redor de todos os milhares de templos que por todo este mundo de verdura que é a Tailândia tenham sido implantados desde os tempos imemoriais.
Os casamentos tailandeses, desde há meia dúzia de anos, voltaram em moda para casais de várias nacionalidades que mesmo depois de já unidos (alguns com muitos anos de vida em comum) viajam até aos “País dos Sorrisos”, para uma experiência inolvidável que lhes dará o dom de se amaram mais. Existem hoteis, em Banguecoque, que por marcação realizam estas uniãos a preços acessíveis a todas as bolsas. Para os interessados alvitramos a consulta ao website: www.thailandlife.com/wedding/


Os pais e os noivos durante o assento do casamento pelos funcionários do registo dos matrimónios. Depois do assento a foto com com os padrinhos P.M. DE Timor-Leste Mari e Marina Alcatiri
O mês do ano, preferido, para a festa nupcial é o de Agosto. Assim, durante este mês, é corrente, observarem-se casamentos por toda a Tailândia. A união de Moubere e Soraya não fugiu à regra do mês e, escolhidos os dias 26 e 29.


Depois de assinada a união a foto com amigos e familiares Fotógrafos em posição de “ataque”!
A data do casamento dos tailandeses é um dia muito especial, quer para os noivos ou seus familiares. No Moubere (menos que a Soraya) era bem visível no seu olhar um certo nervosismo, enquanto que o Pai o Prof. Ramos Horta o procurava encobrir, ja a Mãe a Drº. Ana Pessoa o disfarçada com um elegante sorriso que nunca o largou desde o início até ao final das festividades. Muita gente, familiares dos noivos e amigos vindos de varios países do globo onde se inlcuem os Estados Unidos, Austrália, Moçambique e outros assistiram à oficialidade do enlace.


Grinaldas de flores e presentes são oferecidos pela Soraya ao seus padrinhos de Timor Dr. Mari e Marina Alcatari e seus sogros Drª Ana Pessoa e Prof. Ramos Horta
Na manhã de 29 de Agosto o pessoal do hotel preparava a sala, esmeradamente, onde a partir das 9 horas se iria dar lugar a três cerimónias distintas. A primeira seria o lavrar o assento do casamento; a segunda os cânticos de 9 budas e a terceira a bênção das águas lançada nas mãos pelos pais e amigos do novo casal.


Depois
da oficializazção do casamento a foto com os amigos
O funcionário que lavrou o assento não esconde a satstação
Os nubentes depois de registados e oficialmente declarados marido e mulher, houve sessão de fotografia em imagens separadas, com os seus pais, padrinhos, os convidados e numa incluiram-se os funcionários do Registo Civi. O Moubere vestia calças preta e “camisão” de seda pura tailandesa de cor vermelha escura, enquanto a Soraya (linda e elegante) trajava saia comprida com o estampado de flores tailandesas de cor verde e blusa branca.


Umas
belezas vindas de Timor!
Soraya e Moubere acendem as velas do altar antes dos cânticos dos monges
Finalizada a cerimónia oficial do assento e a sessão de fotografias entram na sala nove monges que durante uma hora cantarão um sermão, budista, para cimentar a união, doravante, de Moubere e Soraya.
Depois de os monges tomarem lugar, perfilados, de pernas cruzadas num estrado erguido a cerca de meio metro do chão, o monge principal, junto ao altar, desnovela um novelo de fio branco que corre pelas mãos de todos os religiosos, budistas, até ao último, cujo novelo, depois é depositado num vaso, atoalhado, de cerâmica e se conserva, o fio, entre as mãos dos monges, até ao fim da reza cantada que demora cerca de uma hora.
Antes que os cânticos, budistas, se iníciem a Soraya e o Moubere, com as suas mãos seguram um castiçal de metal com uma vela acesa e de joelhos acendem as do altar.
De trás suas costas os monges, colocam “abanadores”, de diversas cores e com as insígnias do grau hierárquico, religioso a que o monge, dentro do patriarcado, está classificado. Entretanto os monges para a celebração dos casamentos são permanentemente residentes nos templos e não temporários já que que na tradição tailandesa todo o homem tem que, pelo menos, uma vez na vida, vestir o robe de monge e conservar-se durante três meses num templo. Período que pode ser reduzido para menos tempo.


O cântico, da felicidade,dos monges
Após a cerimónia Soraya e Moubere oferecem comida aos monges
Os cânticos terminados Soraya e Moubere oferecem aos presentes aos monges, para levarem para o templo, compostos de velas e paramentos necessários à manutenção desses espaços de serenidade. Seguidamente servem-lhes comida para lhes confortar o estômago e apagar o jejum. Numa sala ao lado, em várias mesas, tinham sido colocadas finas iguarias de comida tailandesa para o almoço dos presentes às duas cerimónias já realizadas naquela manhã.


O
Primeiro Ministro de Timor-Leste Dr.Mari Alcatiri apreciando de perto uma fina
iguaria tailandesa
Moubere e Soraya preparam-se para a bênção da água que está preste a começar
Depois do almoço os monges retiram-se, para os templos. Mas, na mesma sala, outra cerimónia iria ter lugar que é a bênção das águas. A água que é o símbolo da fertilidade da Tailândia! Ela está sempre presente em todos os factos da vida, seja em cerimónias ou no decorrer das festividades do Ano Novo, Songkran, onde no país de norte ao sul as pessoas se saudam borrifando-se, umas às outras, com água.


A concha da bênção das águas O padrinho Dr. Mari Alcatiri abençoa o afilhado
Moubere
Uma concha decorada vai servir para verter água nas mãos dos nubentes.
Formou-uma longa fila onde os assistentes à cerimónia, solene, do casamento se mantiveram do príncipo ao fim e, começou a bênção da água. A primeira vez pertenceu aos padrinhos vindos de Timor-Leste, em seguida os pais e depois os cerca de 100 convidados. Demorou a bênção uma hora. Outra festa e a grande recepção seria para o fim da tarde às 18:30.


Dra. Ana Pessoa e o Prof. Ramos Horta abençoam com água seu filho Moubere e nora Soraya
Perfil de Moubere Lorasae Da Silva Horta
Nasceu em Moçambique a 26 de Novembro de 1978 na cidade do Maputo. Fez na capital moçambicana o ensino primário elementar. Frequentou e terminou o ensino secondário numa escola privada na mesma cidade. Parte de sua vida foi em Moçambique até que obteve o prémio de uma bolsa de estudo para frequentar a Universidade de Sidney na Austrália no ano de 2000 onde obteve a licenciatura em bacharel. Viveu em Moçambique com sua Mãe, Drª Ana Pessoa, luso timorense que Moubere afirma: “ durante o meu crescimento minha mãe, educou-me na forma que eu viesse a ser na minha vida adulta um homem honesto” .


Os amigos vindos da Asutrália Fernando e Estela Ferreira, lançam a água nas mãos do jovem casal
Durante a sua permanência em Moçambique e já nos seus verdes anos conhece o drama com que o Povo timorense se debate para sair da ocupação, da opressão e carência com que as gentes se debatiam para alcançar a independência e com isto a liberdade. Colaborou com o seu padrinho, do casamento, hoje o Primeiro Ministro de Timor-Leste, Dr. Mari Alcatiri, (conforme o afirma com modesta ajuda) dentro de suas possibilidades para a concretização da autodeterminação dos timorenses que viria acontecer em 20 de Maio de 2002.


A vez dos amigos vindos de Moçambique Maria de Lourdes Araújo e o Arquit. Mário António Rosário
Em certas ocasiões viajou de Moçambique para a Europa e Austrália e fazendo parte das várias delegações da “Resistência de Timor-Leste” que incansávelmente e constantemente se movimentava pelas nações do mundo para que lhes ouvissem a voz da Liberdade. Diz ainda Moubere que era o “mascote” (dado à sua idade) da delegação.
De seu Pai o Prof. Ramos Horta (Prémio Nobel da Paz em 1996), o Mestre que Moubere considera, recebeu a doutrinação, cujo esta tem contribuído para lhe moldar a sua sabedoria e a personalidade.
Em Moçambique,regularmente, contribuiu com o voluntariado com a Cruz Vermelha.
É graduado pela Universidade de Sydney com honras de grau de distinção no curso de relações internacionais.
Nos tempos livres Moubere e quando as finanças lhe permitem aprecia fumar um charuto de boa qualidade e ler um livro de um bom autor. Os seus escritores preferidos:
Thucydides “The Peloponnesian War”; Sun Tzu “ The Arte of War”; Paul Kenedy “The Making of Strategy; Murray S. “Rullers,State,and War”; Adam Smith “ The Wealth of Nations”.
Nas suas expectativas futuras está a oportunidade de viajar aos Estados Unidos ou Reino Unido e obter o “Master Degree” em estratégia e defesa militar e voltar a Timor-Leste, transmitir os ensinamentos obtidos e ajudar a reconstruir o seu país.


Os Pais
de Moubere felizes
Foto de família: os pais do noivos e os padrinhos Dr.Mari e Marina Alcatiri
Moubere conheceu a sua esposa Soraya de 27 anos na Austrália de quando alunos universitários. A seta do cupido feriu os seus corações e, como um conto de fadas desde logo se apaixonaram.
Soraya asim declarou ao matutino “The Nation”: “só mais tarde e já dentro deles o projecto de vida conjunta, viria a ter conhecimento que Moubere Lorasae era filho do laureado com o “Prémio Nobel da Paz” o Prof. Ramos Horta”.
José Martins/2004 (segue a 3ª e última parte)
Fotos: Maria Martins
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