Concurso

da

Rainha Jumbo

(Tailândia)

Tem 10 anos o concurso e neste o ser encontrada a rapariga, tailandesa, mais pesada e claro está gordinha. O “palminho” de cara não é excluído  e a maquilhagem faz-lhe o resto.

Todos anos ali temos estado (excepto o ano passado dado que estava a promover o Euro2004 num jardim da baixa banguecoquiana), assistir ao concurso bizarro e único no mundo!

A data escolhida de ano para ano tem sido o dia consagrado ao trabalhador o 1 de Maio.

A Tailândia cheia de contrastes e só neste país  poderia ser levado a efeito um evento onde milhares e muitos milhares de pessoas de todas as idades assiste; puxa e grita pelas suas concorrentes favoritas.

O evento “Raínha Jumbo” ( Rainha Elefante) vem obtendo notariaridade e famoso entre os muitos que se realizam de norte ao sul do país dos sorrisos.

O povo tailandês adora festas, concursos, corridas sejam de elefantes, de búfalos de água, luta de galos, “Muaythai” (boxe tailandês) e como não poderia deixar de acontecer as cerimónias, religiosas, budistas, nos sem conta  templos espalhados por toda a monarquia. Um país em festas durante os 365 dias.

O concurso tem sido realizado pela empresa proprietária do “Samphran Elephant Ground & Zoo” (Parque de Elefantes e Jardim Zoológico de Samphran) que dista a pouco mais de uma hora de autocarro da baixa de Banguecoque. O parque está vocacionado ao turismo e, um espaço, que recomendo a visita aos portugueses, brasileiros e outros lusófonos que viagem à Tailândia  a não perderem.

 

 

Ali irão assistir a um fabuloso espectáculo de elefantes, ao ar livre, onde actuam vários grupos destes animais como “bestas de guerra”; jogando futebol; acrobacias onde se inclue o pino; a caça ao elefante selvagens para que depois seja domesticado.

Entretanto ali os conhecedores da história entre Portugal e a Tailândia poderãoencontrar a encenação, ao vivo, como eram praticados os combates entre os soldados do antigo Reno do Sião e o Reino do Pegú (Birmânia ou Myanmar), cujos os embates foram por alguns séculos um feudo.

O campo de batalha, embora de tamanho reduzido, dá nos bem a ideia como os tailandeses e peguanos se enfrentavam nessas aguerridas pelejas. Nestas lutas lá estão, envolvidos os elefantes, as bocas de fogo fundidas em Macau/Goa pelo Manuel Bocarro ou vindas de Lisboa a capital do Império. Soldados portugueses lutaram juntamente com os tailandeses e o Fernão Mendes Pinto relata:

<< E aos cento e vinte portugueses que com lealdade vigiaram sempre na guarda de minha pessoa, darão meio ano do tributo da rainha Guibém, e liberdade em minhas alfândegas, por tempo de três anos, sem lhes levarem coisa alguma por suas fazendas, e seus sacerdotes poderão publicar nas cidades e vilas de todo o meu reino, a lei que professem, do Deus feito homem para salvação dos nascidos, como algumas vezes me têm afirmado.>>  (“Peregrinação” capítulo 182)

As ameias lusitanas estão naquele campo de batalha  reconstituidas e, para sempre conservadas e memorizadas pelas gerações tailandesas. Não será demais continuar a dizer nos meus artigos em cima da história da Tailândia que foram os portugueses os primeiros ocidentais a chegarem a este reino; a introduzirem as armas de fogo e ensinar o manegemento das mesmas. Contribuindo, com isto, os tais a manterem a sua identidade e preservar a soberania cuja esta sempre haja sido cobiçada pelos seus vizinhos peguanos.

Além do principal espectáculo dos elefantes têm outro com crocodilos; ilusionismo e um excelente parque com vários canais, navegáveis por canoas pedaladas e um autêntico jardim babilónico com orquídias de rara beleza em vasos suspensos.

Saimos de casa às seis da manhã e depois de três quartos de hora estavamos a ser recebidos à entrada do parque por cinco simpáticas gordinhas, encarregadas de receber a “malta” da comunicação social, local e internacional, receberam-me com sorrisos matinais!

Mas, além das tão graciosas boas-vindas somos contemplado com dois “T-shirts”, alusivos ao concursos; seis boiões de vidro com marmelada de tamarindo. 

Para onde vou na Tailândia encontro, sempre, algo que me fala de Portugal na Tailândia.

É isso mesmo por mais estranho que pareça ao leitor.

Vejamos o que nos diz o meu “patrício” Fernão Mendes Pinto, de outra era, no capítulo 189 da “Peregrinação”:

“ Há mais neste reino muita pimenta, gengibre, canela,cânfora,pedra-ume, canafístula, tamarinho (tamarindo), e cardomono, em muito grande quantidade.....”

O concurso tem sido nos anos anteriores difundido, internacionalmente, pelas agências noticiosas em Banguecoque na capital sediadas e passa nos canais de televisão de muitos países onde se inclui Portugal e o Brasil. Certeza disto porque o meu amigo Walter Caetano de S.Paulo me informou da transmissão e este ano uma amiga, residente em Lisboa, do “palavreado” através do MSN do hotmail,  diz-me que um canal português, por cerca de 10 minutos, passou o evento para os “ecrans”.

Sou o primeiro repórter a chegar... sempre assim tem sido, ali ou noutros lugares onde há “coisas”, interessantes, a transmitir.  Bem, é que eu habituei-me a perder as noites a dormir e umas escassas seis horas chegam-me para me recompôr do esforço, dispendido da lide do dia antes. E, também, cumpro aquele ditado popular: “quem muito dorme pouco aprende...” (que me desculpem os amantes da sorna).

Depois da inscrição sou simpaticamente conduzido para o grande salão onde foi instalada a sala de “comes e bebes”, decorada com gosto e ali tudo estava funcional e aonde não faltariam os motivos alusivos ao concurso. Tomei um prato;  retirei de algumas terrinas, colocadas ao longo de várias mesas, com comida diversa  e optei  por um frugal  “mata-bicho”.

Estômago aconchegado. Toca depois a explorar os cantos do parque, os arranjos do palco onde o concurso iria ter lugar.

Manhã abafadiça e no ar humidade de cortar à faca. Está-se na época da chuvas que nos comtempla com atmosfera pesada e humidade relativa na ordem dos 90 e mais por cento.

Os tratadores dos animais movimentavam-se de um lugar para outros com carretas onde nestas transportavam comida para a primeira refeição da “crocodilagem” que flutua em vários lagos do parque.

Vivem em piscinas separadas. Os albinos a um lado, os siameses noutro, os africanos mais além a crocodilada miúda num de reduzida dimensão e junto às incubadoras.

Largos tabuleiros, circulantes, cogulados de vegetais e frutas da terra aguardam num alpende para que lá para o fim da tarde sejam puxados para a área onde, todos os dias, executam três espectáculos para turista ver, apreciar o maior espectáculo do mundo de elefantes ao ar livre.

Azáfama à vista!

Começam a chegar ao parque as gordinhas vinda de vários cantos de Banguecoque e províncias. Uma chega numa “bomba” artilhada (um Nissan) “Cefiro” guiado por um rapaz de cabelos pretos compridos e a respirar cargas de juventude. Ladino sai da “cockpit” a mostrar o seu ar desportivo, passa pela frente da máquina ruidora e vai abrir a porta à sua princesa de uns cento e mais quilos. Há sorrisos do pessoal recepcionista e entra para a sala  onde será maquilhada.

Porém não se julgue que não há critério na escolha das “gordinhas”.... Há sim e muito! Além da suas formosas “banhas”  há as suas profissões e  escolaridade obtida. São contabilistas, estudantes universitárias, comunicadoras te televisão, jornalistas e uma até “barwoman” que esta, durante o concurso, bateu um delicioso e excelente “cocktail” que distribuiu em cálices  aos membros da mesa do júri.

Às  formosas “gordinhas” nada, mesmo, se lhes importa a gordura e o peso que a natureza as dotou. Não se privam dos olhares dos vizinhos ou das pessoas por quem se cruzam na rua. Nada disso, porque ninguém, olha, segrega ou põe de lado as meninas rechunchudas!

E se ainda não fosse não as teriamos assim tão jubilosas e airosas no concurso anual do “Samphran Elephant Ground & Zoo” no dia 1 de Maio.

Neste ano o concurso teve especial relevo e foi em memória da Princesa Koko Prakaykavil que presidiu a mesa do júri desde a fundação do evento.

A nobre senhora, que conheci por anos nos continuados concursos faleceu o ano passado. Os fundos obtidos nos eventos são destinados a suportar os estudos de jovens necessitados nos seuscursos superiores.

A abertura do concurso teve discurso proferido pelo Vice-Governador da província de Nakhon Pathon e como convidado de honra o Encarregado de Negócios e Secretário Permanente da UNESCAP, Saken Seidualiyev e o Director do Departamento do Turismo da Tailândia Poramet Amatyakul. Personalidades que fizeram a entrega dos prémios às concorrentes vencedoras.

Jose Martins/2005

À margem: Surpreendeu-me (embora conhecendo que os elefantes tailandeses serem dotados de extrema inteligência), como eles atendiam os pedidos do seu tratadores montados nos seus dorsos quando estes lhe pediam fruta e, com as suas trombas procuravam, nos tabuleiros, frutas que melhor os satisfizessem. Escolhiam: uvas, mangas,  mango steam, rambutans e cocos, fresco, cheios de água para lhes matar a sede. Dobravam a tromba levantavam-na e lhes entregavam nas mãos as especialidade frutíferas  no topo dos seus dorsos.

 

 

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