
CARNAVAL BRASILEIRO EM BANGUECOQUE
Aconteceu
em Banguecoque, a capital da Tailândia, o carnaval brasileiro, como cabeça de
cartaz foi escolhido, em sua memória, o nome da eterna Carmem Miranda a lusa/brasileira
e que em meados do século, passado, levou o nome do Brasil aos quatro cantos
dos mundos com canções que
ficaram imortalizadas para sempre.

Depois
do sabor da primeira festa carnavalesca, em Banguecoque, no ano passado com
o
genérico “Carnaval sem Fronteiras” o de ontem, dia 8 de Março,
contagiou cerca de 400 participantes, de várias etnias, num dos melhores
hoteis da baixa da “Cidade dos Anjos”.

Evento
organizado pelas irrequietas e dinânicas (nos eventos onde a Embaixada do
Brasil se faça representar na capital tailandesa), Senhoras Apararecida
Terlon e Sarita Schwartzmann e ainda a inestimável contribuição das damas,
brasileiras, que compõem a Comunidade residente.

Festa
primorosamente organizada, comparticipada com gente VIP e onde não passou
despercebida a elegância e a presença de rostos, femininos, mesmo bonitinhos.
O evento carnavalesco teve início às 8 da noite, mas uma hora antes, já os
convidados enchiam o espaço da entrada do salão de festas para comprarem máscaras,
turbantes, com frutas tropicais e similares aos usados pela Carmem Miranda no
auge das suas actuações no século passado. Todo o mundo, antes do começo do
jantar, bebeu a sua “caipirinha”, repetiu, a dose e outros optaram pela
deliciosa, fresquinha e hipnótica bebida de
“maracujá”.

Não
faltaram, as bananas, nas mesas e, fóra, da sala, uma planta de bananeira, ao
natural, com um cacho pendurado a oferecer um cenário tropical e o ponto, mais
apetecido, para a focagem de uma fotografia, junto às Carmens Mirandas, que
foram muitas ali presentes e, belissimas na noite imemorável da festa mais
Nacional, da terra brasileira, no antigo Reino do Sião.

Em
seguida ao jantar teve início o espectáculo. Começa com apresentação das
senhoras, lindamente vestidas, o Rei Momo e, ainda um “chiquinho malandrinho
ou “Bossa Nova” que caracterisou a figura,
tradicional, do folião dos cortejos carnavalescos do Brasil. Durante o
“show” a bandeira do Brasil está presente e flutua através do movimento
das mãos de uma “baiana”, enquanto o “chiquinho malandrinho” vai
fazendo piruetas acompanhadas de irrequietas vénias.

Depois
a festa atingiria o rubro quando os convidados invadiram o recinto, dançaram,
foliaram, fizeram marchinhas, comboinhos e cantando aquelas canções dos anos
50: “Cachaça Não é Água Não e a Água Vem do Ribeirão”; o que é que a
“Baiana Tém? É Inveja de Ninguém” e muitas outras canções que a mim e
aos outros, na festa, e já “entradotes” nos fez voltar à juventude.

Um
ecran gigantestico, exibia imagens acompanhadas com música (legendadas em inglês)
no salão de festas, o “Sambadrómo” do Rio, os majestosos cortejos
carnavalescos que ali se realizam.

Estão
de parabéns as senhoras brasileira que organizaram o maravilhoso evento, assim
como o Embaixador Marco António, acreditado na Corte do Reino da Tailândia
pelo facto de que mostrando o “Carnaval Carioca” também é dar a conhecer o
imenso Brasil, na Ásia.
Portuguesa
de gema, natural do Marco de Canavezes (distrito do Porto) onde nasceu
a 9 de Fevereiro de 1909 foi baptizada com o nome de Maria do Carmo
Miranda da Cunha. Seguiu
com os pais para o Brasil numa época em que os portugueses procuravam (sob a
contundente economia portuguesa da época), uma “fortuna de nada” na terras
de Santa Cruz.

Desembarcou
no Rio de Janeiro, mais ou menos, na altura. em que o encarregado do consulado
português em Manaos (Amazonas), em 1912, transmitia num longo e ilucidativo
relatório para satisfazer um pedido da Sociedade
de Geografia de Lisboa:
.....em
sua brutal maioria, para não dizer a totalidade, de pobres creaturas
analphabetas, cheias de vida e mocidade, saídas das províncias do norte de
Portugal sem profissão ou de misteres pouco utilisaveis n’estes centros;
accrescendo ainda a circunstancia de ser feita sem um objectivo pratico, como é
de prevêr, tendo sempre por base as informações e insinuações de um visinho
ou de um parente bronco e alardeador de grandêzas imaginarias, ou ainda a
ganancia desmedida e injustifificada que a palavra Brasil desperta nos espiritos
incultos.......” (texto fiel)
e, o Cônsul da Baía, Eduardo Cãndido dos Reis, em outro relatório sobre se
na Baía haveria possibilidades de haver lugar para professores o Cônsul
transmite:
“
O infeliz professor que viesse eetabelecer-se aqui, ganharia quando muito, para
cigarros, que é das poucas coisas baratas n’esta cidade onde a vida é caríssima......”.
Pelas
informações dos representantes, consulares, portugueses a Lisboa se poderá
avaliar que nem tudo que reluzia era oiro no Brasil e, assim a Carmem Miranda
“bébé”, ao colo da sua mãe, lavada em lágrimas, saudosa do Marco, subiu
o portaló do navio a vapor, possivelmento no Porto de Leixões, para a longa
travessia do Atlântico até às “Terras de Santa Cruz” descobertas por
Pedro Álvares Cabral em 22 de abril de 1500.
Sobre
o modo de vida da família de Carmem Miranda no Brasil nada conseguimos apurar
e, não nos deixa alguma dúvida que cresceu em bairro pobre, do Rio de Janeiro,
dentro de alguma pobreza cujo nessa na época, como ainda o é hoje o pobre, a esqueça cantando, sambando e batucando os acordes
musicais (depois adaptados ao sabor brasileiro) que os escravos de Angola
levaram para o Brasil
Imaginamos
a irrequietude da adolescência de Carmem Miranda do Marco de Canavezes, onde não
teve a oportunidade de dar conta na sua memória as mulheres, vestidas de roupas,
chailes e lenços pretos na cabeça e muita pobreza e tristeza que seguia nas
suas almas, na terra portuguesa.
A
Carmem vive dentro de exuberante alegria que só o Povo brasileiro, único no
Mundo a sabe transmitir, onde alegria da música da dança se opõe às agruras
da madrastaria da vida. Uma Carmem, uma menina do Rio de Janeiro, estilizada, e adaptada aos costumes brasileiros, tropicais e perde, sem a
influenciar a tradição, caracteristica, dos seus pais portugueses, que quando
se fixam no estrangeiro a levam e conservam as suas raizes.
A
Carmem Miranda, a lusa/brasileira voltou num mito e foi a Embaixadora do Brasil,
nos Estados Unidos da América e quando o país do seu acolhimento está debaixo
de uma ditadura nos anos 50, Caetano Veloso diz:
“....Carmem
Miranda foi, primeiro, motivo de um misto de orgulho e vergonha e, depois, símbolo
da violência intectual com queriamos encarar a nossa realidade, do olhar implacável
que queriamos lançar sobre nós mesmos....” .
Carmem
Miranda, a sua alegria irreverente não fica pelo Brasil. Depois
do lançamento do seu primeiro disco em 1930, com 18 anos e fazem enorme sucesso:
“Ai,Ai Adeus Batucada” “ No Tabuleiro da Baiana” que são trauteadas por
todo o território brasileiro e chegam a Portugal, pelas mãos do emigrantes, os
discos de grafonolas que transmitem e popularizam a música de Carmem Miranda
pelas aldeias de Portugal.
Foi
a actriz principal de cinco filmes brasileiros e em 1936 no filme “Banana da
Terra”, aparece pela primeira vez vestida com o traje de baiana e canta a
famosa e eternal canção: “ “ O Que é Que a Bainana Tem?” de Dorival
Caymiri. A lusa/brasileira
veste pela primeira vez o traje da baiana, com turbante, de frutas e volta numa
marca sua e populariza o Brasil, a Baía a cidade dos amores e romances do
grande e proeminente, escritor brasileiro, Jorge Amado.
A
fama e a vivaciade, musical de
Carmem, depois dos sucessos do Brasil, nas exibições
Argentina e o Uruguai que a . guindou-a ao topo da fama,
leva as suas canções aos Estados Unidos, em 1939 e estreia-se na Broadway. O
presidente Franklin Roosevelt quer conhecê-la e visita-o na Casa Branca. No
mesmo ano assina um contrato para actuar na produção de filmes da já
fluorescente indústria cinematográfica da Meca do cinema Hollywood. Em 1941
volta ao Rio, contracena em “Uma noite no Rio” e em mais em 12 filmes.
Regressa a Holywood e em 1954 vem ao Rio de Janeiro com o objectivo de visitar a
família. A despedida foi extasiante para o povo brasileiro
Holywood
espera, novamente, por ela, mas infelizmente Carmem de Miranda foi acometida de
um ataque cardíaco em 5 de Agosto de 1955 e, deixa de pertencer ao números dos
vivos, com apenas 45 anos.
O
Brasil, Portugal e o Mundo, em geral, chorou a Carmem Miranda.
Ela
está viva e esteve a noite passada no “Carnaval Brasileiro”, em sua honra,
em Banguecoque.
José Martins – Março de 2003
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