José Martins 

SUA MAJESTADE O REI DA TAILÂNDIA

COMEMORAÇÕES DE 6º ANOS NO TRONO

(5ª PARTE)

Um Rei de um Povo; um chefe de família que tem servido de exemplo aos seu súbditos. Para nós, velho residente no Reino da Tailândia, habituei-me a ver e a seguir a Obra deste enorme Homem, que nasceu para ser Rei e guiar o seu Povo o da Tailândia.

Para Sua Majestade não foi fácil vencer os tempos difíceis que se lhe depararam. Aos dois anos de idade perdeu seu Pai, o Príncipe Mahidol, vocacionado para médico e que a morte o levou aos 35 anos. A sua alma de criança não entende, ainda, a orfandade.

Igualmente ainda não se apercebe que a monarquia tailandesa vive momentos conturbares, em 1932, um grupo de jovens estudantes suportados com bolsas concedidas pela Casa Real levaram a efeito um “golpe de Estado” (sem sangue) que levariam a ser elaborada uma nova constituição passando da “Monarquia Absoluta” para a “Monarquia Constitucional”. Seu tio o Rei Prajadipop, abdica e exila-se em Londres sem nunca mais retornar à Tailândia. Seu irmão o Príncipe Ananda, mais velho que ele é a pessoa, em linha real, hereditária, para ser entronizado Rei.

Rei Ananda

 

Mais um golpe terrível envolve o Príncipe Bhumibol. O Rei Ananda, seu irmão é assassinado, em 1946 no seu quarto, em circunstâncias estranhas, que nunca foram conhecidas. Dois príncipes, dormem no mesmo quarto; crescem e estudam juntos em Lausana na Suíça. Eles, compartilham, os seus brinquedos, os seus instrumentos musicais, as bicicletas que pedalavam a caminho da escola; a música e os noticiários transmitidos pela  “galena” que o Príncipe Bhumibol construiu.

Sua Majestade o Rei Bhumibol foi entronizado e substitui seu irmão o Rei Ananda. A Guerra Mundial tinha chegado ao fim um ano antes. O Rei adolescente terá que colocar à prova todos os dotes de inteligência que o seu ser encerra. Um Rei que está sentado no trono não para o deleite mas para fazer algo do melhor para os seus súbditos. Sua Majestade o Rei Bhumibol pertence à linhagem de dois Grandes Monarcas: o Rei Mongkut seu bisavô e o Rei Chulalongkorn seu avô.

S. Majestade o Rei Mongkut e Princípe Chulalongkorn

 

O Rei Mongkut vê-se a braços com a ambição de países da Europa que pretendem mudar o curso da monarquia tailandesa colonizando-a. Os dotes diplomáticos do Rei Mongkut  e ensinados ao Rei Chulalongkorn levou a que a monarquia tailandesas se mantivesse até ao segundo milénio um reinado independente próspero, farto e de paz.

Na década de 60, do século passado, Sua Majestade o Rei Bhumbol, segue os passos de seu avô e empreende uma viagem de cortesia e diplomática ao mundo ocidental. A apoteose dispensado, nesses países, a seu avô o Rei Chulalongkorn, já havia mais de meio século, é-lhe igualmente retribuída. O Rei e a Rainha Sirikit são recebidas com todas as honras nos países da Europa e Estados Unidos.

Portugal recebe os Reis da Tailândia com a melhor das hospitalidades que poderiam ser oferecidas a uns monarcas. Lisboa vestiu-se de gala. Tal não poderia ter sido melhor. Era o tributo de um país aos Reis da Tailândia de um amistoso e salutar relacionamento de quase 450 anos, desde 1509, quando os portugueses se estabeleceram uma comunidade na antiga capital, Aiutaá, do Reino do Sião.

Sua Majestade tem pela sua frente uma guerra que terá de a vencer com moderação, sem que seja deteriorado o relacionamento diplomático com os países, seus vizinhos: o Camboja, o Laos e o Vietname. A ideologia comunista instalou-se no Sudeste Asiático. A Tailândia não se viu livre das cédulas infiltradas na mata e no “pantanal”. As cédulas estão, não só, nas aldeias junto à fronteira como nas instituições de ensino secundário.

Sua Majestade o Rei da Tailândia terá que colocar á prova os seus dotes para amenizar a infiltração das células comunistas como procurar controlar o regime, do Governo, que se inclina para uma ditadura militar. As elites, feudais, existem na sociedade tailandesa que que encostadas ao regime, imposto, ou aos militares tentam construir uma sociedade menos justa. Sua Majestade está com o seu Povo e menos com as elites.

Suas Majestades os Reis da Tailândia

O Povo adora o seu Rei e 60 milhões de tailandeses não podem dispensar a presença do seu Rei e da Rainha em suas casas. Uma foto de Suas Majestades está sempre presente na parede da residência de cada família tailandesa. Presença que não é imposta, demagogicamente ou forçada, pelos Governos, para adorarem ídolos falso. É o Povo que deseja o seu Rei a sua Rainha em suas casas (na minha casa também se encontra).

Temos um Rei nos pontos remotos na Tailândia a interessar-se em melhorar o viver de suas vidas; é um Rei que eliminou as plantações da flor da papoila que produz a substância, assassina o ópio e essas terras, encravadas na montanha, voltaram em jardins de vida. Crescem as flores, os vegetais; os pés de cafeeiro; os morangos; as maçãs e as vinhas que produzem vinho ou deliciosas uvas de mesa.

Um Rei que conduz um seu “jipe”, nunca se separa da sua máquina fotográfica; vemos o Rei na montanha, nos arrozais alagadiços a navegar numa canoa; montado numa “mula” nos carreiros tortuoso e sinuosos do “Triangulo Dourado” para que chegue à remota povoação onde vivem, isoladas, as “tribos” que anos atrás se dedicavam ao cultivo e produção do ópio e actualmente agricultores graças ao Rei.

S.Majestades os Reis da Tailândia num meio rural

Um Rei com o dia-a-dia ocupado e a estudar formas que melhorem a vida dos seus súbditos. Ajudam o Rei sua mulher a Rainha Sirikit, a Princesa Maha Chakri (a Princesa dentro do coração de todos tailandeses), o Príncipe Herdeiro e mais duas Princesas Reais, que todos os dias existem inaugurações e eventos, que os tailandeses não dispensam a presença de um membro da Casa Real tailandesa.

Em 1992 o povo tailandês viu se envolvido, num conflito politico social. Milhares de banguecoquianos, estão envolvidos numa disturbaria cujo final redundou com a perda de mais de uma centena de vidas. Na altura, o autor esteve envolvido, como repórter, jornalista, dos acontecimentos, para a “Tribuna de Macau” e a “Rádio Renascença”.. Por várias vezes no terreno dos confrontos entre a polícia e a população.

Terminou num banho de sangue no dia 19 de Maio de 1992. O dia ficou assinalado na história:  “Maio Negro”

MEMÓRIAS DE UM JORNALISTA

                  

No dia 17 de Maio de 1992  transmitia  a peça para a “Tribuna de Macau”:

“Hoje vai realizar-se no Parque Sanan Luang e na Avenida Rajadamnen um ajuntamento de dezenas de milhares de manifestantes. Uns a favor do General Suchinda, outros contra sua nomeação como Primeiro-ministro. Haverá concertos musicais organizados pelo novo Governo. Há uma semana tem sido levado a cabo no Sanan Luang cerimónias budistas e que deveriam terminado ontem, mas foram estendidas para mais três dias. Os manifestantes contra o Governo e liderados por Chamlong Srimuang, nas manifestações anteriores usaram “retretes móveis” e pertencentes ao município de Banguecoque. Os militares deram ordem para que fossem confiscadas e armazenadas nas instalações dos quartéis. Este problema está a afligir a oposição e pedem aos militares que lhe devolvam isso.

Um general coloca o aviso que se existir violência, esta será retaliada. Não estando fora de hipótese  de ser usada chuva artificial.

Maio Negro” de 1992. Militares e barreiras de arame farpado

 

Comentários dos editorialistas da imprensa: “ “Judjement day for Suchinda” – “Manipulation  the press seems held back by traditional categories of criticismo.” – “How long can Suchind survive in office? “ – “He has limited choices and not on of them is favourable to him.”  O “guru” Kukrit Pramoj (antigo, PM, democrático) afirma: “Suchinda nunda resignará debaixo de pressão.” “Huge City protest to top action nationality.” “Government accused of hiding Toilets in bid to toward protest.

Vai haver hoje e prolongar-se-á pela noite dentro. Uma mistura de gente nos locais do costume onde se têm realizado os protestos contra Suchinda. Ali existem espectáculos para todos os gostos: política, religião e concursos de música pop. Porém não deixará também de haver negócio e propaganda de produtos, que oportunistas aproveitam, quando há ajuntamentos de muita gente.”

José Martins

 

No dia 18 de Maio de 1992 transmitia a peça para a “Tribuna de Macau”

E “Rádio Renascença” pelo telefone.

“Depois de protestos de mais de um mês pelo facto de se autonomizar-se Primeiro-ministro o General Suchinda, a violência eclodiu ontem no princípio da noite e prolongou-se até à madrugada de hoje. Carros da polícia foram incendiados depois do confronto entre manifestantes liderados por Chamlong Srimuang e as forças da ordem.

O General Suchinda depois de ele próprio se nomear Primeiro-ministro, após as eleições de 22 de Março, último, tem sido alvo de numerosos protestos da oposição e do público em geral, pela razão de existirem fortes indícios de ligações com as Forças Armadas que não pretendem de abdicar da sua interferência em todos os Governos eleitos democraticamente.

O General Suchinda, partiu ontem de manhã para o norte da Tailândia, em visita aos meios rurais.

A fim de destorcer a manifestação chegaram ontem a Banguecoque centenas de pessoas de várias províncias com transporte gratuito oferecido pelo Governo do General Suchinda.” 

 

Junto à peça inseri uma nota:

“ Liguei a televisão às 3:30 da manhã. Contra o habitual as estações de televisão estava a difundir diversos programas, entre os quais o festival de música pop organizado pelo Governo. Seguem-se imagem que entretanto gravei: confrontos violentos entre a polícia de intervenção, armados de bastões e viseiras protectoras de material plástico. Retiraram-se, pouco depois, dado que não conseguiram suster o Povo. Após a retirada das forças policiais, os manifestantes, voltam carros, carrinhas e camiões da polícia, com paus partem-lhe os vidros e ateiam-lhe o fogo. Não se viram feridos, ou disparos de tiros. As câmaras registaram, apenas um polícia a sair de um hospital depois de ter sido tratado dos ferimentos.

“Maio Negro” de 1992. Militares carregam sobre o Povo

O caos reinava nas avenidas, penso junto ao Sanan Luang, aonde os manifestantes se dedicavam a vandalizar os carros da polícia. Noutras imagens vêm-se uma larga quantidade de carros em chamas.

Nada ainda se pode prever, qual será a reacção dos militares, já que o General Suchinda tem forte apoio das Forças Armadas, em especial do Comandante-em-chefe General Kaset, nomeado pelo Suchinda depois de ter deixado o alto cargo e assumir as funções de Primeiro-ministro, cujo Povo tailandês não o aceita. Conforme o desenrolar dos acontecimentos de hoje os irei transmitindo. De momento não se pode ainda avaliar quais as consequências. Novo Golpe de Estado? Resignação de Suchinda? Por agora tudo ainda é uma incógnita o futuro político da Tailândia.”   

José Martins

 

Segunda peça transmitida no dia 18.05.1992

“Contra o habitual, os matutinos “Bangkok Post” e “The Nation” ainda não se encontravam à venda nas bancas às 6:30 da manhã. Creio que sairão mais tarde, para darem uma maior cobertura aos acontecimentos de violência registados ontem pela noite adiante até de madrugada na  praça “Sanan Luang”.

Por notícias obtidas através da televisão às 6 da manhã e quando me preparava para sair de casa, foi imposta na Tailândia a “Lei de Emergência” e não pode have, nas ruas ou praças ajuntamentos de mais de 10 pessoas, sujeitas a serem detidas se tal vier acontecer.

“Maio Negro” de 1992. Olhos tristes e muita ansiedade

Ainda não se pode futurar, se novo Golpe de Estado já foi levado a cabo  e em que mãos está o Governo.

Seguirão mais detalhes, quando ler os jornais. Estarei, pela rádio, em contacto para que mais possa informar.

Gravei toda a desordem emitida pela televisão, não sei se foi filmado por um amador já que não aparece no “écran” o nome e número do canal. Foi a primeira vez que a televisão transmitiu uma insurreição igual a esta na Tailândia. Na última manifestação, há uma semana, deu algumas imagens, quando os manifestantes se preparavam para abandonar o local.”

José Martins

 

Terceira peça transmitida no dia 18.05.1992

“Por informações recebidas neste momento pelo telefone, e fornecidas por minha mulher de casa. Um comunicado, transmitido pela televisão, informa que as repartições do Estado estarão encerradas, hoje, assim como as escolas. A oposição irá avistar-se com o Governo para que a situação seja discutida.

Seguirão detalhes

José Martins

 

Quarta peça transmitida no dia 18.05.1992 – 7:30 da manhã

“O jornal “The Nation”, publica fotografias em que se podem considerar dramáticas a espancarem os manifestantes na avenida Radjamnem, esta madrugada.

Encabeçam os títulos: “Protesters battle police”- State of Emergency Declared”- Scores of people injured ‘ Troops poised to smash rally”- “Pressman caught in crossfire of missiles” – Army Chief threatens to use force” – “The night police  turn vandals”.

O que a Lei diz sobre o “Estado de Emergência:

“Podem as autoridades entrar em qualquer residência e proceder a buscas; deter qualquer pessoa se as autoridades entenderem que esta pode pôr em risco a segurança do país.

“Maio Negro” de 1992.Ao outro dia do “massacre”

Proibir qualquer pessoa de sair do país, se estiver debaixo da alçada das autoridades.

Chamlong Srimuang está já a ser acusado de culpa da violência e responsável pelos ferimentos de 10 polícias . Ainda sem fontes concretas, um polícia foi fatalmente ferido.

Nota minha: “penso e debaixo do Estado de Emergência, Chamlong Srimuang deve ser detido. Certamente sobre ele vão ser imputadas culpas pela danificação de dezenas de viaturas da polícia e dos bombeiros.

Nas fotografias publicadas pelo “The Nation”, uma mostra um manifestante de mãos postas a pedir complacência à polícia. Fotografia com um sentido humano profundo. Um homem está ferido na cabeça, o sangue escorre-lhe pela face abaixo e ensopa-lhe a camisa. Para mim, já está eleita a fotografia do ano, e o grito da democracia, frágil deste país que vive debaixo da bota militar pretoriana como o foi nos tempos áureos de Roma.

“Bangkok Post”, às 8 horas, ainda não se encontrava nas bancas à venda. Telefonei para a redacção e informaram-me que sairia mais tarde. “The Nation” apenas duas cópias foram distribuídas na banca onde o compro todos os dias. Tive sorte apanhei uma! Tenho fortes suspeitas que o “Bangkok Post” tenha sido apreendido. Estranho também o número reduzido de cópias do “The Nation”. Pouco mais se saberá de concreto sobre as informações reais dos acontecimentos, próximos já que o “ Estado Emergência” controla tudo que tem sido publicado. Por agora e creio por todo o dia é só isto.

José Martins 

 

Os banguecoquianos viviam horas difíceis e de incerteza quais seriam os próximos acontecimentos. Jornalistas, fotógrafos tailandeses e estrangeiros eram espancados e as máquinas de filmar e fotográficas eram estilhaçadas contra o solo pelos militares. Era perigoso ir-se para o terreno e tomar-se nota dos acontecimentos. Para recolher informações utilizei o telefone e fui ligando para pessoas conhecidas e amigas residentes em Banguecoque para me informarem como se encontrava a situação nos seus bairros. Não havia confrontos em lado nenhum.

“Maio Negro” de 1992. Os jornais dão conta de um morto e outro ferido (estrangeiros) com gravidade. Obra do exército tailandês.

Os habitantes estavam em suas casas e na expectativa daquilo que iria acontecer. A ordem de recolher estava estipulada para que depois de o anoitecer ninguém poderia circular. Esporadicamente, já altas horas da noite, em alguns pontos da cidade eram ouvidos tiros. Veio a saber-se depois que “pobres diabos”, empregados de hotéis quando terminavam os seus turnos e regressados em motoretas eram alvejados com balas.

O “China Town” (onde reside a comunidade chinesa), os estabelecimentos estavam encerrados. O bairro movimentado, praticamente, durante as 24 horas dos ponteiros dos relógios, estava deserto. Os negociantes de ouro chineses tinham trancado, a sete chaves, o ouro em barra e trabalhado nos cofres. Havia o receio dos assaltos e a contigua pilhagem.

José Rocha Dinis director da “Tribuna de Macau” pelo telefone pedia-me se era possível eu deslocar-me ao lugar, ou nas proximidades, onde se tinham acontecido o “massacre”. Recusei-me dado que tinham sido molestados e espancados jornalistas estrangeiros e locais. Dois cidadãos da Nova Zelândia tinham sido atingidos pelas balas disparadas pelos militares. Um nos cuidados intensivos, a debater-se pela vida, num hospital de Banguecoque e outro abatido com um tiro no pescoço.

Não se podia prever que futuro, político esperava à Tailândia. Até que na noite de 21 de Maio de 1992 um raio de luz e de esperança pairou! Sua Majestade o Rei da Tailândia chamou ao palácio o Primeiro-Ministro, general Suchinda (o homem mau) e o general Chamlong Srimuang. Os dois políticos, sentados em cima das pernas e no soalho de uma sala do Palácio em frente de Sua Majestade o Rei Bhumibol e disse-lhe: “ a Tailândia não é propriedade vossa mas dos tailandeses e fostes vós os causadores da morte de pessoas e dano de propriedades de civis e do estado”

A audiência foi transmitida por todos os canais de televisão e estações de rádio.

 

Sua Majestade o Rei da Tailândia transmitiu aos causadores da rebelião: a Tailândia não é propriedade vossa. Na foto: Generais Suchinda (1) e Chamlong Srimuang (2). Nº 3 General Prema Conselheiro do Rei Bhumibol

 

No dia 22 de Maio transmitia, pelo telefone, para a rádio Renascença, quando em Portugal seriam umas duas manhãs a seguinte peça: 

»» Depois da tempestade a bonança. A intervenção do Rei da Tailândia veio a por termo às manifestações de protesto contra o general Suchinda. O Suchinda e o líder dos manifestantes Chamlong Srimuang, foram chamados ao Palácio Real, e juntos, ouviram as palavras do monarca tailandês, que continua a ser a força máxima deste país. Apesar da lei de recolher ter sido imposta das 9 às 4 da manhã, os protestos continuaram, em grande escala na Universidade Aberta de Ramakueng, e outros pontos da cidade mas com menos dimensão.

Banguecoque, às sete da manhã de hoje, começa a entrar na normalidade. As manifestações terminaram. Vêm-se já sorrisos de confiança nas pessoas e orquídea fresca à venda nas ruas.

Que sirva de lição este “massacre”, aos déspotas desta área do globo e que não repita mais as “selvajarias” de dizimação de pessoas, que gritam por liberdade e mais Justiça. Que não surjam mais “massacres” levados a cabo na China, em Timor-Leste e agora na Tailândia. Que as ideias “pretorianas” de alguns militares  acabem de vez.

José Martins em Banguecoque»».

Balanço de vítimas, segundo o diário “Bangkok Posto” de 21.09.1992:

46 Mortes confirmadas

699 Pessoas desaparecidas onde se incluem, mortas  e  feridas.

Chegou, graças a S. Majestade o Rei, a paz à Tailândia que até ao ano presente (2006), além dos confrontos, habituais, entre homens na arena política,  foi posta de parte que os militares (assim o prometeram) se envolverem nos assuntos do Governo.

A democracia, a harmonia, progresso e o desenvolvimento económico jamais estagnou.

José Martins

A seguir:  6º e última parte

  


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